Paz e Bem.
Na manhã deste sábado (16), o Convento da Penha recebeu a Peregrinação das Equipes de Nossa Senhora de todo o Estado do Espírito Santo. Cerca de 70 casais subiram ao Santuário de Nossa Senhora da Penha para celebrar os 76 anos da chegada do movimento ao Brasil.
As Equipes se organizam em setores, sendo cinco no estado. Cada equipe conta com 4 a 7 casais, tendo um sacerdote como diretor espiritual. Elas trabalham na espiritualidade conjugal católica e é um movimento constituído por casais que buscam fortalecer no sacramento do matrimônio, a vivência cristã, inspirados no exemplo de Maria. Embora tenha a prece mariana, o serviço é Cristocêntrico, ou seja, tem no centro o próprio Jesus e é embasado nas Sagradas Escrituras.
A Celebração Eucarística foi presidida pelo Padre André de Paiva Oliveira, administrador paroquial da Paróquia Epifania do Senhor aos Reis Magos, Serra e diretor espiritual do movimento na Arquidiocese de Vitória.
Frei Gabriel Dellandrea, Guardião do Convento, fez a acolhida aos fiéis. “Acolhemos a todos que estão aqui para celebrarem conosco a Eucaristia, especialmente os casais das Equipes de Nossa Senhora que encontram na Casa da Mãe de todos um lugar de renovar a esperança e fortalecer cada vez mais os trabalhos. Que bom que vocês estão aqui! Possamos viver nesta manhã um momento de graça”, acolheu.

Na homilia, Padre André destacou a importância das Equipes de Nossa Senhora, não como uma “ideologia”, mas “um movimento que busca fazer do matrimônio uma escola de santidade”, com o exemplo de Maria. “Para que ninguém diga que foi apenas uma mera ideologia, em particular nesses tempos difíceis em que nós vivemos, em que pessoas que se deixam conduzir por quaisquer ideologias, vão se infiltrando em meio à sociedade, em meio à família, e vão como que manchando aquilo que a graça de Deus purificou, pela graça do Batismo, pela força do sacramento do matrimônio. No movimento, nós vamos aprender que, quanto mais nos unimos como família, com casais, que fazem do seu matrimônio uma escola de santidade, mais temos a alegria de tomar o modelo da Virgem Maria, da Senhora que nos ensina dizendo: ‘fazei o que Ele nos disser’, porque não aquilo que é a moda do momento, não aquilo que é simplesmente uma imposição ideológica, como a gente vê acontecer dentro e fora da igreja, nesses tempos difíceis que nós vivemos”, disse.
Sobre a convicção da fé, citada por São Paulo na Primeira Leitura (Atos 18,23-28), Padre André afirmou que muitas pessoas são “vítimas do achismo”. “O que falta não é a graça de Deus, o que falta não é o olhar de Deus que nos acompanha, que nos alcança, como diz São Paulo, ‘que nos impele, que nos leva adiante’. O que nos falta é, na nossa prática, uma abertura, aquela doçura por acolher com fé, com alegria, aquela que é a Palavra de Deus. A quem deseja caminhar a partir de ideias vazias, o destino é incerto, o percurso é duvidoso, não vai alcançar felicidade. A alegria que vem de Deus, a alegria que Deus nos oferece, é a mesma que nos faz caminhar com força, com decisão. E não como quem não sabe para onde vai, nem de onde vem, nem o que quer. Quem muda de lado ou de opinião a cada dez segundos porque não tem consistência naquelas que são as suas convicções. A gente encontra pessoas que estão lá fora que são vítimas do seu achismo. ‘Eu acho isso, eu acho aquilo, eu acho, eu acho, eu acho, eu acho’. ‘Eu tenho convicção!’. A fé nos torna convictos. E esta convicção, ela vem para nos trazer a certeza de que não caminhamos à toa, não estamos por aí a fora, perseguindo os passos de alguém que, inspirado pelo Espírito Santo, nos ensinou a fazer comunidade através do movimento. Nós não seguimos passos vazios, pelo contrário, nós seguimos passos consolidados, passos que nos ajudam a não só viver, mas, principalmente, testemunhar. Essa é a palavra, testemunhar aquilo em que acreditamos”, afirmou o padre.

“Neste seu amor, Deus nos acolhe a todos neste dia em que celebramos estes 76 anos da presença do movimento no Brasil. Eu sei que, para alguns de nós, falta uma presença do seu dedo lado. Mas todos nós sabemos que o movimento nos coloca no mundo para isso. O nome já está dizendo, é movimento. Não é estática, é dinâmica. A gente está aqui porque a gente quer ir para o céu. Então, aqueles que enfileiraram conosco estes cordões das equipes de Nossa Senhora no Espírito Santo, que hoje se encontram no céu, rendem conosco graças por tantos benefícios que Deus nos concedeu ao largo destes tantos anos e que virão ainda maiores, ainda melhores”, finalizou Padre André.
Os responsáveis pela região Espírito Santo pelas Equipes de Nossa Senhora, Edson Santana e Rita Santana, também participaram da Missa e destacaram o objetivo da celebração. “O movimento das equipes de Nossa Senhora se reúne numa ‘eclésia’ (assembleia), uma vez ao mês, porque nós estamos reunidos em nome de Cristo. Trabalhamos um tema de estudo, fazemos a refeição, oramos, meditamos e falamos também sobre o tema de estudo que está sendo vigente neste ano de 2026. Cada equipe é composta de cinco a sete casais, com um sacerdote, conselheiro espiritual, como ele faz a ‘In persona Christi’, ele é o próprio Cristo na ‘eclésia’, que é a nossa reunião mensal. E também temos um outro momento ao longo do mês, que é a nossa noite de oração, que essa equipe se reúne novamente para orar, meditar, textos bíblicos, textos trazidos pelo nosso movimento. Os pilares são a oração e a formação. Primeiro nós nos abastecemos da Palavra de Deus, deixamos Deus agir em nós, escutamos o que Ele quer de nós e depois colocamos essa Palavra em prática”, comentou o casal.

O movimento
São chamadas de “Equipes” porque os casais do movimento se propõem ajudar-se mutuamente a buscar a santidade. Trata-se de um movimento de espiritualidade conjugal católico, leigo e constituído por casais que buscam no sacramento do matrimônio um ideal de vivência cristã. Por conhecerem as fraquezas, dificuldades e a insuficiência de seus esforços isolados, eles se reúnem em Equipes sob a proteção de Nossa Senhora.
Em 1938, um jovem padre de Paris, Henri Caffarel, recebe a visita de uma pessoa que desejava lhe falar sobre sua vida espiritual. Alguns dias depois, ela volta, acompanhada do marido. A seguir, esse casal apresenta o Padre Caffarel a outros três casais. Repletos de amor e cristãos convictos pedem a ele que os guie em busca de viver o seu amor à luz da sua fé.
“Façamos o caminho juntos” responde-lhes o Padre Caffarel, e dessa maneira, o projeto de se reunirem para refletir em comum sobre o matrimonio estava lançado. Pouco a pouco, os olhos destes jovens casais descobrem o lugar privilegiado do casal nos desígnios de Deus. Simultaneamente, fazem experiências de vida comunitária onde se realiza a promessa de Cristo de estar presente. A vida deles progride através da abertura aos outros, na união a Deus, entre os esposos e entre os casais.
Uma equipe não pode viver isolada. O Movimento das Equipes de Nossa Senhora possui uma organização destinada a coordenar, animar, apoiar, servir e manter a sua unidade. Essa unidade é constituída e formada pelo desejo de progredir juntos na fidelidade ao espírito e aos seus métodos.
Diariamente as Equipes rezam o Magnificat nas intenções de todos os casais do mundo.































