Paz e Bem. Nesta quarta-feira (24), Solenidade do Nascimento de São João Batista, o Campinho do Convento da Penha recebeu centenas de fiéis para a tradicional Missa da Saúde. A celebração foi presidida pelo Frei Robson de Castro Guimarães, OFM, que refletiu sobre a missão de São João Batista e a fidelidade de Deus às suas promessas ao longo da história da salvação.
Logo no início da homilia, Frei Robson recordou que a Igreja celebra, neste dia, o nascimento daquele que foi escolhido para preparar os caminhos do Senhor. Primo de Jesus e precursor do anúncio do Cristo, São João Batista teve a missão de apontar para Aquele que havia sido prometido por Deus desde os tempos do rei Davi. O frei explicou que a promessa divina anunciava a vinda de um descendente de Davi que reinaria para sempre. À primeira vista, essa promessa poderia parecer impossível, já que toda existência humana possui começo, meio e fim. No entanto, Deus aponta para uma realidade que ultrapassa os limites da vida terrena.

Segundo Frei Robson, essa promessa se realiza plenamente em Jesus Cristo, o Filho de Deus, que possui poder sobre a vida e a morte. Seu reino não está limitado a fronteiras geográficas ou estruturas humanas, mas reúne toda a humanidade em torno do amor de Deus e alcançará sua plenitude na vida eterna.
“O reino de Deus culminará plenamente na eternidade, quando Deus será tudo em todos”, destacou o celebrante, recordando as palavras do livro do Apocalipse. Nesse reino, a própria presença de Deus será a referência e inspiração para todos os que participarem da sua glória. Frei Robson ressaltou ainda que a promessa feita a Davi continua se cumprindo na história e alcançará sua plenitude na ressurreição dos mortos. Nesse contexto, destacou o papel fundamental de São João Batista como aquele que anunciou a chegada do verdadeiro Rei, Jesus Cristo.
Ao comentar a primeira leitura, retirada do livro do profeta Isaías, o frei contextualizou um dos momentos mais difíceis vividos pelo povo de Israel diante da ameaça do rei da Assíria. Ele lembrou a atitude de confiança do rei Ezequias, que apresentou diante de Deus a carta recebida do inimigo, colocando nas mãos do Senhor toda a sua aflição.
Para Frei Robson, essa passagem traz uma importante lição para os cristãos de hoje. Assim como Ezequias, cada pessoa enfrenta desafios, sofrimentos e situações que parecem fugir do controle humano. Nesses momentos, a confiança em Deus deve prevalecer sobre o medo e a desesperança.
O celebrante destacou especialmente as dificuldades relacionadas à saúde, às finanças, aos conflitos familiares e às crises de fé. Segundo ele, a tentação muitas vezes é abandonar Deus diante do sofrimento, mas o exemplo bíblico mostra justamente o contrário: é preciso apresentar as dificuldades ao Senhor e confiar em sua providência.

“Deus é quem toma conta da nossa vida. A decisão de confiar nele é algo que ninguém pode fazer por nós”, afirmou Frei Robson, reforçando que a fé se fortalece quando é vivida mesmo em meio às adversidades. prosseguindo sua reflexão, o frei abordou a missão confiada por Deus ao povo de Israel. Situado em uma região estratégica, entre grandes civilizações, Israel foi chamado a ser sinal da presença divina para todos os povos da terra, tornando-se luz para as nações.
Ao citar as palavras do profeta Isaías “Eu te farei luz das nações para que a minha salvação chegue até os confins da terra”, Frei Robson explicou que Deus desejava que seu povo fosse como um farol capaz de conduzir toda a humanidade ao conhecimento do Deus único, misericordioso e salvador.
Embora o povo nem sempre tenha compreendido plenamente essa missão universal, Deus continuou realizando seu plano de salvação através de pessoas escolhidas para testemunhar sua presença. Nesse sentido, São João Batista tornou-se um grande exemplo de luz e testemunho para sua geração.
Encerrando a homilia, Frei Robson convidou os fiéis a assumirem também essa missão em suas famílias, comunidades e ambientes de convivência. Assim como João Batista preparou os caminhos para Cristo, cada cristão é chamado a ser sinal da presença de Deus no mundo, vivendo a fidelidade, a oração, a caridade e o testemunho da fé. “Nós também temos que ser essa luz, esse farol, como testemunhas do Deus único na nossa vida”, concluiu.



















