O grito de Dom Zanoni contra a cultura de morte

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Moacir Beggo

Vila Velha (ES) – A primeira diocese a chegar em Romaria até o Campinho para a primeira celebração neste sábado (14/4) foi a de São Mateus. Logo cedo, às 7 horas, os romeiros começavam a subir o morro a pé depois de viajarem três horas para chegarem até Vila Velha, já que São Mateus fica no Norte do Estado.

O bispo Dom Zanoni Demettino Castro veio acompanhando o seu povo, representando 709 comunidades em 19 municípios. “Essa Igreja aqui se desloca para celebrar aos pés da Virgem, aquela que acreditou e não se curvou mesmo diante do poder da morte”, disse D. Zanoni.

O bispo lembrou que a Igreja celebra a oitava da Páscoa com o mesmo fervor da vigília pascal. “Jesus ressuscitou verdadeiramente. E essa é a consciência que nos faz Igreja. Essa experiência que dá sentido à nossa vida e por isso sempre proclamamos o Senhor esteja convosco. Ele está no meio de nós. Por isso, não podemos nos curvar diante das forças da morte, da cultura que mata, que extermina, que impede a vida de brotar”, disse.

“Viemos até o pé da Penha trazer a nossa vida, a vida do nosso povo, a esperança da nossa gente de uma vida melhor, plena. A Igreja tem essa função e compromisso de anunciar a plenitude da vida, de perceber que a realidade do povo é também os desafios de sua caminhada”, acrescentou, lembrando que ele, padres e outras representações estiveram recentemente na Assembleia Legislativa com um abaixo-assinado pedindo a criação da Universidade Federal do Norte do Espírito Santo. “Nosso país começa a perceber que nosso povo não precisa só de comida, mas de vida, de cultura, de arte, de cinema, como canta o grande poeta”, emendou.

Falando na Ressurreição de Cristo, D. Zanoni lembrou que a vida continua sendo ameaçada por uma cultura de morte, como a aprovação pelo Supremo Tribunal Federal do aborto em caso de anencefalia. “A Igreja acredita: só Deus é o Senhor da vida. A vida é dom de Deus. Da concepção até o seu fim último”, indignou-se.

Segundo o bispo, as forças da morte devem ser derrubadas. “Ao celebrar essa Romaria, nós queremos trazer o grito de tantas mães que têm perdido seus filhos assassinados no nosso Estado, que desenvolve cada vez mais economicamente, mas ainda zela, cultua e defende a cultura da morte. Não apenas na Capital, nas grandes cidades, mas em cada uma das nossas cidades. Lá na Diocese de São Mateus, cada dia vai tombando um jovem, fruto desta realidade de corrupção, de pecado, de drogas”, lamentou. “Ainda pesa sobre nós essa cultura do assassinato. Eu venho de outras regiões e me escandalizo com essa cultura onde se manda matar alguém. Isso faz parte até das tradições. Se não gosto, elimino as pessoas!”, reprovou.

Para D. Zanoni, essa experiência profunda que transforma, que nos faz Igreja não pode ficar reduzida aos nossos cultos, celebrações, romarias e festas. “Jesus diz: Ide contar aos meus irmãos. Ide anunciar  em todos os cantos e lugares. Jesus Ressuscitou!”, animou.

A Diocese de São Mateus foi criada em 16 de fevereiro de 1958 pelo Papa Pio XII, com território desmembrado da então Diocese do Espírito Santo, hoje Arquidiocese de Vitória. Localizada ao norte do Espírito Santo, é composta por 19 municípios.

A fé sem distância

Da esq. para dir.: Dª Arideia, Dejanira e Helena (sentada)

Para Dona Helena do Nascimento Ferreira, com 78 anos, mãe de 11 filhos, viajar para visitar o Santuário de Nossa Senhora da Penha não é um desafio. “Se viajo para Rondônia de ônibus, por que seria um sacrifício uma viagem de três horas?”, diz. “Isso é pouco. Se pudesse viria mais vezes para buscar essa tranquilidade neste morro de paz”, diz.

Ela estava acompanhada de sua filha, Dejanira Ferreira Silvares, de 60 anos. “Venho todo ano pedir e agradecer a Nossa Senhora da Penha”, conta a também Ministra da Eucaristia. “No momento estou afastada porque há um revezamento de ministros da Eucaristia, mas não deixo de acompanhá-los quando vão entregar a comunhão”, diz.

Já Arideia Zuliani também veio com a missão de representar o seu marido, um fiel devoto que não pode viajar devido a um derrame. “Mas ele está bem e andando em casa. Sempre veio aqui e eu estou rezando por ele também. Uma vez ele teve de fazer uma cirurgia, mas pediu a intercessão de Nossa Senhora da Penha e não precisou fazê-la mais. Hoje, está com 86 anos, reza o terço todo dia e não deixa a imagem de Nossa Senhora que tem”, conta Dona Arideia, que tem 7 filhos, alguns mais religiosos e outros nem tanto. “Mas o que importa para mim é que são bons filhos. Amam e cuidam do meu marido”, completou.

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