Aconteceu na Penha | Cronologia da nossa história

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Foto: Anos 50 - Acervo do Instituto Histórico e Geográfico de Vila Velha-IHGVV

Paz e Bem!

Como é bom chegar na sexta-feira, né verdade?! A gente sempre espera confiantemente, porque está próximo o Dia do Senhor e também porque o fim de semana é ocasião para estar ainda mais em família, partilhando conhecimento e conhecendo mais as histórias. Nesta sexta-feira vamos retomar as matérias jornalísticas semanais de algum fato ou história que “Aconteceu na Penha”, é um compromisso nosso com as histórias que fazem parte da memória do Convento da Penha.

Há mais de 450 anos, o povo do Estado do Espírito Santo celebra sua padroeira com muito amor e carinho, além da relevante expressão devocional à Nossa Senhora das Alegrias da Penha, nossa gente é fiel aos ensinamentos de Jesus Cristo, a modo de São Francisco de Assis. Por tamanha devoção, estamos destacando os aspectos históricos da religiosidade local, em reportagens, resgates cronológicos de fatos ocorridos no Convento.

1535 – Chegada do Donatário Vasco Fernandes Coutinho ao Espírito Santo (23 de maio)
1541 – Alvará Régio de nomeação do vigário João Dormundo (13/01), 1º registro de nomeação de sacerdote para o Espírito Santo.
1550 – Criação da Alfândega de Vitória devido ao estabelecimento do comércio triangular direto com Portugal e Angola.
1550 – Notícia da existência de culto na Capela de Santa Luzia, em Vitória
1551 – Finalização da construção da Igreja do Rosário em Vila Velha pelo jesuíta Afonso Brás, hoje uma comunidade atendida pelos franciscanos do Santuário do Espírito Santo
1553 – Primeiro registro da presença do Padre José de Anchieta no Espírito Santo, quando passou em viagem para São Vicente, acompanhado pelo Padre Brás Lourenço e outros jesuítas.

Preparamos uma pequena ordem cronológica com resumo dos acontecimentos no Convento. Se quiser saber a história em detalhes basta clicar no título desejado.

  • 1558 | Chegada de Frei Pedro Palácios: Chega à Capitania do Espírito Santo o irmão leigo franciscano, Frei Pedro Palácios, fundador do Santuário de Nossa Senhora da Penha.
  • 1566 | Início da construção da Capela: Em 1566, é iniciada a construção do Santuário de Nossa Senhora da Penha, a construção do monumento mais impressionante do nosso período colonial. Alcandorado no alto de uma Penha é testemunha silenciosa de grandes acontecimentos históricos.
  • 1570 | Término da construção da Capela: Em 1570, o primeiro fato que vamos recordar é o término da construção do Santuário de Nossa Senhora da Penha. Após pouco mais de 4 anos de construção, a Capela do Convento é inaugurada por Frei Pedro Palácios. Em 1568, Frei Pedro mandou vir de Portugal uma Imagem de Nossa Senhora da Penha e a colocou no altar da Capela, com uma festa para entronizar a Imagem. Depois dessa festa, Frei Pedro Palácios veio a falecer, junto ao altar da capelinha de São Francisco de Assis. Inicialmente a devoção era à Nossa Senhora dos Prazeres (das Sete Alegrias).
  • 1573 | A primeira romaria à Penha da história: Em 1573, ocorreu a primeira romaria ao Convento da Penha, ela foi realizada pelos jesuítas Luís de Grã e Inácio de Tolosa, em agradecimento por terem sobrevivido a um naufrágio na foz do Rio Doce.
  • 1584 | Nova romaria dos jesuítas à Penha: Em 1584, ocorreu a nova romaria dos padres jesuítas à Penha, entre os quais o Visitador da Ordem, Padre Cristóvão de Gouveia e o escritor Padre Fernão Cardim, que deixou o escrito: “A capela é de abóbada pequena, mas de obra graciosa e bem acabada. Aqui fomos em romaria, dia de S. André, e todos fizemos Missa com muita consolação. V. Revma foi bem encomendada à Senhora com toda essa Província, o que também fazíamos em mais romarias e continuamente em nossos sacrifícios, e eu sou o que ganho pela muita consolação que tenho com tal lembrança.”
  • 1591 | Fundação do Convento São Francisco em Vitória: Em 1591, o primeiro fato importante aconteceu em Vitória. A pedido dos capixabas e nativos locais, os franciscanos fundam o Convento de São Francisco de Assis, na então Vila Nova do Espírito Santo, como assim era chamada a Capital Vitória. Lá, os frades também assumem o culto divino com as celebrações e a assistência aos romeiros e romeiras da Penha (de Vila Velha). O local funcionava como uma parte “anexa” (embora distante) ao Convento de Vila Velha, um apoio, uma área de moradia dos freis.
  • 1594 | Padre José de Anchieta na Penha: Em 1594, Padre José de Anchieta sobe à Penha em romaria. Um registro precioso da passagem do “Apóstolo do Brasil” no Convento da Penha foi feito por Simão de Vasconcelos, em sua grande obra de meados do século XVII. “Aqui com espanto grande foi visto José, em presença de muitos, que ali se achavam e foram testemunhas do caso, enlevado em êxtase e fora de sentidos no meio da Missa, depois de alevantar a hóstia e o cálice”
  • 1609 | Transladação dos restos mortais de Frei Pedro Palácios: Em 1609, os restos mortais do Frei Pedro Palácios, que haviam sido sepultados dentro do Santuário, são transladados para o Convento São Francisco, Cidade Alta, Vitória-ES, por ordem de Frei Lourenço de Jesus. Em seu trajeto, “doentes que tocaram os preciosos despojos recuperaram a saúde, entre os quais o corista Frei João dos Anjos, Duarte de Albuquerque e uma filha de Lourenço Afonso” (escrito de Gomes Neto)
  • 1616 | Início do processo de beatificação de Frei Pedro Palácios: No dia 27 de julho de 1616, o custódio Frei Vicente do Salvador instaurou, em Vitória, o processo informativo para beatificação de Frei Pedro Palácios, como Venerável Servo de Deus. Nesta ermida esteve antigamente por ermitão um frade leigo da nossa ordem, asturiano, chamado Frei Pedro, de mui santa vida, como se confirmou em sua morte, a qual conheceu alguns dias antes, e se andou despedindo das pessoas devotas, dizendo que, feita a Festa de Nossa Senhora, havia de morrer.
  • 1627 e 1628 | Descrições do Convento por dois escritos: Em 1627, Frei Vicente do Salvador, Pai da História do Brasil, descreve em sua obra prima, o Santuário da Penha. Não se discute a importância histórica do Convento da Penha; pois, ele recorda vivamente os primórdios da nossa religiosidade, notadamente a catequese dos silvícolas e a vida eremítica modelar de Frei Palácios, o qual, durante os doze anos de sua permanência no Espírito Santo, impôs-se à admiração e veneração dos capixabas. Já em 1628, o Governador eleito do Paraguai (nomeado a 6 de fevereiro de 1625), Dom Luís de Céspedes Xeria sobe à Penha para o cumprimento de uma promessa pela salvação de um naufrágio. Ele registrou a existência de um dos mais antigos documentos históricos que assinalam a existência da Ermida de Nossa Senhora da Penha onde esteve aquele fidalgo em janeiro de 1628, deixando isto escrito em sua “Relacion de Viaje”  (descrição de viagem).
  • 1639 | Frei Paulo de Santo Antônio inicia a ampliação do Santuário: O monumento arquitetônico, peculiar na singeleza e sobriedade, apresenta em sua trajetória histórica algumas reconstruções como a excepcional concepção arquitetônica do Convento, colocado sobre a rocha do morro, abrindo as janelas de suas celas para o magnífico panorama da Grande Vitória e do Oceano Atlântico.
  • 1640 | Tentativa de invasão dos holandeses ao Santuário da Penha: Em 1640, os holandeses tentaram invadir o Espírito Santo começando pelo Convento da Penha. Na obra “A visão dos holandeses”, tela de 1927, em que relata a tentativa de invasão dos holandeses, o corsário da Holanda, João Delchi, chegou à Ilha de Vitória e às margens da Prainha, com embarcações e soldados, afim de conquistar terras. Do mar, avistou o imponente e majestoso Convento, uma construção destacada no alto de uma montanha.  Eles tentaram empreender entrada ancorando na ilha aos pés do Convento. Ao perceberem que o local se tratava de um Santuário religioso, não foram invadindo com violência, à princípio. Ao notarem também a fragilidade da segurança do local, imaginaram a possibilidade de exploração de riquezas e domínio da povoação. Cerca de oitocentos homens, a bordo de grandes embarcações, chegaram prontos para o assalto, a invasão.
  • 1650 | Construção do Convento anexo ao Santuário: Em 1650, foi aprovada a construção do Convento junto ao Santuário da Penha. A residência franciscana da Penha foi elevada à categoria de Convento. Devido à falta de espaço no topo da rocha, com muitas dificuldades a residência dos frades ia sendo aumentada até que em 1670 recebeu a forma atual. Por muitos anos, o convento da Penha servia como casa, onde os frades menores, com tendências para vida de eremita, procuravam realizar o seu ideal.
  • 1653 | Saque dos holandeses no Santuário: Em 1653, os holandeses, duas vezes derrotados no Espírito Santo, voltam de madrugada, conseguem invadir o Santuário, seguram um frade que rezava diante do Altar da Capela e roubam “joias” de Nossa Senhora. Não transcorre um ano e os invasores são definitivamente expulsos do Brasil. Os objetos roubados foram reconquistados no Estado de Pernambuco e devolvidas tempo depois ao Convento de Nossa Senhora da Penha.
  • 1669 | Pela primeira vez a Imagem Original sai do Santuário: Em 1669, pela primeira vez a Imagem original de Nossa Senhora da Penha sai do Altar e vai em procissão até a capitania do Espírito Santo, atual cidade de Vitória. Seguiu em procissão para Vitória, onde permaneceu por alguns dias. O motivo foi para debelar uma terrível epidemia. Foi no fim do século XVII. Ele se fechava entre os horrores cruéis de violenta epidemia e o povo, apavorado, voltava-se para os céus em preces aflitas.
  • 1675 | Criação da Província da Imaculada: Em 1659 foi criada a Custódia da Imaculada Conceição do Brasil. Foi no dia 15 de julho de 1675 que o Papa Clemente X, mediante a Bula Pastoralis Officii, erigiu oficialmente a Província da Imaculada Conceição do Brasil, desmembrada da Província de Santo Antônio do Brasil. A Província da Imaculada Conceição do Brasil, ao ser criada, contava com 10 conventos. O mais antigo era o Convento São Francisco, em Vitória (ES), construído em 1591. Desse Convento só permanece parte da fachada e algumas ruínas, local da atual Cúria da Arquidiocese de Vitória.
  • 1730 | Registro de romeiros provenientes de várias partes do Brasil: Em 1730, Frei Apolinário da Conceição (Irmão Leigo da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil) atesta que os “romeiros concorrem de todos os estados”, ou seja, é o início da peregrinação mariana em volumes consideráveis. Vale lembrar que em 1717, ocorreu no Rio Paraíba do Sul, São Paulo, a aparição da Imagem de Nossa Senhora Aparecida. Naqueles tempos, já havia registros de romarias ao Convento da Penha em Vila Velha, no entanto, apenas de pessoas de cidades locais.
  • 1750 | Ampliação do Santuário de Nossa Senhora da Penha: Em 1750, o Provincial Frei Agostinho de São José manda aumentar o prédio do Convento da Penha. Foi neste ano que houve a última grande intervenção. O formato atual do Santuário não sofreu alteração considerável desde o ano citado. Em 1639, Frei Paulo de Santo Antônio iniciou a ampliação do Santuário.
  • 1761 | Escritos sobre Frei Pedro Palácios: Em Lisboa, Portugal, sai a impressão da obra de Frei Antônio de Santa Maria Jaboatão, “Novo Orbe Seráfico Brasílico”, que longamente trata de Frei Pedro Palácios e da Penha. Essa talvez tenha sido a obra literária mais assertiva em relação à vida e missão do fundador da Penha Sagrada.
  • 1765 | Mais frades no Convento da Penha: Em 1765, o Convento da Penha passou a contar com 23 frades franciscanos, sendo 12 sacerdotes, 6 coristas e 5 irmãos. Esse foi o registro da maior quantidade de frades que já residiram no Convento.
  • 1769 | Imagem de Nossa Senhora da Penha sai do Santuário pela segunda vez: Durante a grande seca, a imagem de Nossa Senhora da Penha segue, pela segunda vez, em procissão marítima para Vitória, obtendo-se com muitas orações e preces à Maria Santíssima, a desejada chuva. Uma grande seca assolava toda a Capitania do Espírito Santo, no ano de 1769, de efeitos calamitosos, secando até as águas dos rios, montanhas e pastos secos, afluentes com fluídos bem rasos, plantações com pouca colheita, escassez de água em todos os lugares. Foi, naqueles tempos, uma das maiores estiagens da história capixaba.
  • 1770 | Reconstrução de parte do Convento: O Guardião na época, Frei Tomás de Sta. Catarina reconstrói grande parte do Convento que ameaçara ruir. No “Poema Mariano” de 1770, Padre Domingos Caldas, jesuíta, menciona uma capela do Bom Jesus no campinho e os Passos ladeira acima. Trata-se de uma narrativa em verso rimado dos milagres da Senhora da Penha, só publicado, no entanto, em 1854.
  • 1777 | Término de algumas obras no Convento: Em 1777, o então Guardião da Penha, Frei Francisco de Jesus Camargo, terminava algumas obras pequenas no conjunto arquitetônico do Santuário de Nossa Senhora da Penha. Ele foi o responsável pela reconstrução da “Casa dos Romeiros”, pelo calçamento e construção dos muros da “Ladeira da Penitência”.
  • 1802 | Curso de língua indígena no Convento: Em 1802, o início de um curso de língua indígena para os missionários franciscanos do Espírito Santo e de São Paulo, ministrado no próprio Convento da Penha. O objetivo era proporcionar aos frades da Província a possibilidade de trabalhar nas capitanias do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.
  • 1821 | Melhorias no Altar-Mor e no interior da Capela: O Guardião da Penha na época, Frei Francisco do Monte Alverne realizou importantes melhoramentos no Santuário e no Convento. De acordo com a história, desde 1764, com poucos frades e noviços, a Penha Sagrada já passava por intervenções e obras. Foi por volta de 1821 que foram realizadas ações na cúpula que vamos conhecer hoje.
  • 1842 | Visita do Padre Diogo Antônio Feijó: Em 1842, amparado por amigos, sobe a ladeira da Penha, um paralítico. É o padre Diogo Antônio Feijó… esse meteoro que atravessou os céus do Brasil entre 1784 e 1843, o grande paulista que, na opinião de Otávio Tarquínio de Souza, não foi talvez excedido em prestígio e notoriedade nem por Pedro I, nem por José Bonifácio, e nem por Pedro II, também galgou as penedias onde se engasta o Convento da Penha, e lá no santuário famoso, dirigiu as suas preces à Santa.
  • 1844 | Criada a Lei estadual “Dia da Festa da Penha”: Em 1844, Assembleia Legislativa Provincial do Espírito Santo vota a lei nº 7 de 12 de novembro, declarando o “Dia da Festa da Penha”, de “Grande Gala” e feriado para as repartições públicas. A Festada padroeira dos capixabas, desde os mais remotos tempos, sempre foi o principal acontecimento religioso, não só de Vila Velha como do Estado. Tanto que, a partir do ano já citado, o dia da Festa da Penha passou a ser considerado feriado em toda a Província do Espírito Santo. O “Governador” na época era Manuel de Assis Mascarenhas.
  • 1856 | Imagem do Menino Jesus da Penha foi levado em procissão: Em 1856 durante a epidemia do cólera-morbo, a Imagem do Menino Jesus da Penha seguiu em procissão para Vitória e Serra. O objetivo da procissão era de debelar a terrível situação que estava ceifando a vida de muitas pessoas no Brasil e em todo o mundo. A epidemia de cólera-morbo na Rússia, que começou em 1847, prolongou-se até 1851, matando mais de um milhão de pessoas. Foi o terceiro grande surto de cólera com origem na Índia no século XIX e que se alastrou muito para além das suas fronteiras.
  • 1867 | Frei Teotônio de Santa Humiliana entrega o cargo: Em 1867 Frei Teotônio de Santa Humiliana, último guardião canonicamente eleito, entrega o cargo. Durante o seu “governo”, o Santuário sofreu diversos prejuízos, em consequência dos raios caídos, a 27 de Janeiro e 14 de Fevereiro de 1867. Atingiram o zimbório, as paredes e obras de talha.
  • 1871 | Pintor Victor Meirelles faz pinturas de telas para o Convento: Havia o Convento, na época sofrido diversas avarias, por consequência de raios que nele caíram, como dizem os historiadores: “num desafio espetacular da natureza embravecida contra a santidade de seus nichos e de seus altares”. Foi preciso socorrer-se das artes para que fosse restabelecida a integridade de sua beleza. Era o ano de 1871, e fora chamado o célebre artista para trazer mais arte e beleza, de prontidão e com o coração cheio de emoção e do Espírito Santo, atendeu o convite de trazer mais vida à casa da mãe, através de suas obras de arte. Ele também corria para corresponder ao apelo que lhe fora feito.
  • 1849 | Convento tem rubricas no 1º “Livro de Visitas” da história: Em 1849, Frei Vitorino de Santa Felicidade, que em várias guardianias efetuou relevantes serviços de restauração, rubricou o 1º “Livro de Visitas” da Penha. Hoje isso pode não significar tanto, haja vista, que diante de tanto avanço tecnológico, um simples aplicativo de celular ou software de computador consegue identificar e registrar, não apenas quantidade mas nome e dados pessoais do usuário (visitante).

A partir da semana que vem você vai conferir novas histórias de fatos que “Aconteceram na Penha”.

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