Na Festa de São Francisco, frades fazem renovação de votos: continuadores da construção da Casa de Deus

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Paz e Bem.

Ao longo do dia, no Santuário do Divino Espírito Santo, no Centro de Vila Velha, dezenas de animais foram abençoados pelos freis, no Dia de São Francisco de Assis. Pela manhã, Frei Clarêncio Neotti conduziu, de hora em hora, os momentos de bênçãos. Primeiro, ele invocou a presença da Santíssima Trindade, depois, falou brevemente sobre a importância de São Francisco de Assis, convidou a todos a rezarem o Pai Nosso e antes da bênção e aspersão com água benta, rezou a oração da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2005 (abaixo) e na sequência abençoou os animaizinhos.

Ó Senhor, Deus da vida,
que cuidas de toda criação, dá-nos a paz!
Que a nossa segurança não venha das armas,
mas do respeito.
Que a nossa força não seja a violência,
mas o amor.
Que a nossa riqueza não seja o dinheiro,
mas a partilha.
Que o nosso caminho não seja a ambição,
mas a justiça.
Que a nossa vitória não seja a vingança,
mas o perdão.
Desarmados e confiantes, queremos defender
a dignidade de toda criação, partilhando,
hoje e sempre, o pão da solidariedade e da paz.
Por Jesus Cristo teu Filho divino, nosso irmão,
que, feito vítima da nossa violência,
ainda do alto da cruz, deu a todos o teu perdão.
Amém!

A noite, foi celebrada a Missa Solene em louvor a São Francisco de Assis e pelo 1º dia do Tríduo de Nossa Senhora do Rosário. As Fraternidades do Convento da Penha, da Paróquia Santa Clara de Assis de Colatina, a anfitriã do Santuário do Divino Espírito Santo e a Ordem Franciscana Secular (OFS), participaram da Celebração da Eucaristia que foi presidida pelo Frei Fidêncio Vanboemmel, Definidor da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil. Também estiveram presentes o Padre Osmar Braido, da Paróquia Nossa Senhora das Graças e o diácono Cláudio Campelo.

O 1º dia do Tríduo em preparação a festa de Nossa Senhora do Rosário, Padroeira da Paróquia e da Cidade de Vila Velha, teve como tema: “Maria, modelo de confiança e abandono nas mãos de Deus”. Logo no início da celebração, a Imagem da Padroeira fora levada no andor por membros da Pastoral da Acolhida e em seguida foi feita uma reflexão, enquanto um adolescente entrou representando São Francisco, seguido de vários outros “francisquinhos” e “clarinhas”.

“Francisco, tinha especial amor e veneração pela Santíssima Virgem Maria. Em seus escritos, fala de Maria, de forma poética e com amor filial! Para ele, a encarnação do Verbo era motivo, para entoar os louvores e exaltar os atributos de Maria! Em suas frequentes quaresmas, rendia louvor e ação de graças a Deus, por nos ter dado Jesus Cristo por meio de uma mulher! Foi através da Virgem Maria que Cristo se fez nosso irmão! Francisco associava Maria, ao Mistério da pobreza de seu Filho e a via como modelo ideal de vida cristã! Ela é vista, amada e ornada por Francisco, como a pobre Senhora! Após ouvir o chamado de Cristo para reconstruir a sua Igreja, que estava em ruinas, Francisco com muito trabalho e dedicação, reformou duas igrejas nos arredores de Assis! Chegou depois, a um lugar chamado Porciúncula, onde havia uma velha igrejinha, abandonada; dedicada a Santíssima Virgem! Ao ver a igreja tão descuidada Francisco passou a morar nela, a fim de restaura-la e até o fim da sua vida, amava este lugar, mais que qualquer outro, no mundo! Olhando o exemplo da Virgem Maria, Francisco também confiou… e abandonou-se à vontade de Deus! Humildemente; progrediu, na virtude da fé e da caridade!”, lembrou a voluntária Zilma Rita Sousa.

Ao final do momento devocional, Frei Vanderlei Neves conduziu a oração à Padroeira. Algumas crianças jogaram pétalas de rosas para Nossa Senhora do Rosário.

Na homilia da Missa, Frei Fidêncio contextualizou que a partir de 2023, a família franciscana celebra uma série de jubileus, a começar pelos 800 anos da aprovação da regra e 800 anos da criação do Natal em Greccio. Os grandes centenários vão até o ano de 2026, quando será celebrada a Páscoa de São Francisco de Assis. “Todos esses centenários não são fatos pontuais, celebrações ocasionais, coisas que aconteceram em um determinado momento da vida de São Francisco. Os cinco centenários nos mostram um resultado de um homem de Deus que se colocou na inteira escuta do Evangelho, na inteira escuta da Palavra de Deus, um homem que foi conformando a sua vida com a vida de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso, ao celebrarmos os 800 anos da nossa Regra Bulada, recordamos que ela começa dizendo que a vida dos frades menores é esta: observar o Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, vivendo em pobreza, sem nada de próprio e em castidade; e depois ele termina esta mesma regra, ‘para que possamos cumprir fielmente o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo que prometemos ao Senhor observar’. Esta Regra de vida, que se abre com as palavras do Evangelho, uma Regra de Vida, que depois conclui com a palavra Evangelho, ou seja, um projeto evangélico elaborado por Francisco e sua Fraternidade, inspirado sempre na própria Palavra de Deus. Então nós, frades menores, hoje nesta Celebração Eucarística, queremos diante de vocês, povo de Deus, para vocês e para Deus, queremos renovar o nosso compromisso e fidelidade a esta Regra que tem 800 anos de história e nós carregamos sobre os nossos ombros, hoje, o peso desta história, a grandeza dessa história, a riqueza da nossa história. E se olharmos para o retrovisor da nossa Regra, quantos Santos e quantas santas nasceram, viveram também por essas mesmas palavras do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, Que nós queremos fraternalmente renovar esta nossa fidelidade ao Senhor, ao Santo Evangelho, sendo fiéis também ao nosso Fundador, nosso Seráfico Pai São Francisco”, afirmou.

Frei Fidêncio fez uma referência ao primeiro biógrafo de São Francisco, Frei Tomás de Celano, quando escreveu que Francisco recebeu de Deus a missão de edificar uma ‘Casa’. “O primeiro biógrafo de São Francisco, Frei Tomás de Celano, assim que São Francisco foi canonizado em 1228, ele recebeu o encargo do então Papa Gregório para apresentar esse Santo, recém-canonizado, ao mundo. Frei Tomás então narra o que nós chamamos de ‘a primeira vida’, porque depois ele escreveu uma segunda, uma terceira vida de São Francisco, me chamou atenção quando nós lemos a primeira vida. A primeira obra do bem-aventurado Francisco, diz Celano, foi a edificação de uma ‘Casa para Deus’. Bonita esta expressão! Edificar uma ‘Casa para Deus’, corresponde exatamente ao desafio desse Crucificado que nós temos diante dos nossos olhos. Esse Crucificado que falou a Francisco: ‘vai Francisco e restaura a minha Igreja, restaura a minha casa’. Foi difícil Francisco entender, no primeiro momento, o que significou isso. Não era apenas a restauração de igrejas abandonadas ou quase que esquecidas. Restaurar a igreja, construir uma igreja para Deus, nos continua dizendo Frei Tomás de Celano, que enquanto restaurava aquela Igrejinha de São Damião, o próprio biógrafo diz uma coisa ainda mais preciosa: “Ninguém pode pôr outro fundamento senão o que foi posto, Jesus Cristo. Francisco, ao restaurar a Igreja, passa a por o fundamento da sua vida em Cristo, a pedra angular, a Igreja de Deus. Sobre esse fundamento, Jesus Cristo que nada mais é do que a Palavra revelada, a Palavra anunciada, a Palavra professada, que ele passa a elaborar para si e para a fraternidade um projeto de vida, que não foi escrito de uma hora para outra, um projeto de vida que foi dialogado – nós estamos vivendo em tempo de se sinodalidade… Francisco e primeiros companheiros foram irmãos sinodais, que sentavam juntos, conversavam juntos, dialogavam juntos, colocavam em comum os problemas e juntos buscavam uma solução, um modo de conduzir sua vida, sempre inspirado a partir de Deus, a partir do Evangelho”, explicou o frade.

Por fim, concluindo sua homilia, Frei Fidêncio, enfatizou que os frades são continuadores da construção da Igreja, da ‘Casa de Deus’. “Se estamos aqui, estamos continuando essa construção que tem como alicerce Nosso Senhor Jesus Cristo e depois vem Francisco, depois vem Clara. Nós somos continuadores e pedras vivas desta construção. Queremos agradecer a Deus por tantos irmãos e irmãs que construíram esta história franciscana, a partir de um projeto de vida inspirado no Evangelho. Nós hoje, ao renovarmos nossos votos, nossa profissão, queremos renovar nossa pertença a Nosso Senhor Jesus Cristo com muita paixão no coração, e se um dia não formos frades apaixonados por Cristo e pelo Evangelho, por favor, puxem a nossa orelha e nos ajudem a sermos fiéis a esta Profissão, a esta Regra e este Evangelho. Ao renovarmos hoje, queremos sim renovar com paixão no coração, com grande amor no coração, para assim, abraçarmos o futuro com esperança e acreditarmos que esta história de Francisco não pode parar, ela deve continuar. Por isso, neste dia queremos renovar e ressignificar nossa pertença a Jesus Cristo, ao Evangelho, à Igreja e ao povo de Deus. Queremos ressignificar nossa pertença a este mundo criado, queremos ressignificar e sobretudo tomar consciência que somos pedras preciosas, como diz Tomás de Celano, que estão continuando a edificar a Igreja do Senhor, como Francisco foi, no seu tempo, uma pedra preciosíssima. Queremos dizer, perante a todos vocês e a Deus, é sim o livro da vida, como ouvimos no dia da nossa primeira profissão, é a esperança da nossa salvação, é a chave do paraíso, é o pacto da eterna aliança”, concluiu o Definidor. Na sequência, convidou os frades presentes, com velas nas mãos, para renovarem os seus votos e sua profissão diante da comunidade paroquial.

A celebração foi encerrada com uma “troca de bênçãos”. Frei Fidêncio convidou os fiéis a estenderem as mãos sobre os freis e os freis em direção aos fiéis, para que nessa “troca de bênçãos” todos recebessem a bênção de Deus.


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