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26/02/2020

CINZAS SAGRADAS: Origem e significado

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Com a Quarta-feira de Cinzas inicia a Quaresma, período de quarenta dias que precede a Páscoa, durante os quais somos convidados à conversão. Assim como na Sexta-feira Santa, é um dos principais dias da Quaresma a ser dedicado ao jejum e abstinência de carnes.
Paz e Bem!

Depois que João foi preso, Jesus veio à Galileia, pregando o Evangelho de Deus. Dizia: “Completou-se o tempo, e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1, 1-15)

Do trecho do Evangelho de Marcos foi extraída a fórmula que acompanha a imposição das Cinzas Sagradas, permitidas para toda as celebrações do dia. Com este simples gesto no início deste período litúrgico, evidencia-se, além do aspecto penitencial, também o tempo da conversão, da oração assídua e do regresso ao Pai Celeste.

Origem da celebração

Segundo a antiga praxe, o sacramento da penitência era público e constituía de fato o rito que dava início ao caminho de penitência dos fiéis que seriam absolvidos na celebração da manhã da Quinta-feira Santa. Mais tarde o gesto da imposição das Cinzas – obtidas queimando os ramos de oliveiras benzidas no Domingo de Ramos do ano anterior – estendeu-se a todos os fiéis e foi colocado dentro da celebração da Missa, no final da homilia. Também a fórmula que acompanha, com o tempo foi mudada: no início era “recorda-te que és pó e em pó te hás de tornar!” extraído do Gênesis. Além disso, ainda hoje o rito Ambrosiano é diverso do Romano porque não consta a imposição das Cinzas e a Quaresma inicia no domingo seguinte.

As cinzas representam um sinal público de nossa intenção em morrer para os desejos da carne e viver em Cristo (e por Cristo). Ela também é a representação do luto, neste caso, pelo nosso pecado.

O significado bíblico das Cinzas

As cinzas sagradas que são colocadas na fronte estão presentes no texto bíblico várias vezes e assumem um significado duplo. No Antigo Testamento, eram usadas como símbolo de arrependimento. Antes de tudo indica a frágil condição do homem diante do Senhor, como evidencia Abraão que fala a Deus na Gênesis: “Abraão prosseguiu e disse: ‘Sou bem atrevido em falar a meu Senhor, eu que sou pó e cinza’” (Gên 18, 27). Jó também sublinha o profundo limite da própria existência: “Arremessam-me ao lodo e eu me confundo com a poeira e a cinza” (Jó 30, 19). Assim como outros exemplos do Livro da Sabedoria e do Eclesiástico: “De repente nascemos, e logo passaremos, como quem não existiu. Fumaça é a respiração em nossas narinas e o pensamento, uma centelha ao pulsar do coração: quando ela se apaga, nosso corpo se tornará cinza e o espírito se dispersará como o ar inconsistente. (Sab 2, 2-3); “Por que se ensoberbece quem é terra e cinza, aquele que ainda em vida expele as próprias entranhas? (Eclo 10,9). Também, as cinzas são um sinal concreto de quem se arrependeu e com o coração renovado retoma o próprio caminho para o Senhor, como se lê no Livro de Jonas no qual o rei de Nínive, ao receber a notícia da conversão do seu povo, senta-se sobre as cinzas, e no de Judith no qual os habitantes de Jerusalém que querem rezar a Deus para que os liberte, espalham em suas frontes as cinzas sagradas.

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