Paz e Bem.
Centenas de fiéis participaram, na tarde desta quarta-feira (15), da tradicional Missa da Saúde no Campinho do Convento da Penha, em Vila Velha. A celebração, presidida por Frei Robson de Castro, foi marcada por um clima de espiritualidade, ainda refletindo o espírito da Festa da Penha, encerrada na última segunda-feira. Antes da Santa Missa, os devotos se reuniram para a oração do Santo Terço, mantendo viva uma das práticas mais tradicionais da devoção mariana no Santuário.
Vindos de diferentes cidades, os fiéis lotaram o Campinho em busca de oração, cura e fortalecimento espiritual, em uma celebração que uniu fé, tradição e esperança.
Inspirado pelas leituras do tempo pascal, especialmente pelo livro dos Atos dos Apóstolos (5,17-26), Frei Robson conduziu sua reflexão destacando que a ressurreição de Jesus é o fundamento da fé cristã e da missão da Igreja. Ao recordar a ação do Espírito Santo sobre os apóstolos e a coragem deles diante das perseguições, o frei enfatizou. “A grande missão que nós temos como cristãos é sermos anunciadores de que Jesus verdadeiramente ressuscitou dentre os mortos. Tudo o mais que vem depois é como um adorno em torno desta verdade: que Jesus ressuscitou dos mortos e que um dia nós também haveremos de ressuscitar.”
A reflexão também destacou a fidelidade dos apóstolos à missão recebida, mesmo diante das dificuldades, como exemplo para os cristãos de hoje. Frei Robson fez uma conexão entre a ação direta de Deus na história da Igreja primitiva e a origem do Convento da Penha, relembrando o episódio envolvendo Frei Pedro Palácios e o quadro de Nossa Senhora.
Segundo ele, assim como Deus agiu diretamente libertando os apóstolos, também se manifestou de forma concreta na história do Convento. “Foi uma ação direta de Deus, onde Ele quis indicar o lugar onde deveria ser construída a igreja.” O episódio, marcado pelo misterioso reaparecimento do quadro no alto da montanha, deu origem ao local onde hoje está o Convento, que há mais de 450 anos acolhe peregrinos.
Frei Robson destacou que a peregrinação até o local vai muito além de um gesto simbólico ou cultural. “Nós não subimos essa montanha para assistirmos um teatro, uma peça ou um concerto. Nós subimos essa montanha para fazermos uma experiência de fé. Desde o momento que colocamos os pés lá embaixo, alguém já estava nos esperando… e não é o pessoal das vans. É Nossa Senhora que acolhe cada um”.
Segundo o frei, Maria exerce o papel de anfitriã, conduzindo os fiéis ao encontro com Cristo. “Ela nos oferece aquilo que tem de melhor: o seu próprio Filho, presente na Palavra e na Eucaristia. Ninguém desce desta montanha da mesma maneira como entrou.”
Outro ponto forte da homilia foi o chamado à humildade e à escuta de Deus por meio das pessoas simples. Frei Robson recorreu a exemplos da espiritualidade franciscana, como São Francisco de Assis, para mostrar que as respostas de Deus muitas vezes vêm por caminhos inesperados. “Procure aquela pessoa mais humilde, aquela que mais reza… Deus vai lhe responder.”
Ao refletir sobre o Evangelho de São João (3,16-21), o frei destacou o olhar de misericórdia de Jesus, que se manifesta em toda a sua vida e missão. “Ele não veio para nos trazer a condenação, mas para nos trazer a salvação. Quem vive na verdade está na luz. Quem vive na mentira permanece na escuridão. O mal nunca se mostra claramente. Ele sempre se esconde atrás de uma aparência de bem.”



















