Pe. Diego pede o colo de Maria como refúgio para nossas dores

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Moacir Beggo (*)

 São Paulo (SP) – O Convento da Penha acolheu, nesta quarta-feira (15/4), Pe. Diego Carvalho, pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Guarapari (ES), para presidir o quarto dia do Oitavário da Festa da Penha, que este ano acontece virtualmente por causa da pandemia do novo coronavírus. Ele teve como concelebrantes nesta Santa Missa, transmitida pelas redes sociais do Convento e pelo site G1/ES, os frades que residem na Fraternidade do Convento. Na bela capela do Convento, Pe. Diego representou o povo da Área Pastoral Benevente da Arquidiocese de Vitória. Neste dia, também se refletiu sobre a quarta alegria de Nossa Senhora: o nascimento do Menino Jesus.

Comentando a primeira leitura, Pe. Diego explicou que os discípulos Pedro e João estavam indo fazer as suas orações no templo. “Então, na porta do Templo, chamada Formosa, um homem coxo de nascença olhou para Pedro e pediu esmola. A reação de Pedro é bela, simples e espontânea: ‘Ouro e prata não tenho, mas o que tenho eu te dou: Em nome de Jesus Cristo, levante-te e anda’. Estamos vivendo um tempo onde, sinceramente, queremos pedir muitas coisas ao Senhor. Nossos corações têm uma lista imensa de pedidos, mas somente Deus sabe o que é necessário para nós. Deus sabe daquilo que nós precisamos”, disse o celebrante.

“Aquele homem coxo talvez esperasse dos discípulos uma esmola para sobreviver naquele dia. E o Senhor, através da boca de Pedro, concedeu a ele algo muito maior. Aquele homem pôde andar novamente. Vemos nessas palavras a esperança que não decepciona. Somos convidados a olhar para o Senhor e pedir a Ele que olhe para nós com misericórdia e nos conceda não aquilo que queremos, mas aquilo que precisamos”, ressaltou.

No Evangelho, falando da belíssima narrativa de Emaús, Pe. Diego explicou que os discípulos representam a Igreja hoje, que muitas vezes caminha com medo, que muitas vezes caminha solitária, que, às vezes, perde a esperança porque o medo nos deixa sem esperança e fé. “Jesus nunca nos abandona. O silêncio de Deus não quer dizer ausência de Deus. Deus está sempre junto de nós”, ensinou.

Diante da tristeza desses discípulos, que ainda traziam nos olhos as cenas da morte, da dor e do sofrimento, o Senhor começa a explicar as Escrituras e, ao partir o pão, Ele se revela plenamente a eles e desaparece. “Os dois discípulos então disseram: ‘Não ardia o nosso coração enquanto ele ia falando conosco’. Nesses dias, em que estamos em casa, podemos ter um contato maior com Deus e com nossas famílias. E também queremos pedir ao Senhor essa graça de que, através da Palavra dele comunicada a nós, possamos sentir o fogo do amor de Deus ardendo no nosso peito”, pediu.

Pe. Diego, então, fez a seguinte oração:

Como discípulos de Emaús, queremos pedir a graça de não nos deixarmos levar pela dor, pelo sofrimento, mas abraçarmos em nossa vida, nesta situação em que vivemos, as palavras de Jesus Cristo, que trazem esperança ao nosso coração.

Nesses dias de tantas incertezas, nós queremos pedir a Jesus Cristo, olhando para a imagem de Nossa Senhora da Penha, que nos dê licença porque quem quer sentar no colo de sua Mãe somos nós. Estamos necessitados, estamos precisados desse carinho de Mãe.

Nós queremos te pedir, Senhor, dai-nos a graça de sentir o amor de Nossa Senhora, a Virgem da Penha. Nós queremos, no colo de Maria, encontrar o refúgio para nossas dores, as respostas para os nossos questionamentos. Nessa noite, nós queremos colocar ali, aos pés de Maria, toda a nossa Arquidiocese de Vitória, queremos pedir pelo Estado do Espírito Santo, pelo Brasil e pelo mundo inteiro. Mas, de maneira especial, queremos pedir pelos profissionais da área da saúde, pelos militares, pelos caminhoneiros, por tantas vidas que se doam em função de uma vida, em favor de tantas outras vidas.

Nós queremos pedir a Nossa Senhora que ela nos dê aquele mesmo espírito de fortaleza que teve aos pés da cruz para que nós possamos não nos deixarmos levar pelo medo, pela incerteza, mas que possamos ser conduzidos pela presença de Deus. Esse Deus que cuida de cada um de nós. Esse Deus que já provou, inúmeras vezes, que não nos abandona.

Nós queremos pedir à Virgem Maria, Senhora das Alegrias, que, nesta noite, com seu manto sagrado, possa proteger nossas casas, as nossas famílias e que possamos, segurando nas mãos de Nossa Senhora, sentir a presença de Jesus Cristo, ele que é Caminho, Verdade e Vida.

Que Nossa Senhora nos dê a graça de vencermos o medo. Que Nossa Senhora nos dê a graça de vencermos todas as tristezas. E que, nesses dias, que estamos longe fisicamente das pessoas, possamos nos unir em oração na certeza de que, junto com Nossa Senhora, iremos proclamar a alegria da presença de Cristo na nossa vida.

Que nessa noite, você, meu irmão e minha irmã, possa sentir a presença de Jesus na sua casa. E como discípulos do Senhor que somos, que você possa repetir: ‘Fica comigo, Jesus! Fica com a minha família, porque nós precisamos de Ti e só em Ti encontramos as respostas para tantas e tantas perguntas que hoje estão no nosso coração!

Que o Senhor aumente a nossa fé, que o Senhor aumente nossa esperança e que este tempo pascal possa produzir em nós frutos de alegria e que possamos também ser solidários aos mais pobres, aqueles que neste momento estão precisando de nós.

Que o olhar de Nossa Senhora da Penha nesta noite possa alcançar sua família e, sobretudo, o seu coração!

No final da celebração, Pe. Diego externou sua gratidão a todos os freis que guardam o Convento da Penha, o Santuário da Padroeira do Espírito Santo, e também às onze paróquias da sua área pastoral Benevente.

O Vigário Provincial, Frei Gustavo Medella, agradeceu carinhosamente pela presença de Pe. Diego e explicou aos fiéis devotos que, neste quarto dia do Oitavário, as pessoas com deficiência eram as homenageadas. Para isso, Frei Gustavo leu um poema de Mário Quintana (1906-1994):

“Deficiente” é aquele que não consegue modificar a vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade e que vive, sem ter consciência de que é dono de seu destino.

“Louco” é quem não procura ser feliz com o que possui.

“Cego” é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.

“Surdo” é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e querer garantir seus tostões no fim do mês.

“Mudo” é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.

“Paralítico” é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.

“Diabético” é quem não consegue ser doce.

“Anão” é quem não sabe deixar o amor crescer.

E finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois:

“Miseráveis” são todos que não conseguem falar com Deus.

Frei Gustavo terminou pedindo que Maria seja fonte de bênçãos para todas as pessoas com deficiência, que certamente têm um lugar privilegiado no coração de Deus.

O Vigário Provincial também lembrou às pessoas que quiserem ajudar na manutenção do Convento da Penha, um dos santuários mais visitados no Brasil, pode fazer as doações através do aplicativo PicPay e de depósitos bancários. “A missão não pode parar. Meu muito obrigado a todos que nos ajudam”, agradeceu.

Neste ano, a festa tem como tema “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc 1,48). O canto profético de Maria no “Magnificat” prefigura o imenso carinho e devoção pela Virgem que marcou e marca todos aqueles que a celebraram nestes 450 anos de tradição.

A festa da Penha é fruto de uma semente lançada por Frei Pedro Palácios em 1558, quando chegou ao Brasil com os colonizadores portugueses e desembarcou nas terras capixabas. O frade espanhol trouxe na sua bagagem um painel de Nossa Senhora das 7 Alegrias, que foi colocado numa gruta e deu origem à devoção franciscana que vem até hoje. Ao longo do tempo, essa devoção cresceu e foi construído o Santuário para a Mãe de Deus no ponto mais alto do penhasco. Desde então, romeiros visitam o Convento durante todo o ano.

A programação está disponível nas redes sociais do Convento da Penha através do Facebook (link), Instagram (link) e o Canal do YouTube (link).

O Oitavário também está sendo transmitido diariamente pelo site do G1/ES.


CONFIRA A PROGRAMAÇÃO PARA O QUINTO DIA DA FESTA DA PENHA: 16 DE ABRIL  

6h00 – Bênção do dia, com Padre Renato, na TV Gazeta

12h00 – Terço Mariano – no Instagram e Facebook do Convento da Penha

13h00 – Exibição do Programa Salve Mãe das Alegrias, ao vivo no Instagram, Facebook e Canal do YouTube do Convento da Penha

15h00 – Missa ao vivo no Instagram, Facebook e Canal do YouTube do Convento da Penha, Rádios América 91,1 FM e Espírito Santo 1160 AM e TV Educativa-ES canal 2.1 aberto

19h30 – Quinto dia do Oitavário – Missa, ao vivo no G1/ES e no Instagram, Facebook e Canal do YouTube do Convento da Penha

20h30 – Festival Amor e Esperança, com apresentações artísticas ao vivo no Instagram da TV Gazeta


(*) Com a transmissão ao vivo pelo Convento da Penha

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