Frei Pedro: “Fazem até marcha para Jesus, mas de que Jesus estão falando?”

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“Te amarei, Senhor! Te amarei, Senhor! Eu só encontro a paz e alegria bem perto de Ti”, com esse sentimento expresso no canto de abertura, teve início a Santa Missa das 9h, na Capela do Convento, no último domingo (23/06), o 12º do Tempo Comum. A Celebração contou com a participação de muitos romeiros e turistas, especialmente caravanas de MG e RJ, foi presidida pelo Frei Pedro de Oliveira Rodrigues.

Ao iniciar, Frei Pedro pediu que todos desejassem mutuamente paz e bem, em seguida, trouxe presente a recordação de sempre buscar a Deus. “Muitas vezes só buscamos a Deus, quando uma necessidade importante para mim, me acomete. Deus deve ser procurado em todos os momentos, devemos sempre estar interagindo com Ele, porque Ele está sempre interagindo conosco. Nos encontramos hoje para celebrarmos o grande mistério da nossa redenção, a Santa Eucaristia”, e apresentou a intenção pelos mais de 13 milhões desempregados, pelas vítimas da violência, pelos enfermos e pelos colaboradores da Associação dos Amigos do Convento da Penha.

Na homilia, o Frei começou explicando que o Evangelho de São Lucas narra “Jesus procurando fazer um pesquisa entre o grupo que o acompanhava, situando este encontro num lugar deserto, retirado, portanto, só estava Jesus e aqueles que com Ele conviviam. Jesus tentar saber deles a cerca do que as pessoas diziam que Ele era. Primeiro um parecer geral. ‘Que diz o povo que eu sou?!’ Depois no segundo momento ‘quem sou eu para vocês?!’. Só podemos falar de quem conhecemos, de quem conhecemos profundamente. É interessante que hoje as rádios falam de Jesus, programas de televisão falam de Jesus, tem até marcha para Jesus… Mas de que Jesus eles estão falando? Do Jesus do Evangelho ou de outro Jesus? Por isso que Lucas fala de que Jesus devemos falar, portanto, buscar responder a pergunta que Jesus nos faz, exige silêncio e oração.”

O Frei esclareceu ainda a importância da valorização da oração e não a exposição de um Jesus de “programa de auditório, de barulho, de línguas que ninguém entende, pois a linguagem de Jesus é a linguagem do amor, se não falarmos a linguagem de Jesus – que é o amor – não falaremos a linguagem da tolerância, da generosidade, da solidariedade, do perdão… Se não falarmos essa linguagem, de qual estaremos falando?”, questionou o Frei.

Frei Pedro falou também que é preciso ter cuidado para não pregar um “Jesus milagreiro, curandeiro, glorioso. Antes de falar de Jesus, é preciso lembrar que Jesus passou pela cruz, pelo calvário… ”

“Outro detalhe do Evangelho de Lucas: ‘Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga’. ‘Se’, Jesus não impõe, é uma condicional antes, ninguém é obrigado nem forçado, cada um é livre para segui-lo ou não, porque cruz significa renúncia, sacrifício, morrer para egoísmo, para a arrogância, para a prepotência… Essa é a mensagem que o Evangelho deixa para todos nós hoje…”, explicou Frei Pedro.

Por fim, o frei explicou a passagem contida na Segunda Leitura, São Paulo aos Gálatas 3,26-29. “Pela fé em Jesus, diz Paulo, não vale mais ser judeu, nem escravo, nem grego, nem livre, nem homem, nem mulher… Pois todos nós somos um só em Jesus. Quando é que isso será real para nós, quando faremos disso uma realidade? No momento em que vivemos, a negação de tantos direitos conquistados, quantos direitos trabalhistas estão sendo negados, direitos conquistados a duras penas. No momento que nos assalta os fantasmas do desrespeito aos direitos de muitas categorias e trabalhadores, que a Palavra, como nos diz São Paulo, não nos deixe novamente manchar pelas injustiças… Direito fundamental do ser humano, independente de raça e de cor, de nível, todos, todos, TODOS, são um só em Jesus Cristo. Quando nós cristãos, batizados, seguidores de Jesus, conseguiremos conviver com o diferente, quando?”

“Fazem até marcha para Jesus, mas de que Jesus estão falando?”

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