Frei Galvão: referencial para a evangelização da Província

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Paz e Bem.

No encerramento do Fórum de Evangelização da Província Franciscana da Imaculada Conceição, nesta quinta-feira, 10 de novembro, o Ministro Provincial, Frei Paulo Roberto Pereira, presidiu a Celebração Eucarística, que reuniu os frades que atuam nas cinco Frentes de Evangelização e no Governo Provincial com os Definidores. Tendo como tema a “Vida Evangelizadora das Fraternidades”, o Fórum teve início no dia 7 de novembro no Seminário e Casa de Encontros Santo Antônio, em Agudos (SP). Frei Diego Atalino de Melo, reitor do Santuário Frei Galvão, fez a homilia.

Frei Diego tomou como modelo Frei Galvão, frade desta Província, para apresentá-lo como referencial das cinco Frentes, mostrando a totalidade do trabalho evangelizador deste primeiro santo brasileiro, evitando-se, assim, o risco de ligar os santos com “alguns fragmentos de suas histórias”, como a santa das rosas, Santa Teresinha do Menino Jesus; o santo casamenteiro, Santo Antônio; e o santo das pílulas, Frei Galvão, para citar alguns exemplos.

“E hoje, encerrando esse Fórum da Evangelização, queremos nos apropriar da grandiosidade de Frei Galvão, tomando sua identidade carismática como inspiração para as nossas 5 Frentes de Evangelização”, explicou o celebrante. Neste ano, a Província está celebrando os 200 anos da morte da Frei Galvão.

Frente da Educação
Para a Frente da Educação, Frei Galvão se torna um referencial de busca do conhecimento, de erudição e de pesquisa. Portador de uma boa formação acadêmica, iniciada com os jesuítas e complementada pelos nossos Frades, Frei Galvão destacou-se como um bom pregador, um exímio orador e conselheiro de muita gente. Poeta e escritor, Frei Galvão compartilhou sua sabedoria ao redigir os estatutos das Irmãs do Recolhimento da Luz. Ao mesmo tempo, esteve presente na fundação da Academia dos Felizes, que viria ser a Academia Paulista de Letras. Tais feitos de Frei Galvão confirmam para nós, enquanto Frente da Educação, o quão importante é investir no conhecimento e no estudo, fazendo da vida e do testemunho a melhor síntese entre teoria e prática.

Frente da Comunicação
Como um bom frade menor, Frei Galvão tinha o desejo de tornar a boa nova do Evangelho cada vez mais conhecida. Alimentava dentro de si o anseio por fazer chegar ao maior número possível de pessoas a mensagem que traz vida e que liberta. A partir dos relatos do seu dom sobrenatural da bilocação, podemos concluir que Frei Galvão, no seu tempo e do seu modo, realizou aquilo que hoje os nossos meios de comunicação fazem com tanta mestria: levar ao mesmo tempo para diferentes lugares o Evangelho de Jesus.

Frente das Paróquias, Santuários e Centros de Acolhida
Ao longo da seu apostolado no Convento São Francisco, em São Paulo, Frei Galvão exerceu a tríplice função de confessor, pregador e porteiro.
Como confessor, foi canal de reconciliação e de misericórdia. Mais do que perdoar pecados, Frei Galvão nos ensina a vencermos as divisões, as polarizações e os distanciamentos. Ele nos lembra que o caminho da reconciliação é possível.
Como pregador, o primeiro Santo Brasileiro soube levar o povo à maturidade na fé, traduzindo de forma compreensível a todos as riquezas e profundidades da teologia. Em tempos de manipulação da fé, em que se impõem cabrestos, medos e pânico em nome de Deus, Frei Galvão nos lembra que a verdadeira pregação é aquela que alivia os fardos e suaviza o julgo, conforme nos lembra o Evangelho. E, por fim, Frei Galvão ensina às nossas paróquias e santuários a serem expressões de uma verdadeira e gratuita acolhida. Ele, como porteiro, exerceu com mestria a hospitalidade fraterna com todos, ricos e pobres, letrados e simples, escravos e livres, e nos ensina a sermos também paróquias e santuários de portas abertas, sempre prontos a acolher.

Frente das Missões
A biografia de Frei Galvão, bandeirante de Cristo, nos aponta para uma Igreja Missionária, presente nas casas, na realidade das pessoas. Suas inúmeras viagens, sempre feitas a pé, testemunham o jeito franciscano de ir pelo mundo, anunciando a paz. Castro, Piraí do Sul, Itu, Sorocaba, Guaratinguetá, Taubaté, São João do Paraitinga, Rio de Janeiro e outras localidades visitadas pelo itinerante Frei Galvão, testemunham seu espírito missionário disposto a estar nas casas de família, a ouvi-las, ajudá-las, reconciliá-las e exortá-las na fé. Como não perceber em toda essa trajetória um verdadeiro modelo missionário e evangelizador?

Frente da Solidariedade
Como um pobre franciscano, Santo Antônio de Sant’Anna Galvão assumiu também a causa dos mais pobres. Há relatos em que muitas vezes ele mesmo pagava as dívidas dos trabalhadores e escravos que estavam construindo o Mosteiro da Luz, pois sabia de suas dificuldades em quitar suas contas. No entanto, sua solidariedade não se reduzia a um assistencialismo, pois era capaz de colocar-se na defesa das vítimas da violência. Sabemos que sua expulsão de São Paulo se deu pelo fato de ele ter se oposto publicamente ao Capitão General Martins Lopes que havia decretado a pena de morte para um de seus soldados, o Caetaninho.
Assim, em tempos de institucionalização do ódio, da violência e da morte, Frei Galvão nos inspira a não termos medo de assumirmos posturas proféticas de defesa da vida. Seu exemplo nos encoraja a enfrentarmos até mesmo as perseguições em nome da justiça e da paz, assumindo sempre o lado dos mais fracos e dos últimos.

Criatividade pastoral
Retomando o início da reflexão, quando Frei Diego disse que não se pode reduzir Frei Galvão às suas pílulas de fé, ele também lembrou que seria um equívoco não citá-las como expressão da sua vida. “O nascimento da história das pílulas se deu com a impossibilidade de Frei Galvão ir até a casa de um homem com fortes dores nos rins. Ao invés dele simplesmente dizer que não poderia atendê-lo, encontrou um jeito de se fazer presente. Um pequeno pedaço de papel, com uma oração a nossa Senhora, se tornaram a forma possível de expressar presença e consolo. Para Frei Galvão não existia agenda cheia, fim de expediente ou dia de folga. Sua prioridade era entregar-se totalmente pelo povo”, recordou o frade.

“Assim, as pílulas são a mais genuína expressão da criatividade pastoral desse grande frade. Quem quer, sempre encontra um jeito de ajudar, de evangelizar, de se fazer próximo. Talvez, assim como nos lembra o Evangelho, as pílulas são esses sacramentais compreensíveis somente pelos simples e humildes, e não pelos sábios e entendidos. Para quem realmente tem a fé dos pequenos e últimos, até mesmo um papelzinho com uma oração pode se tornar um canal de graça e encontro com o sagrado”, ensinou o celebrante.

Para Frei Diego, ainda haveria muito a ser dito sobre Frei Galvão: seu espírito de empreendedor e de construtor, sua profunda espiritualidade mariana, sua proximidade e carinho com a Ordem Terceira de São Francisco, de quem foi assessor etc.

“No entanto, é importante lembrar as palavras de São Francisco de Assis na sua VI Admoestação, que nos adverte que seria uma grande vergonha, para nós, religiosos, ganharmos elogios e reconhecimento simplesmente pelo fato de contarmos ou narrarmos os feitos dos Santos”, ponderou o frade.

“Portanto, para nós, Frades Menores, o melhor jeito de bem celebrarmos a memória de Frei Galvão é atualizar a sua proposta de vida. É colocarmos em prática o seu legado. É, através das nossas 5 Frentes de Evangelização, mostrarmos que a vida e a obra desse nosso confrade Santo têm muito a nos ensinar e que podem contribuir e muito para sermos uma verdadeira Província em saída, evangelizadora e Missionária. Que São Frei Galvão, homem da paz e da caridade, nos ajude a encarnar em nossas vidas e fraternidades os valores que o levaram até os altares como modelo de vida e santidade”, concluiu Frei Diego.


Fonte: portal franciscanos.org.br | Fotos: Frei Roger Strapazzon

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