Paz e Bem.
A tradicional Missa da Saúde, celebrada na tarde desta quarta-feira (28), no Campiho do Convento da Penha, reuniu numerosos fiéis aos pés do Santuário de Nossa Senhora das Alegrias para um encontro de oração, fé e reflexão. A celebração fez memória de Santo Tomás de Aquino e foi presidida por Frei Evaldo Ludwig, ofm.
Logo no início da homilia, o frade recordou que cada pessoa chega à Missa trazendo intenções e realidades diferentes, mas todos são chamados a se deixar tocar pela Palavra de Deus no tempo presente. “Nos reunimos hoje, nesta tarde, aqui no Campinho, aos pés do Monte de Nossa Senhora da Penha, viemos cada um com uma intenção, cada um com um propósito, uns vêm para pedir a saúde, outros estão aqui pela primeira vez, visitando esse santuário. Quer dizer, nós estamos em tempos, momentos distintos, mas no mesmo tempo. E todos nós devemos olhar para a mensagem de Jesus Cristo nesse dia e ver como é bom escutar aquele que nos exorta a um caminho de transformação.
Refletindo sobre a parábola do “Bom Semeador”, proclamada na liturgia, o presidente da celebração destacou que a vida humana é marcada por fases diversas, mas todas carregam um sentido e uma possibilidade de crescimento espiritual. “A nossa vida não é retilínea, a gente vive momentos e momentos, mas cada momento é um tempo oportuno. O livro do Eclesiastes diz, ‘tudo há um tempo debaixo do céu e da terra’. O nosso tempo é agora, nós devemos aproveitá-lo com todo empenho e com toda força. Jesus nos diz que nós vivemos entre essas grandes etapas da vida, alguns momentos que nós estamos sempre à margem, nós nunca nos envolvemos com as coisas. A palavra de Jesus Cristo, ela é apenas escutada, mas ela não toca aquilo que é importante, o nosso coração, que é o cerne da palavra”, comentou.
“Nós escutamos, até participamos de Missa, fazemos leitura muitas vezes do Evangelho do dia, muitas vezes até rezamos, rezamos à Virgem da Penha, Nossa Senhora, rezamos com intensidade, mas tudo aquilo que a gente reza não muda em nada aquilo que eu sou, aquilo que eu faço, aquilo que eu penso. Nós estamos simplesmente do lado, à margem, nós não conseguimos deixar que a palavra nos toque. O segundo exemplo que Jesus vai nos dar é o momento em que nós vivemos da nossa existência, sempre com os momentos, geralmente são momentos difíceis da nossa vida em que nós ficamos duros de coração”, refletiu Frei Evaldo sobre o risco de uma escuta superficial da Palavra, que não gera mudança concreta de vida.
Frei Evaldo também abordou os períodos de sofrimento e aridez espiritual, nos quais o coração se fecha e a esperança parece desaparecer. Ele recordou que esses momentos fazem parte da caminhada humana e não significam abandono por parte de Deus. “Quando nós vivemos momentos difíceis, em que não vemos horizonte, não vemos saída, parece que tudo está contra nós e Deus também. No momento em que a gente não vê o horizonte, que a gente não vê saída, que a gente não vê intenção, parece que está tudo ruim, nada presta, tudo de mal acontece comigo, eu não tenho graça nenhuma, parece que eu sou amaldiçoado por Deus, parece que tudo de ruim é só comigo, é só comigo, é só comigo. Quando nós vivemos esse momento, e tenho certeza que todo mundo aqui já passou por um momento aqui, quem está em casa também, todos nós já passamos por esses momentos, quando nós passamos por esses momentos, nós muitas vezes nem sequer temos o desejo e o gosto de dizer e olhar para o céu e dizer Deus me ajuda, porque a gente fica duro, seco, quase que inatingível pela graça de Deus”.

“A gente não é aberto a nada, – continua Frei Evaldo-, tudo, tudo me incomoda, tudo, tudo, tudo vai me afetar, parece que o mundo está contra mim e Deus também. Esses momentos, não tem palavra que vai entrar no nosso ouvido e no nosso coração, mas talvez seja um dos momentos mais intensos, que como diz Santa Teresa de Ávila, é um momento em que nós devemos aí sim olhar para Deus e perguntar o que eu estou fazendo com a minha vida, com a minha existência, com aquilo que eu sou, com aquilo que eu faço. Deus nunca nos abandona, sentir Deus conosco é perceber que Deus anda comigo em todos os momentos, tanto quando estou à margem, quando estou com um duro de coração”, disse.
O frade chamou a atenção para a necessidade de amadurecimento da fé, evitando uma religiosidade baseada apenas na busca de Deus em tempos de dor. “Mas nós também vivemos um momento em que nós vamos e muitas vezes criamos, como diz Jesus, praticamente uma fé imatura, uma fé imatura, que eu sou religioso, que eu rezo, eu estou feliz quando está tudo bem comigo. Quando alguma coisa acontece, a minha vida parece que sai do prumo, sai o trem do trilho e eu nada mais consigo ver e escutar. E mais, nós temos uma tendência quando isso acontece, porque geralmente a maioria dos desafios que acontecem comigo, elas são consequências da minha vida, das minhas escolhas, das minhas opções. E quando acontece algum desafio comigo, eu olho para o céu e digo, por que você deixou acontecer isso comigo? Mas eu nunca, nos momentos felizes, muitas vezes, quis Deus por perto. Mas no momento que acontece algo na minha vida de ruim, eu coloco a culpa em Deus. Porque é Deus que está fazendo isso, não sou eu”.

Frei Evaldo relacionou muitas enfermidades às feridas emocionais acumuladas ao longo da vida, convidando os fiéis a um caminho de cura interior. “Nós temos isso quase como um exercício na vida cotidiana nossa. Na verdade, a gente tem que compreender, raiva, ódio, raiva, ódio e vingança é um veneno que eu tomo esperando que o outro morra. A gente tem que compreender isso, porque a maior parte das nossas doenças, hoje, elas são frutos do ódio, da raiva, da vingança e da tristeza. São doenças que afligem nós, seres humanos, no tempo presente, de uma maneira crônica. E isso que nós devemos cuidar”, destacou.
Antes da bênção final, logo após a Oração depois da Comunhão, a celebração contou com um momento especial de oração pela saúde, no qual foram confiados a Deus os enfermos, as intenções pessoais e as dores físicas e espirituais dos fiéis presentes e daqueles que acompanharam pelas redes sociais.
A Missa da Saúde reafirmou, mais uma vez, seu caráter de acolhida e esperança, conduzindo os fiéis a reconhecerem o tempo presente como dom de Deus e oportunidade concreta de conversão.




























