Paz e Bem.
A Missa de Abertura do Encontro Nacional da Ordo Virginum 2026 reuniu, na última quinta-feira (1º), centenas de fiéis no Campinho do Convento da Penha, em Vila Velha. A celebração, marcada pela memória litúrgica de São José Operário, foi presidida pelo Arcebispo Metropolitano de Vitória, Dom Ângelo Ademir Mezzari, RCJ e contou com a presença de Virgens Consagradas vindas de diversas dioceses do Brasil.
Também concelebraram a Eucaristia, o Guardião do Convento Frei Gabriel Dellandrea, o Bispo Emérito do Ordinariado Militar do Brasil, Dom Fernando José Monteiro Guimarães, assessor do encontro, além de outros sacerdotes que acompanham a missão da Ordo em suas realidades.
Dom Ângelo destacou o significado do encontro realizado no Convento da Penha, confiando à intercessão da Virgem Maria os frutos desta edição. Segundo ele, a Ordo Virginum representa uma das formas mais antigas de vida consagrada na Igreja, que hoje experimenta um novo florescimento, um novo momento. “Essa é uma vocação que ressurge na igreja, desde o Conselho Vaticano II, mas é bom lembrar que foi a primeira forma de vida consagrada na história da igreja. Nós temos que lembrar sempre duas grandes santas, Santa Ágata e Santa Luzia. São das primeiras mulheres que se consagraram nas mãos do bispo, naquela igreja, e viveram, e se tornaram mártires, também, por causa da conservação da sua virgindade, por causa de Jesus Cristo e do Evangelho”, lembrou.
Ele também ressaltou a particularidade da Ordem das Virgens, cujas integrantes vivem no mundo, exercem suas profissões e permanecem inseridas na vida da Igreja local, servindo na evangelização. “A ordem das virgens é única, porque ela pertence à igreja particular. Ali ela professa nas mãos do bispo seus conselhos evangélicos, e a sua virgindade entrega-se totalmente ao Senhor. E serve, vive na sua família, vive na sua casa, tem o seu trabalho profissional, e serve à igreja, como consagrada, também no trabalho da evangelização”, explicou.
Com o tema “Diretrizes para a Ordo Virginum no Brasil: Vida e Missão”, o encontro nacional teve o objetivo de fortalecer a comunhão entre as consagradas, além de incentivar a formação e o aprofundamento da vocação.
Durante a homilia, Dom Ângelo sublinhou que o encontro também tem um caráter vocacional, abrindo caminhos para que outras mulheres conheçam essa forma de vida. “É um apelo que fazemos. Há todo um processo de formação, de acompanhamento, para que, com as demais formas de vida consagrada, depois, aquilo que é o povo de Deus, a vocação matrimonial, os serviços e ministérios na igreja, na comunidade, os ministérios ordenados, enfim, o mesmo povo de Deus, todos a partir do batismo, no caminho da santidade, construindo o reino de Deus, ajudando a evangelizar”, destacou.
Celebrada no Dia de São José Operário, a Missa também trouxe uma reflexão sobre o valor do trabalho. O Arcebispo chamou atenção para os desafios sociais atuais, como o desemprego e a fragilização dos direitos trabalhistas. Ele destacou três dimensões fundamentais do trabalho: a dignidade humana, a participação na obra criadora de Deus e o sustento da vida. “Trabalhar é expressão da dignidade. É por meio do trabalho que vivemos, sustentamos nossas famílias e contribuímos para a construção da sociedade e da Igreja. Exercer um trabalho e trabalhar é ser dignos, vivemos uma onda contrária, a indignidade pela falta, às vezes, do trabalho, falta do salário justo, falta dos direitos sociais, basta pensar no problema da aposentadoria, na questão da saúde, a sociedade vive uma realidade muito profunda, de crise em relação a isso, então, lembrar São José Operário, antes de tudo, é lembrar a nossa dignidade, nós falávamos da Ordem das Virgens, elas são mulheres que trabalham, têm a sua profissão, se sustentam com o seu trabalho, assim como outros e cada um de nós, então, antes de tudo, a nossa dignidade”, afirmou.
Ao concluir a celebração, o Arcebispo confiou o encontro à proteção de Nossa Senhora da Penha, especialmente neste início do mês de maio, tradicionalmente dedicado à Virgem Maria. “Vamos pedir hoje essa graça Nossa Senhora da Penha, para que a ordem como tal, isso é, essa realidade, possa crescer, possa florescer, e o trabalho das suas mãos, como esses dias, possa dar muitos frutos, e que muitas outras jovens, mulheres, adultas, talvez identificando-se com esse modo de vida, essa forma de consagração, possam também buscar o seu caminho vocacional, o seu caminho formativo, esse encontro quer fortalecer justamente essa unidade, essa comunhão entre todas as igrejas e dioceses, para que façamos um caminho juntos, e possamos oferecer todas as condições para o discernimento, o acompanhamento, a formação e a vivência dessa vocação”, desejou.
































