Frei David, que há 40 anos luta contra o racismo no Brasil, recebe homenagem no “Caldeirão do Huck”

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Paz e Bem!

O programa “Caldeirão do Huck” da TV Globo, exibiu na edição deste sábado (16/01), uma reportagem especial contando a história do Frei David Raimundo dos Santos, de 68 anos. O frade da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, foi criado em Vila Velha-ES e recebeu uma belíssima homenagem no programa, por sua obra e seu testemunho.

Fundador da Educafro, ONG que já garantiu o acesso de mais de 60 mil negros no ensino superior, ele contou sua história e foi às lágrimas com a homenagem preparada pelo Caldeirão. O Convento da Penha faz parte da história dele, sendo um dos cenários utilizados na produção da matéria.

Inconformado com a Ditadura e desigualdade, o religioso decidiu que atuaria para melhorar o mundo, e ingressou no seminário. Ao sofrer racismo, assumiu sua negritude e decidiu que lutaria pelo povo negro.

“O primeiro fator que mexeu muito comigo foi ser jovem na Ditadura Militar, e vendo todas as consequências negativas para quem queria um Brasil igualitário. Fiz uma primeira opção: ‘Quero ser diplomata, porque quero ajudar o Brasil a ser melhor pelo caminho pacífico’.”

“Lá no Instituto Rio Branco, vi que ele foi pensado para rico. Então, eu voltei a me recolher e me refugiava no convento Nossa Senhora da Penha, em Vila Velha. Ali, concluí que minha diplomacia deveria acontecer pelo caminho do reino de Deus. É impossível um mundo melhor sem combater as desigualdades sociais”, contou frei David.

Franciscano, que há quatro décadas dedica sua vocação para denunciar e combater o racismo no Brasil, ele foi o responsável por muitas reparações históricas com sua luta.

“Me considero uma pessoa inquieta, descobri a partir do próprio sofrimento que devemos investir na consciência do povo negro, em criar oportunidades. Há mais de 40 anos, lutamos pela inclusão do negro nas oportunidades que todo branco tem.”

“No seminário, comecei uma experiência. Éramos 37 seminaristas e só oito afrodescendentes. Percebi que os oito estavam em autonegação. Por que eu negava minha negritude? Então houve um momento de discriminação muito forte comigo e decidi arrumar minha mala e ir embora. Um formador trabalhou comigo o seguinte: você sofre de uma doença, que se chama ideologia do embranquecimento. Você tem vergonha do seu cabelo, da sua cor, tudo o que é ligado ao seu povo negro.”

“Ali nasceu uma determinação: eu só aceito continuar a ser frade franciscano se for para dedicar minha vida a serviço da libertação do nosso povo negro no Brasil.”

Em um encontro com 100 jovens negros, ele descobriu que só dois pensavam em ir para a universidade. A partir daí, fundou o primeiro cursinho pré-vestibular comunitário do Brasil. Em um ano, eram mais de dois mil pelo país. A Educafro, em mais de 30 anos esteve à frente da lei das cotas nas universidades, do Prouni e mais recentemente do fundo eleitoral.

“Fizemos nascer o pré-vestibular para negros carentes. Então esse movimento nasceu e contagiou o Brasil inteiro com mais de dois mil pré-vestibulares comunitários. A Educafro tem como objetivo criar uma rede de pré-vestibulares para jovens negros poderem fazer faculdade, para eles também serem formados na sua cidadania, e organizar grandes eventos para esses jovens irem para Brasília lutar por seus direitos. Aí que surgiu as cotas para negros e jovens da rede pública nas universidades brasileiras.”

“A humanidade é linda demais. Não percamos oportunidade de construir um mundo melhor, porque vale a pena. Todo mundo ganha. Pobres e ricos são mais felizes em um mundo melhor!”.

Reportagem e texto: Gshow. Reprodução: Caldeirão do Huck / TV Globo

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