Frei Pedro: “do outro lado, Deus vai nos conduzir a este mar infinito chamado eternidade”

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“Em verdade, em verdade vos digo, eu sou a porta das ovelhas. Eu sou a porta. Quem entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância…” (Evangelho de Jo 10,1-10).

Paz e Bem!

Em solidariedade às inúmeras famílias que perderam seus entes e amigos queridos, neste tempo da pandemia, e foram privados de despedidas e cerimônias fúnebres, o Convento da Penha realizou na tarde desta segunda-feira (26) mais uma edição da Missa em Memória dos Falecidos, a Celebração do Abraço e da Esperança. Uma maneira de se unir aos familiares com compaixão e ternura, abraçando, ainda que virtualmente, as mães, pais, filhos, maridos, esposas, pessoas que tanto sofreram com a saudade, rogando à materna proteção de Deus por aqueles que nos antecederam na glória dos céus. Somos compassivos com a dor do que sofre.

A Missa foi presidida pelo Frei Pedro de Oliveira, onde recordou que, por conta da pandemia, muitas famílias perderam seus entes queridos, infectados pelo coronavírus ou falecidos de outras causas e não tiveram oportunidade de um velório. Enterros com caixões lacrados, ausência de abraços e de pessoas, impossibilidade de aglomeração, sepultamentos rápidos… Vidas ceifadas, cerimônias restritas… Esse triste cenário, lamentavelmente, atingiu muitas famílias.

Os franciscanos da Província Franciscana da Imaculada Conceição, da qual o Convento faz parte, em solidariedade às famílias, realizaram diversas edições da “Celebração do Abraço e da Esperança”, desde março do ano passado. Diariamente, santuários, paróquias e igrejas pertencentes a esta província ofereceram oração pelos falecidos e falecidas. Com novas medidas de isolamento, a celebração passou a ser quinzenal e, no início do mês de agosto de 2020, os encontros foram suspensos.

Mesmo que as atividades litúrgicas nas comunidades eclesiais tenham sido retomadas, a fraternidade do Convento da Penha continua celebrando, uma vez por mês, uma Missa em Memória dos Falecidos. O objetivo é o mesmo: confortar as famílias que choram pela dor da saudade, especialmente por aqueles que faleceram durante a pandemia (não apenas pela covid-19).

Frei Pedro de Oliveira, emocionado, deixou uma mensagem para todos que recordam com saudade de alguém que partiu. “O oceano é o mistério. A porta da nossa existência vai se reabrir para que possamos mergulhar por inteiro no grande mistério. A porta do Convento se abre e mostra o oceano. Esse oceano é Deus, é a eternidade, é o céu, é o que nos aguarda, é o que nos espera. Do outro lado Ele vai estar para nos conduzir a este mar infinito chamado eternidade”.

O frade recordou um escrito de Lya Luft, “Luto e Renascimento”: “Escrevo sobre o amor e a vida em todas as formas. Assim também necessariamente falo na morte. Fazendo aqui um pouco de literatura, posso dizer que a morte é que escreve sobre nós – desde que nascemos ela vai elaborando conosco o nosso roteiro. Ela é a grande personagem, o olho que nos contempla sem dormir, a voz que nos convoca e não queremos ouvir, mas pode nos revelar muitos segredos. O maior deles há de ser: a morte torna a vida tão importante! Porque vamos morrer, precisamos poder dizer hoje que amamos, fazer hoje o que desejamos tanto, abraçar hoje o filho ou o amigo. Temos de ser decentes hoje, generosos hoje… devíamos tentar ser felizes hoje”.

A Missa deste mês de abril teve participação de mais de cem famílias e foi transmitida ao vivo pelo Facebook, Instagram e YouTube do Convento da Penha. As fotos foram exibidas numa homenagem especial e orante. Confira abaixo.

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