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20/04/2019

O encantamento do Terço entre as palmeiras

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Moacir Beggo

Vila Velha (ES) – Um dos símbolos mais fortes da devoção mariana, o terço não poderia ficar de fora da Festa da Penha. Neste sábado da Vigília Pascal (20/4), o rosário foi colocado pela 21ª vez entre as palmeiras do alto do Morro da Penha, no espaço chamado Campinho, sinalizando o início do grande acontecimento religioso do Espírito Santo: a Festa da Padroeira Nossa Senhora da Penha, que começa neste domingo e só terminará depois de oito dias, em 29 de abril. Liturgicamente, a festa será celebrada durante a Oitava da Páscoa, por isso os dias que antecedem a solenidade são chamados de Oitavários.

Com cerca de 20 metros de altura e pesando quase 50 kg, o terço tem as cores do manto da Padroeira: azul, rosa e branco. Os adereços de flores azuis formam as contas das ave-marias e os em rosa e branco as contas do Pai-Nosso. A medalha traz a imagem da logomarca da Festa e o crucifixo mostra o Cristo Ressuscitado, simbolizando uma das alegrias de Nossa Senhora. “Todos os materiais são reutilizados. A cruz já usei uma vez. A medalha é toda nova, atendendo a um pedido do Frei para fazer uma linguagem única. Sempre chamando a atenção de uma das alegrias de Nossa Senhora”, explica o idealizador do terço, o médico obstetra Osmar Sales.

O terço subiu às 9h30 deste sábado entre as palmeiras do Campinho. Um bom público pôde presenciar esse momento que abriu as festividades à Virgem da Penha. “A Festa começou com um símbolo que é da tradição popular. Aliás, a Festa da Penha nasce dessa preocupação missionária popular. Frei Pedro Palácios traz o quadro de Nossa Senhora para rezar os mistérios de Deus, as alegrias de Nossa Senhora, os mistérios de Jesus Cristo. Então, a Festa tem esse caráter”, explica o guardião do Convento, Frei Paulo Pereira.

“O terço nos remete à origem da Festa da Penha, com a reza da Coroa de Nossa Senhora, que é uma reza franciscana. Então, hoje o terço nos remete a isso e, mais do que nunca, a compreender a grandeza de Deus, de uma forma simples para que todo mundo possa vislumbrar”, acrescentou Frei Paulo.

Para ele, esse encantamento é necessário em meio a um mundo que está ficando meio sem graça, intolerante, imediatista e estressante. “Aí se perde o encanto de todas as coisas. Na repetição das ave-marias, a gente vai silenciando nosso coração e percebendo a vontade do Senhor. Só faz a sua vontade quem escuta, quem silencia o coração, como Maria no seu ‘sim’. O terço pode nos ajudar a fazer isso também”, explicou o guardião do Convento.

“O meu encantamento é ver as pessoas se encantarem”, revela Osmar. Ele não trabalha sozinho, como gosta de frisar. A cunhada Iris Brunelli foi responsável pela pintura do Crucifixo do terço; o marceneiro Sinésio Ferrari, que também é eletricista e ferreiro, verifica a montagem e elaboração de toda a estrutura, dando assistência do início ao fim; quatro bombeiros fazem a vistoria e ajudam na logística visando garantir a segurança dos visitantes. E não para por aí. Osmar conta com uma equipe de 15 voluntários, incluindo  a esposa Célia e os dois filhos. “Sempre tem um no grupo que acrescenta um detalhe para a harmonia, interação e complemento da obra”, explica Osmar.

Segundo o criador, nos anos anteriores produzia uma catequese com os símbolos utilizados no Terço. Agora, prefere uma comunicação direta. “O terço, por si só, já fala. É um símbolo da própria fé. Colocamos arte e alguma peça simbólica, sempre trazendo em evidência Maria”, ressaltou. O terço terá iluminação de LED em seu entorno e poderá ser visto a uma boa distância.

UM ‘PARTO’ TODO ANO

Trazer à vida bebês é uma rotina na vida do médico Osmar, mas “gerar” o terço todo o ano acaba sendo um desafio. “Todos os anos é esse estado de nervos. No final, percebo que todos estão juntos dando apoio e saio daqui aliviado, já pensando no ano que vem”, revela Osmar, que à tarde teria plantão na maternidade. Deixaria a Mãe de Deus para cuidar de outras mães, entre as quais muitas meninas de 12 e 13 anos, uma situação que cresce assustadoramente. Para ele, infelizmente, o Estado se preocupa apenas em distribuir preservativos e não investe na formação das crianças. “Hoje vivemos a ditadura do prazer, a qualquer custo, a qualquer preço”, lamenta.

Osmar começa a trabalhar no terço três meses antes. Ontem (19/4), na véspera, ele e sua equipe trabalharam até de madrugada nos últimos detalhes. O primeiro terço, segundo o médico, foi feito para a Romaria das Mulheres. Mas não deu certo e acabou colocando entre as palmeiras. A ideia nasceu por acaso, em 1997, no Rio de Janeiro, durante o 2º Encontro de Famílias com o Papa João Paulo II, quando ele viu um terço de isopor pendurado com bolas de gás. A partir disso, começou, no ano seguinte, a surgir um símbolo da Festa da Penha no Espírito Santo.

BANDA BARRA DO JUCU

A Romaria dos Conguistas será no dia da Padroeira, 29 de abril, às 9 horas. Neste sábado, contudo, a banda do Congo da Barra do Jucu, veio homenagear Nossa Senhora da Penha e seus integrantes foram acolhidos por Frei Pedro Oliveira, do Convento da Penha. Essa visita à Virgem da Penha já é uma tradição desta banda, que fica em silêncio durante a Quaresma, e volta a pegar nos instrumentos no Sábado de Aleluia.

O congo é um gênero musical brasileiro, típico das regiões litorâneas do Espírito Santo. As banda de congo são conjuntos musicais que tocam e cantam principalmente em festas religiosas, como as de São Benedito, São Pedro, São Sebastião e Nossa Senhora da Penha. Segundo livros históricos, as primeiras bandas teriam surgido no Estado por volta de 1855.

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