Celebração presidida pelo vice-guardião do Convento da Penha, Frei Evaldo Ludwig, refletiu sobre São Boaventura, a importância do caminho espiritual e o papel da tradição franciscana na promoção da fé, da saúde e da educação
Nesta quarta-feira (15), o Campinho do Convento da Penha recebeu centenas de fiéis para mais uma edição da Missa da Saúde. A celebração foi presidida pelo vice guardião do Convento da Penha, Frei Evaldo Ludwig, que conduziu um momento de oração, reflexão e esperança, reunindo peregrinos e devotos em busca de fortalecimento espiritual e da cura do corpo e da alma.
Logo no início da homilia, Frei Evaldo acolheu os participantes e destacou o grande fluxo de visitantes que o santuário vem recebendo durante o período de férias escolares. Segundo ele, desde a última segunda-feira, pessoas de diversas regiões do Brasil têm chegado ao Convento da Penha para viver momentos de espiritualidade. O religioso ressaltou que a movimentação tende a crescer ainda mais nos próximos dias. “Que bom que estamos aqui recebendo tantas pessoas de todos os lugares do nosso Brasil. Se esta semana já está intensa, imagina a próxima, quando teremos ainda mais peregrinos visitando este santuário”, afirmou.

A celebração coincidiu com a memória litúrgica de São Boaventura, bispo, doutor da Igreja e um dos grandes mestres da espiritualidade franciscana. Inspirando-se na principal obra do santo, Itinerário da Mente para Deus, Frei Evaldo refletiu sobre o caminho interior percorrido por quem deseja encontrar Deus e compreender o verdadeiro sentido da existência.
Segundo o vice guardião, São Boaventura apresenta uma espiritualidade marcada pela busca constante e pela abertura ao encontro com Cristo. Para ele, a mente que procura Deus aprende, aos poucos, que Jesus é o caminho seguro para a salvação e para uma vida verdadeiramente plena. Ao relacionar a reflexão com os Evangelhos proclamados nos últimos dias, Frei Evaldo destacou que crescer espiritualmente exige movimento e disposição para deixar para trás aquilo que impede o ser humano de avançar. “Só consegue crescer quem se coloca diante de um novo caminho”, afirmou, lembrando que o Evangelho revela um Deus que se manifesta aos simples e humildes de coração.
O frei recordou ainda a imagem do semeador apresentada por Jesus no último domingo, ressaltando que o primeiro passo da fé é sair de si mesmo. Para ele, permanecer preso às pequenas preocupações, aos ressentimentos e às limitações pessoais impede que a pessoa experimente a ação transformadora de Deus.
Durante a homilia, Frei Evaldo também refletiu sobre as enfermidades que atingem o coração humano. Segundo ele, muitas doenças começam quando sentimentos como raiva, vingança, ódio, rancor, ganância e desejo de poder ocupam o lugar da simplicidade ensinada por Cristo.
“O maior projeto de Deus acontece no coletivo”, destacou. Para o religioso, a busca desenfreada por poder, reconhecimento e posse faz com que muitas pessoas adoeçam espiritualmente, perdendo a capacidade de viver com simplicidade e fraternidade.

Frei Evaldo também recordou os 351 anos da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, celebrados na última terça-feira. Ele destacou a longa contribuição dos franciscanos para a formação histórica, social e religiosa do país, lembrando que diversas cidades brasileiras cresceram ao redor dos conventos franciscanos, entre elas Vila Velha, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba.
Na reflexão, o vice guardião explicou que, desde o início da missão franciscana, três pilares sempre orientaram a atuação da Ordem: fé, saúde e educação. Igrejas, hospitais e escolas caminharam juntos ao longo da história, demonstrando o compromisso dos frades com o desenvolvimento integral das pessoas e das comunidades.
Ao falar da missão da Província Franciscana, Frei Evaldo ressaltou que sua história se confunde com a própria história do Brasil e continua viva por meio das atividades pastorais, educacionais, sociais, dos meios de comunicação, da rede de paróquias e santuários e da missão franciscana em Angola, que completa 38 anos neste ano.
Encerrando sua reflexão, o religioso destacou que todos os que chegam ao Convento da Penha compartilham a mesma sede: o desejo de encontrar Deus e experimentar o acolhimento materno de Nossa Senhora da Penha. Ele afirmou que essa também é a missão dos frades franciscanos: conduzir cada peregrino a Cristo por meio da intercessão da Mãe da Penha.
Ao final da celebração, Frei Evaldo pediu a intercessão de São Boaventura para que todos tenham uma mente voltada para Deus, de São Camilo de Lellis para o cuidado dos enfermos e de Nossa Senhora da Penha para que continue conduzindo os fiéis no caminho da esperança. “Que toda missão seja uma cura, que todo testemunho seja uma cura e que Deus transforme nossos corações, curando todas as nossas enfermidades”, concluiu.





















