Frei Paulo Roberto: “deixe de lado as confusões para ser caminho de reconciliação”

Compartilhe:

Paz e Bem.

Centenas de pessoas participaram da Missa vespertina na primeira segunda-feira do ano de 2022, no Campinho do Convento da Penha. Tempo nublado, muito vento e temperatura agradável, esse foi o clima na celebração das 15h, aos pés de Nossa Senhora da Penha, Padroeira do Espírito Santo. A Eucaristia foi presidida pelo Ministro Provincial da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, Frei Paulo Roberto Pereira, que está em solo capixaba para combinar a transição da guardiania da fraternidade e a reitoria do Santuário da Penha, com o novo Guardião, Frei Djalmo Fuck.

A Missa teve início às 15h e contou ainda com a presença do Frei Pedro Engel, responsável pela acolhida e Liturgia da Palavra; e do Frei Alessandro Dias. O momento marcou ainda o retorno do músico Victor Danezio, recuperado depois de um quadro pequeno de gripe comum. Muitos devotos de Nossa Senhora subiram ao Campinho, outros tantos acompanharam pelas redes sociais. Presentes ali na Penha, muitos turistas de Minas Gerais e de estados próximos. Havia o registro ainda de pessoas do Chile, da Argentina e do Paraguai.

No início da homilia, antes de começar a explicação da Liturgia, Frei Paulo Roberto acolheu os fiéis que participavam e não residiam no Estado do Espírito Santo, deu vivas e acolheu com fraterna alegria. “A gente acolhe com muita satisfação a todas as pessoas que nesses dias têm vindo aqui ao Convento. O Convento da Penha é o lugar do encontro com o Senhor que nos enche de alegria. No alto desta montanha se venera, se exercita da devoção à Nossa Senhora das Alegrias, a Virgem da Penha é a Senhora das Alegrias. Esse tempo do Natal é muito oportuno de ser celebrado aqui no Convento, porque das sete alegrias de Nossa Senhora que é uma tradição franciscana, se referem ao Natal (duas inclusive, estão representadas no painel do Campinho): anunciação do anjo, o Natal do Senhor, a adoração dos reis magos e a visita à sua prima Isabel, ou seja, quatro alegrias relacionadas ao Natal. O que enche de alegria o coração de Maria, enche também de alegria o coração de todos nós que somos filhos e filhas de Deus. Por Maria, nós recebemos a possibilidade de, com Jesus, viver a libertação, presente de Deus, então é razão de nos alegrarmos”, comentou o Ministro Provincial.

“Encontrarmo-nos com a verdadeira alegria da nossa fé! É isso que ouvimos no trecho da primeira Leitura (1 João 3,22-4,6). Permanecer, constância, perseverança, disciplina, ordinariedade… Estamos vivendo esse tempo de festas e nos propomos a muitos projetos, a gente até fala que vai ser melhor, se propõe a uma série de coisas e logo a gente desanima. Não pode, não! Seus bons propósitos devem ser cultivados no dia a dia, por isso, abrimos o nosso ouvido para escutar essa palavra, a importância de PERMANECER. Permanecer fiel a Deus, permanecer ‘galhos ligados ao tronco’, a perserverança, o cultivo da perseverança. Dia a dia, cultivemos na simplicidade, na alegria, sabendo que Deus sustenta a gente na hora das dificuldades e nossos bons propósitos vão frutificar. Que a gente saiba a importância da perseverança na fé”, enfatizou Frei Paulo Roberto.

Ao explicar o trecho do Evangelho de Mateus 4,12-17.23-25, o Ministro Provincial disse que a Galileia era uma região onde “ninguém dava nada por ela, era a região considerada desprezível, e exatamente lá surge a grande Luz”. Em seguida, Frei Paulo trouxe a narrativa evangélica para a realidade em que vivemos. “Ali, exatamente onde nada estava prestando que Deus vem nascer em nosso meio, ali, Galileia dos pagãos, ali nasceu Jesus, Luz do mundo, nossa Luz. Nós que cremos em Jesus, também devemos ser Luz, aí complementa, senão só vamos ficar batendo palma para Jesus e deixamos só ele ser Luz. Ele mostrou o caminho, assumiu a nossa carne, o nosso jeito. Se Jesus, frágil como gente, como criança, carne da nossa carne, fiel a missão do Pai, Deus encarnado na nossa história… Se na fragilidade da carne humana é luz, nós também, cada um de nós, criançada, juventude, idosos, nas famílias, cada um de nós deverá ser luz. A partir do nosso jeito de viver, de acolher, de reconciliar… Como estamos precisando disso”, explicou.

Ainda falando sobre reconciliação, Frei Paulo Roberto contou um fato que ocorreu com ele na manhã de segunda, quando fora tomar a terceira dose da vacina contra a covid-19. “Fui me vacinar, tomar a dose de reforço e vi uma situação muito triste. Um senhor que já tinha mais de 89 anos, ele estava numa agressividade muito grande com a própria esposa, xingando, só porque o apelido dele era Lula… É o tempo novo, não precisa disso… Certamente ele é Lula muito antes do ex-presidente Lula, desde pequenininho ele deve ser Lula, mas só de ouvir falar isso ele já deu um xingo com a mulher dele… É muita agressividade desnecessária, não precisamos disso, não é mais tempo disso, somos reconciliados, somos caminhos de reconciliação, luz de Deus, luz do entendimento, luz da bondade, deixa disso, deixa de lado essa confusão danada. Quem olhar para nós possa perceber que ali vai alguém ‘cheio de reconciliação’, vive iluminadamente, reconciliando os corações e apontando: o povo que vivia nas trevas viu uma grande Luz”, concluiu.

Ao final, um momento especial encheu de emoção a todos que participavam da Missa. Frei Paulo convidou as crianças e cantou “nossas crianças serão abençoadas” pedindo as bênçãos de Nossa Senhora da Penha sobre todos. Também pediu que num primeiro momento, apenas elas rezassem uma Ave Maria, por fim, antes da “troca de bênçãos”, todos cantaram a Consagração à Nossa Senhora.


Posts Relacionados

Facebook

Instagram

Últimos Posts

São Boaventura: uma voz ainda atual

Por ocasião do 750º aniversário da morte de São Boaventura , que celebraremos no dia 15 de julho de 2024, foi publicada a Carta dos Ministros Gerais

X