Pe. Rodrigo: “Ao encontrar com Cristo não temos como manter o mesmo caminho”

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Vila Velha (ES) –  O “Olhar de reencontro” foi o tema deste sétimo dia do Oitavário da Festa da Penha, neste sábado (10/4), na Celebração Eucarística, às 16 horas, presidida pelo Pe. Rodrigo Chagas, da Área Pastoral Serrana, e concelebrada pela Fraternidade do Convento. A celebração, na capela do Convento, foi transmitida aos fiéis devotos da Virgem da Penha pelas mídias sociais.

Segundo Pe. Rodrigo, na verdade toda a Festa fala desse olhar de Nossa senhora para nós, seus filhos. “Ficamos imaginando esse olhar de reencontro quando ela vê que seu filho estava na casa de Deus depois que se perderam dele na volta do Templo de Jerusalém”, considerou.

“Talvez esse olhar que todos nós estamos esperando, com tantas pessoas que estamos perdendo neste momento e ganhando ao mesmo tempo. Perdendo do nosso convívio, perdendo do nosso meio, perdendo do nosso olhar, mas sabendo que eles estão em Deus. Então, estamos ganhando mais um anjo, mais uma pessoa para estar intercedendo por nós junto ao Filho Jesus, ao filho da Virgem Maria”, comparou Pe. Rodrigo. “Esperamos um dia também, assim como Nossa Senhora se alegrou ao ver o seu filho que estava perdido, que nós também um dia possamos nos reencontrar todos eles na Jerusalém celeste. Aí, com este mesmo olhar que Nossa Senhora teve ao ver Jesus, nós também possamos nos alegrar”, acrescentou.

Segundo o sacerdote, neste sétimo dia da oitava da Páscoa – um dia tão grande que temos que celebrar em oito dias -, a liturgia nos traz esse belo evangelho de Marcos, com o resumo das duas principais aparições de Jesus: à Maria Madalena e aos discípulos de Emaús.

“Madalena testemunha a vitória sobre a morte e talvez possamos já prever a vitória de Jesus sobre a pandemia. Por mais que estejamos sofrendo, chegaremos à alegria da Páscoa por passar por esse momento e vamos ver logo esse Campinho do Morro da Penha lotado de pessoas agradecendo por ter passado por tudo isso”, animou.

Segundo ele, Madalena testemunha o maior dos acontecimentos que o mundo nunca tinha visto: a ressurreição do Filho de Deus. “E não acreditaram nela, não deram crédito a ela. Talvez muitos de nós também estamos rezando para que termine essa pandemia. Estamos rezando para que chegue a cura. Mas aí quando apresentam a vacina, nós falamos: ‘não quero ser vacinado’. Por quê? Porque os homens inventaram e eu não sei se vai dar certo. Será que nós não estamos desacreditando do testemunho que estão nos trazendo? Será que nós estamos duvidando do poder de Deus, esse mesmo Deus que eu rezo todos os dias para que mande a cura e aí quando ele manda a cura para nós, ou uma possibilidade da cura, eu duvido do poder dele?”, lamentou.

“Irmãos e irmãs, se os cientistas, se os médicos, enfim, se os governantes estão nos guiando para esse caminho, nós temos que acreditar e rezar que Deus esteja guiando eles”, enfatizou.

Voltando ao Evangelho de Marcos, citou Emaús. “Também homens simples, que só conseguiram perceber a presença de Jesus ao partir o pão. Caminharam ao lado dele, os corações deles ardiam, mas eles não conseguiam perceber que Jesus estava ali, caminhando com eles. Quando percebem o milagre ao partir o pão, o milagre do amor, o milagre da esperança, correram de volta à comunidade. Contaram para os seus irmãos o encontro com o Cristo ressuscitado”, citou.

“Uma vez que nós encontramos com Cristo, não temos como manter o mesmo caminho. Manter a mesma vida. Nós, a partir do momento que encontro com Cristo, eu tenho que seguir um novo caminho: o caminho da ressurreição. Mas, para chegar à ressurreição, temos que passar pela cruz. Para chegar ao Domingo de Páscoa, temos que passar pela Sexta-feira da Paixão e, talvez, estamos passando por este momento”, constatou.

“Mas para que, como Nossa Senhora, possamos nos alegrar e testemunhar que Cristo ressuscitou, não podemos ter medo de levar a Palavra de Deus. Não ter medo de dizer que se é cristão. E de testemunhar a sua fé. Essa é a nossa missão de cristãos batizados: anunciar o Evangelho a toda criatura e não medir esforços para dizer que Cristo ressuscitou e se alegrar com a Mãe das Alegrias, com a Virgem da Penha, e não cessar de colocar o nosso joelho no chão, de pedir e agradecer, suplicar e glorificar”, concluiu.

Frei Pedro Oliveira, no final da Missa, falou da programação dos últimos dias da Festa. Ele também trouxe informações do quadro de saúde dos frades com a Covid-19.

Frei Paulo Cesar Ferreira da Silva, que recebeu alta ontem, terá de repousar ainda durante quatro dias. Já o guardião Frei Paulo Roberto continua internado, mas está reagindo bem. “Hoje, pela manhã, ele perguntou como está a Festa da Penha. Ele está interagindo bem. Continuem rezando para que em breve ele possa estar conosco”, pediu Frei Pedro.

Ele também falou que Vítor, o músico do Convento, está bem e já respira sem o auxílio de oxigênio.

Texto de Moacir Beggo e fotos de Matheus Borsoi

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