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Frei Paulo: Perguntar ‘e daí?’ é desprezo pelo sofrimento alheio, é falta de empatia

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Paz e Bem!

Alimentar a esperança, servindo ao povo de Deus e oferecendo a prece e a gratidão, esse tem sido um jeito já habitual de participar das Celebrações Eucarísticas no Convento da Penha. Diariamente, a fraternidade franciscana da Penha oferece a possibilidade de vivenciarmos os mistérios de Cristo através do sacramento da Eucaristia.

Os Freis se encontraram reunidos na Capela do Convento para a Missa das 15h, que foi presidida pelo Frei Paulo Roberto Pereira. O Guardião do Santuário de Nossa Senhora da Penha, destacou o trabalho como dom, uma vez que a sociedade por muito tempo entendia como uma tarefa apenas dos pobres, até como uma punição. Ele enfatizou a valorização dos trabalhadores que, de fato, fazem a economia evoluir.

Neste dia 1º de maio, feriado do Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, recordamos também a Festa em honra à São José Operário, o Pai de Jesus e Patrono Universal da Santa Igreja. São José, o Esposo de Maria, o “Justo José”, aquele que foi chamado por Deus a ser o guardião da Sagrada Família. “Essa Festa de São José Operário, Dia do Trabalhador, é uma festa tardia porque nem sempre o trabalho foi entendido como coisa boa não, aliás, é uma ideia recente que devemos nos apropriar dela como dom, a ideia do trabalho como dom. O trabalho era tarefa imputada aos desprezados, os ricos, os soberbos então, viviam o ócio. Aos mais pobres era dado até como ‘punição’ o trabalho… Até nos nossos dias, não faz muito tempo, havia escola profissionalizante para os filhos dos pobres, a eles cabia arrumar trabalho, e aos ricos? Letras, artes, música, língua, viagens…”, explicou Frei Paulo no início da homilia.

“É preciso que no Dia do Trabalho a gente exalte o dom de trabalhar. Por isso, a Igreja em 1955, pelo Papa Pio XII, se associou aos movimentos operários do mundo inteiro que lutavam pela dignidade do trabalho, é um comprometimento na história da Igreja que revela a importância disso, de estar ao lado dos trabalhadores e das trabalhadoras. É importante que o trabalho seja considerado como dignidade, trabalho que une a todos”, disse o Guardião, que completou dizendo a importância também do descanso, assim como Deus trabalhou e descansou no último dia. “Ninguém é obrigado a trabalhar sem descanso, sem décimo terceiro, sem férias, sem aposentadoria, não pode! Isso é indignidade! Deus trabalhou, Deus criou, Deus descansou. O ser humano é convidado a trabalhar, a criar e a descansar também”, finalizou.

Frei Paulo refletiu ainda sobre o tempo que estamos vivendo. Discussões que a população deve voltar ao trabalho mesmo diante da pandemia. “Às vezes ouvimos, até com agressividade, opiniões que todos devem voltar a trabalhar… ‘Tem de voltar a trabalhar porque a economia não pode parar’ e existe uma ideia que a economia é sustentada pelo capital, pelo dinheiro. Mas os bancos continuam funcionando, as bolsas de valores continuam operando, as grandes corporações também continuam funcionando, o que está paralisando a economia? O que sustenta a economia não é o capital, o que faz a economia produzir é o trabalhador! Isso nos faz resgatar a dignidade do trabalho, o valor do trabalho, a importância do trabalhador. É importante rezar por eles e agradecê-los… Vamos valorizar mais o trabalhador! Vamos nos organizar nos sindicatos para garantir nossos direitos, é importante que se resgate isso.”

Assista a homilia completa abaixo

Finalizando a homilia, Frei Paulo citou algumas palavras do Papa sobre a escravidão: ”

Na história lemos as brutalidades que faziam com os escravos: levavam-no da África para a América – penso naquela história que diz respeito à minha terra – e nós dizemos “quanta barbárie”… Mas também hoje há muitos escravos, muitos homens e mulheres que não são livres para trabalhar: são obrigados a trabalhar, para sobreviver, nada mais. São escravos: os trabalhos forçados… são trabalhos forçados, injustos, mal pagos e que levam o homem a viver com a dignidade espezinhada. São muitos, muitos no mundo. Alguns meses atrás lemos nos jornais, naquele país da Ásia, como um senhor tinha matado a pauladas um funcionário seu que ganhava menos de meio dólar por dia, por uma coisa que tinha saído mal feita por este. A escravidão de hoje é a nossa “indignidade”, porque tolhe a dignidade ao homem, à mulher, a todos nós. “Não, eu trabalho, tenho minha dignidade”: sim, mas seus irmãos, não. “Sim, padre, é verdade, mas isto, como está tão distante, tenho dificuldade de entender. Mas aqui onde estamos…”: também aqui, entre nós. Aqui, entre nós. Pense nos trabalhadores, os diaristas, que você faz trabalhar por uma retribuição mínima e não oito, mas doze, quatorze horas por dia: isso acontece hoje, aqui. No mundo inteiro, mas também aqui. Pense na doméstica que não tem justa retribuição, que não tem assistência social de segurança, que não tem capacidade de aposentadoria: isso não acontece somente na Ásia. Aqui.

Toda injustiça que se faz a uma pessoa que trabalha é espezinhar a dignidade humana, inclusive a dignidade de quem faz a injustiça: abaixa-se o nível e se acaba naquela tensão de ditador-escravo. Ao invés, a vocação que Deus nos dá é muito bonita: criar, re-criar. Trabalhar. Mas isso pode ser feito quando as condições são justas e se respeita a dignidade da pessoa.

Hoje nos unimos a muitos homens e mulheres, crentes e não-crentes, que comemoram hoje o dia do Trabalhador.

Frei Paulo Roberto encerrou a reflexão dizendo que o “Papa nos convida a solidariedade, nos convida a olhar a realidade em que vivemos e a construir caminhos de superação das dificuldades que encontramos. Por isso, quando diante de nós surge as absurdas desigualdades salariais entre mulheres e homens que desenvolvem a mesma atividade, não podemos simplesmente desdenhar dizendo, ‘e daí?’. Quando são flagrados grupos de trabalhadores em situações análogas à escravidão, nossa indiferença pergunta assim, ‘e daí?’. Quando são subtraídos direitos e achatados os salários de tantos, nossa falta de solidariedade não pode permitir que surja a irresponsabilidade na pergunta ‘e daí?. Quando tantos irmãos nossos são forçados ao subemprego, a inconstância de uma atividade eventual, nossa falta de solidariedade não pode ser justificada pelo desprezível, ‘e daí?’. Nessas situações e noutras situações semelhantes, perguntar ‘e daí?’ é indicação clara do desprezo pelo sofrimento alheio, é sinal evidente da falta de empatia, da morte da solidariedade. Perguntar ‘e daí?’ é dureza de coração, é desumanidade, é negação da referência elementar da vida cristã que é a caridade. Caridade é o nosso trabalho”, concluiu

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