Paz e Bem!
Em mais uma quarta-feira, como de costume, dezenas de fiéis subiram ao Campinho do Convento para participar da tradicional Missa da Saúde, na tarde de hoje (21/08), aos pés do Santuário da Senhora das Alegrias, o local do encontro, da fraternidade, da partilha, da graça e do perdão. O encontro semanal já faz parte da agenda de prioridades de muitos, já que estar na casa da Mãe é celebrar uma fé curativa, animadora, vigorosa e sem dúvida uma fé reunidora.
Frei Paulo Roberto Pereira, Guardião do Convento, define a “Celebração da Saúde” com os doentes, idosos e pessoas com baixa mobilidade, como a celebração que une, reúne, congrega, por isso “convento”, ou seja, uma “convenção” de gente disposta a encontrar-se com o Senhor e com sua misericórdia. Ele também alerta que a doença, quando vivida isoladamente ou solitariamente, machuca, mata… Mas quando estamos juntos, celebrando um encontro, participamos da mesma família: a Grande Família de Deus. A partir daí, acolhemos com mais “cuidado” a fé curativa.
A Missa de hoje foi presidida pelo Guardião. Antes de iniciar a reflexão ele brincou: “quando a gente vê esse tempinho assim chuvoso, meio friozinho… Ah que vontade de ficar em casa, não é? Não dá mesmo uma vontade danada de ficar em casa embaixo da coberta, tomando chazinho, comendo pipoca… Essa vontade não é ruim não, pode ter, não está nem pecando, ainda mais a gente que já trabalhou bastante, não tem pinto pra dar água… Essa é uma vontade boa, mas a vontade maior ainda é de estar na presença de Deus aqui no Convento da Penha. Essa é uma vontade mais que boa e por isso a gente veio aqui! Escolhemos ouvir coisas boas, treinar nossos olhos e ouvidos pra isso, coisas boas”, animou.

O Frei também falou que “estamos vivendo o mês vocacional e é o tempo de rezar agradecendo a Deus, que Ele nos chama para viver a sua boa vontade. Chama a todos nós! Alguns Ele chama para ser padre, para ser frei, freira, bispo, consagrado, consagrada… E a outros tantos Ele chama para desenvolver as mais diferentes tarefas na vida da Igreja. A todos, nos chama para viver a sua boa vontade, é a vocação de todos nós! No mês vocacional, que a gente reze agradecendo a Deus porque Ele nos escolheu, entre todas as criaturas do universo, ele nos escolheu”, e completou “a partir dessa vivência agradecida, generosa, feliz, geramos vocações específicas também no meio de nós.”
Ao refletir o Evangelho (Mateus 20,1-16a), Frei Paulo disse que a Palavra de Deus deve nos provocar, nos incomodar. “A Palavra de Deus nos provoca, nos incomoda, nos faz mais atentos, ao menos. Ouvimos o trecho do Evangelho, começamos a imaginar ‘a justiça de Deus é diferente da nossa. Essa história que os homens trabalharam o dia inteiro, o outro só trabalhou uma hora e no fim ganharam a mesma coisa, ah eu não concordo não!’. Certamente quem entendeu assim ainda não compreendeu a justiça de Deus. É preciso que a gente purifique a nossa maneira de pensar. A justiça é de Deus! É preciso que a gente alargue nosso pensamento, senão vamos continuar repetindo um montão de bobagem que estamos falando por aí e nossa vida vai perdendo a graça. Vamos nos tornando gente ‘lamurienta’, invejosa e cheia de murmuração, igual fala no Evangelho hoje”, e concluiu a reflexão que o patrão cumpriu a todos os empregados o que foi prometido. Assim é com Deus, “o que foi prometido a nós, Deus cumpriu, Ele é fiel e então nosso comportamento ‘murmurento’, ‘reclamão’, é uma incompreensão daquilo que Deus ofereceu a nós”, explicou.
“Deus nos sugere acolhimento, solidariedade, fraternidade e garante não desprezar quem ‘chega primeiro’, quem ‘trabalha mais’, mas Deus é justiça, é fiel. A gente precisa permitir que Deus seja Deus, isso significa reconhecer sua bondade, sua justiça, sua medida. Quando a gente se dispõe a reconhecer a medida de Deus e permite que Ele seja o próprio Senhor da nossa história, não teremos inveja, não teremos murmuração, não teremos um jeito pesado de viver e seremos promotores da verdadeira fraternidade, essa é nossa missão. Seja essa a nossa tarefa, a nossa vocação”, concluiu o Guardião.