35ª Viagem Apostólica internacional do Papa Francisco: Chipre e Grécia

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Paz e Bem!

Confira os principais destaques da 35ª Viagem Apostólica internacional do Papa Francisco em Chipre e na Grécia.

À comunidade católica, Papa pronunciou seu primeiro discurso em Chipre

A Igreja é mãe, não há espaço para muros: o primeiro discurso do Papa em Chipre

Uma Igreja paciente e fraterna, sempre de braços abertos: estes são os votos do Pontífice para a comunidade católica de Chipre, que se reuniu na Catedral maronita minutos depois da chegada de Francisco à ilha. O pronunciamento do Papa foi precedido por testemunhos de religiosos.

Reunido na catedral maronita de Nossa Senhora das Graças de Nicósia com bispos, sacerdotes, religiosos e catequistas, o Pontífice arriscou algumas palavras em grego para manifestar sua alegria e gratidão ao visitar a ilha do apóstolo Barnabé, filho daquela terra.

De modo especial, saudou as comunidades maronita e latina e, ao fazê-lo, manifestou novamente seu carinho e preocupação pelo Líbano:

“Quando penso no Líbano, sinto tanta preocupação com a crise em que o país se encontra e dou-me conta da grande tribulação dum povo cansado e provado pela violência e o sofrimento.”

Não há muros na Igreja

Já ao falar da rica composição da população local, o Papa mencionou o papel de Chipre no continente europeu: “Uma terra com os campos dourados, uma ilha acariciada pelas ondas do mar, mas sobretudo uma história que é entrelaçamento de povos e mosaico de encontros”.

Assim é também entre os católicos: “Não há – e oxalá nunca existam – muros na Igreja Católica: é uma casa comum, é o lugar das relações, é a convivência das diversidades”.

“E não esqueçam disto! Nenhum de nós foi chamado aqui para proselitismo de pregador, jamais. O proselitismo é estéril. Não dá vida. Todos nós fomos chamados pela misericórdia de Deus, que não se cansa de chamar, não se cansa de estar próximo, não se cansa de perdoar.”

Igreja de braços abertos

Mas foi inspirado em São Barnabé que Francisco dedicou grande parte do seu discurso, realçando dois aspectos de sua vida e missão.

O primeiro é paciência. Barnabé foi escolhido pela Igreja de Jerusalém como a pessoa mais idônea para visitar uma nova comunidade, a de Antioquia, formada por recém-convertidos do paganismo. Foi enviado quase como um “explorador”, encontrando pessoas de várias origens.

Em toda esta situação, o comportamento de Barnabé foi de grande paciência: “Queridos irmãos e irmãs, precisamos duma Igreja paciente: uma Igreja que não se deixa abalar e perturbar pelas mudanças, mas serenamente acolhe a novidade e discerne as situações à luz do Evangelho”.

“A Igreja não quer uniformizar, mas integrar todas as culturas, todas as psicologias das pessoas com paciência maternal, porque a Igreja é mãe.”

O Pontífice agradeceu a paciência dos membros da Igreja no acolhimento dos migrantes: “A Igreja em Chipre vive de braços abertos: acolhe, integra, acompanha. É uma mensagem importante também para a Igreja em toda a Europa, marcada pela crise da fé”.

Igreja, instrumento de fraternidade

O segundo aspecto é marcado pela amizade fraterna, como foi entre Barnabé e Paulo de Tarso. Depois da conversão de Paulo, ‘Barnabé tomou-o consigo’. “Isto chama-se fraternidade”, ressaltou Francisco.

Como irmãos, Barnabé e Paulo viajam juntos para anunciar o Evangelho, mesmo no meio das perseguições. Entre os dois houve discussões não por motivos pessoais, mas por uma divergência sobre como realizar a missão.

“Isto é a fraternidade na Igreja”, explicou o Papa. Pode-se discutir sobre as perspetivas, sensibilidades e ideias diferentes. Mas se discute não para se fazer guerra nem para se impor, mas para expressar e viver a vitalidade do Espírito.

“Queridos irmãos e irmãs, temos necessidade duma Igreja fraterna, que seja instrumento de fraternidade para o mundo.”

Que a fraternidade vivida em Chipre – este foi o augúrio do Santo Padre – possa recordar a todos, à Europa inteira que, para construir um futuro digno da humanidade, é preciso trabalhar juntos, superar as divisões, derrubar os muros e cultivar o sonho da unidade.

“Temos necessidade de nos acolhermos e integrarmos, de caminharmos juntos, de sermos todos irmãs e irmãos!”, conclui Francisco agradecendo em grego: Efcharistó [obrigado]!

Missa foi realizada no estádio de Nicósia

O abraço do Papa aos fiéis cipriotas: sejam cristãos luminosos!

Cerca de 10 mil fiéis se reuniram no estádio de Nicósia para a missa com o Santo Padre. A alegria é o sinal distintivo do cristão, recordou Francisco, que pediu fiéis que sejam não só iluminados, mas sobretudo luminosos.

Na manhã desta sexta-feira, o Papa Francisco celebrou a primeira missa desta sua 35ª Viagem Apostólica.

No estádio GSP de Nicósia, cerca de 10 mil fiéis se reuniram para participar da celebração.

Em sua homilia, o Pontífice comentou o Evangelho proposto pela liturgia do dia, que narra a cura de Jesus a dois cegos. Deste encontro, o Papa destacou três passos significativos neste caminho de Advento.

Jesus é o médico

O primeiro passo: ir ter com Jesus para ser curado. Os cegos perceberam que Ele, na escuridão da história, é a luz que ilumina as noites do coração e do mundo, derrota as trevas e vence toda a cegueira.

“Como sabemos, também nós trazemos a cegueira no coração. Também nós, como os dois cegos, somos caminhantes muitas vezes imersos nas trevas da vida.”

Mas Jesus é o médico, recordou Francisco: só Ele nos dá em abundância luz, calor, amor. Só Ele liberta o coração do mal.

Sair do individualismo

Já o segundo passo é suportar, juntos, as feridas. Nesta narração evangélica, os cegos são dois. E juntos dizem a Cristo: “tem misericórdia de nós.

“Eis o sinal eloquente da vida cristã, eis o traço distintivo do espírito eclesial: pensar, falar, agir como um «nós», saindo do individualismo e da pretensão de autossuficiência que fazem adoecer o coração.”

O pecado desvirtua a realidade: faz-nos ver Deus como patrão e os outros como problemas. Mas Francisco convidou a renovar a fraternidade: “A cura verifica-se quando carregamos juntos as feridas, quando enfrentamos juntos os problemas, quando nos ouvimos e conversamos. É a graça de viver em comunidade”.

Cristãos iluminados e luminosos

E eis o terceiro passo: anunciar o Evangelho com alegria. Jesus recomenda aos dois cegos curados que não digam nada a ninguém, mas eles não conseguem conter o entusiasmo.

“E aqui está outro sinal distintivo do cristão: a alegria do Evangelho, que é irreprimível”, afirmou Francisco, que acrescentou: “Não se trata de proselitismo, mas de testemunho; nem dum moralismo que condena, mas de misericórdia que abraça; nem de culto exterior, mas de amor vivido”.

Para o Papa,  há necessidade de cristãos iluminados, mas sobretudo luminosos, que toquem com ternura a cegueira dos irmãos: “Cristãos que plantem rebentos de Evangelho nos campos áridos da vida quotidiana, levem carícias às solidões do sofrimento e da pobreza”.

Que neste Advento, concluiu o Pontífice, possamos renovar a confiança Nele, que passa também pelas estradas de Chipre; que possamos invocar: Vem, Senhor Jesus!


Fonte: Vatican News

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