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02/04/2026

Lava-pés com profissionais da saúde mental: celebração e serviço

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Paz e Bem

A Missa do Lava-Pés, celebrada na tarde desta quinta-feira (02), no Campinho do Convento da Penha, foi marcada por um forte apelo à inclusão, ao cuidado com a saúde mental e ao serviço ao próximo. A celebração reuniu médicos, psicólogos, pacientes e também crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e síndrome de Down, em um momento de fé e sensibilidade que coincidiu com o Dia Mundial de Conscientização do Autismo.

A Missa foi presidida pelo Vigário do Convento, Frei Evaldo Ludwig; concelebrada pelo Frei Gabriel Dellandrea e pelos demais frades. Na homilia, o Guardião do Convento ressaltou que a Eucaristia vai além de um rito e se traduz em compromisso concreto com o outro. “Esta celebração nos inspira a piedade, a reverência ao corpo do Senhor e tudo o que Ele fez naquela noite em que se reuniu com os Seus discípulos. E esta celebração, ela nos traz duas palavras que podem nos ajudar a entender bem o que celebramos. Nós entendemos que a Eucaristia é, portanto, celebração e serviço”.

Ao abordar a dimensão da memória na fé cristã, Frei Gabriel recordou as palavras de Cristo na Última Ceia: “Fazer isto em memória de mim”. Segundo o frei, a repetição desse gesto ao longo dos tempos é essencial para que os fiéis não se esqueçam do essencial. “O essencial precisa ser recordado sempre. Precisa ser lembrado sempre para que nós possamos lembrar a importância dos princípios aos quais nós queremos viver. E é por isso que eucaristia é celebração. E hoje nós celebramos esta eucaristia e que nós queremos lembrar que o senhor deixou-nos uma missão de fazermos esta celebração em sua memória. E outras coisas são importantes e também devemos fazer memória”, afirmou.

A reflexão também enfatizou que a celebração da Eucaristia deve levar à ação. “A Missa não é só um rito pelo rito, mas um rito que nos leva a uma outra dimensão e vem a segunda palavra do dia, serviço. Nós, quando celebramos a Eucaristia, não devemos sair com a sensação de dever cumprido, mas de começo da missão.”, disse, reforçando que a vivência cristã se concretiza no serviço diário, especialmente aos mais necessitados”.

Um dos momentos mais significativos da celebração foi o Rito do Lava-Pés, realizado com 12 profissionais da área da saúde mental, também pais de crianças especiais e as próprias crianças com TEA, síndrome de down. O gesto simbólico destacou a importância daqueles que dedicam suas vidas ao cuidado do outro, especialmente em contextos de sofrimento e fragilidade. “A grande pergunta que queremos fazer é quem que lava os pés daqueles que lavam a consciência com cuidado e amor? Daqueles que cuidam dos seres humanos quando já talvez quase não há mais recurso? Daqueles que ouvem o que as pessoas jamais teriam coragem de dizer até para um familiar perto mas precisam dizer para alguém quem é que cuida de quem cuida? Essa é a missão que nós também queremos deixar para nós. É certo irmãos e irmãs que temos muitos compromissos, que temos muitas coisas que celebrar mas o cuidado com quem cuida é uma missão muito importante é uma forma de servirmos nos tempos de hoje. Por isso, vamos abrir o nosso coração a esta missão que o Senhor nos dá”, provocou o celebrante.

A presença de pacientes e de crianças com TEA e síndrome de Down reforçou a mensagem de acolhimento e inclusão. Pais e responsáveis também foram convidados a participar do momento, tornando a celebração ainda mais representativa da diversidade e da dignidade de cada pessoa.

A celebração no Convento da Penha reafirmou, assim, o sentido mais profundo da Quinta-feira Santa: fazer memória de Cristo por meio da Eucaristia e traduzir essa memória em gestos concretos de cuidado, especialmente com os mais vulneráveis.


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