Frei Paulo: “recordar os mortos é pensar na brevidade da existência”

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Paz e Bem!

Com o objetivo de trazer conforto e alento aos corações entristecidos, a fraternidade do Convento da Penha realizou na tarde desta segunda-feira (28), mais uma edição da Missa em Memória dos Falecidos, a celebração do Abraço e da Esperança. Uma maneira de fortalecer a certeza da ação do Deus da Consolação sobre as mais duras realidades diante da morte. A Missa ocorre há mais de um ano e, nos primeiros meses da pandemia, era celebrada todas as semanas.

Desde o início da semana passada, os freis avisaram aos fiéis nas Missas (presenciais e transmitidas) que aqueles que desejassem, podiam enviar para o WhatsApp do Convento (27 99731-9450) uma fotografia com nome e data do falecimento de um ente querido falecido de dezembro até hoje, assim, as imagens seriam exibidas em um Mural no início da Celebração. Foram enviadas mais de 80 fotos entre falecidos em decorrência da covid-19 e de outras causas.

A Missa foi presidida pelo Guardião do Convento, Frei Paulo Roberto Pereira, que reiterou a importância de recordar, com gratidão, tantos irmãos e irmãs que perderam a vida no tempo da pandemia. “Nesses tempos de pandemia, estamos vivendo situações muito entristecedoras. A morte por si só já nos abate, mas uma morte se despedidas nos abate ainda mais. Velórios não podem acontecer como nós estávamos acostumados, às vezes as despedidas são feitas de uma maneira muito ligeira, rápida, sem o apoio dos amigos, mas não pode faltar a prece da Igreja, não pode faltar a celebração da confiança da bondade do Senhor. É por isso que nós, freis franciscanos insistimos, antes fazíamos semanalmente, agora, uma vez por mês nós queremos recordar a vida desses nossos irmãos que nos deixaram”.

E continuou: “A celebração de hoje tem a tônica da gratidão, porque quando recordamos os falecidos, nós o fazemos com gratidão. Gratidão a Deus, não por nos ter levado, por nos ter privado da convivência, mas por Deus nos ter concedido a ocasião de crescer junto, de aprender as coisas juntos, de cuidar, de deixar-se cuidar… A saudade pode ser grande e deverá só aumentar, mas nosso sentimento de gratidão nos conforta, nos consola a todos. Que Deus traga dos céus, derrame abundantemente sobre nós o entendimento, a consolação, nos faça comprometidos cada vez mais com o viver e viver comprometido com a vida”, afirmou o Frei no início.

Outro momento de bastante emoção foi quando o cantor Victor Danezio interpretou, pela primeira vez no Convento, uma canção escrita por Cristiane e Marcos da Matta, que recorda os mais de 500 mil mortos por causa da covid em todo o país. “Até quando, Senhor? Até quando? / Veremos nossa vida ser ceifada, / Roubada, dizimada?”, diz parte da letra.

Assista ao Mural com as fotos enviadas para o WhatsApp do Convento e a canção na voz do Victor.

Ao final, o Guardião voltou a emocionar a todos quando afirmou que “A nós que ficamos, quando recordamos os mortos, temos a oportunidade de pensar como estamos vivendo, pensar na brevidade de existência, sobretudo nestes tempos de pandemia, devemos ser convidados a dar mais qualidade para nosso viver e nosso conviver. A morte surpreendeu muita gente. Faltaram despedidas, faltou aquela palavra de apreço, carinho e até de perdão. Que a gente possa qualificar a nossa vida para não sermos surpreendidos pela morte” e finalizou pedindo: “Que a gente dê atenção às pessoas enquanto elas vivem conosco! É fundamental que essa postura de comprometimento com a vida seja autêntica entre nós.”

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