Paz e Bem.
A Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, que marca também o início do Ano Civil, foi celebrada na manhã desta quinta-feira, 1º de janeiro de 2026, no Convento da Penha. A Missa, a primeira do ano, foi presidida pelo Frei Gabriel Dellandrea, OFM, e reuniu muitos fiéis que subiram ao Santuário, lotaram a Capela e colocaram o novo ano sob a proteção materna da Virgem da Penha.
Durante a celebração, a assembleia elevou suas preces com a resposta: “Mãe de Deus, clamamos a vós!”, expressando a confiança na intercessão daquela que é reconhecida pela Igreja como Mãe do Deus encarnado e Mãe próxima de todos os seus filhos.

Na homilia, Frei Gabriel refletiu sobre o início de um novo ano e as inúmeras orientações que circulam nas redes sociais sobre metas, hábitos e promessas. Segundo ele, embora muitas dessas propostas tenham seu valor, os cristãos são chamados a buscar uma inspiração mais profunda e duradoura, deixando de lado superstições. “Nós, que aqui estamos, proclamamos que nós não queremos seguir orientações de outras pessoas desconhecidas. Nós viemos buscar a orientação, o modelo e o exemplo de alguém que, tendo vivido com intensidade o seu sim ao Senhor, nos inspira na nossa caminhada de fé. Esta pessoa nos indica o caminho da vida eterna, a maior riqueza possível, muito mais do que um bilhão. Esta pessoa indica-nos para nós o verdadeiro alimento, não o do corpo, mas sim o do espírito”.
“E esta pessoa também nos mostra os verdadeiros exercícios que devemos realizar. Embora devemos fazer também para o cuidado do corpo, esta pessoa nos indica o exercício espiritual da obediência à vontade de Deus e da confiança plena. Esta pessoa que viemos procurar hoje nesta liturgia, portanto, irmãos e irmãs, nos aponta valores muito maiores do que qualquer outra poderia nos apontar neste momento do ano, o primeiro dia. E quem viemos procurar e quem viemos buscar orientação é a Virgem Maria, Mãe de Deus, a dona da casa que nos acolhe sempre aqui e que neste primeiro dia de janeiro não seria diferente. A Virgem Maria é caminho seguro para seguirmos a vontade do Senhor. É modelo certo nas horas difíceis. É, portanto, aquela que realmente tem algo a nos dizer profundamente e não só pelas redes sociais. Ela não é uma desconhecida ditando regras sobre nós. Ela é uma mãe próxima, sempre atenta a nós e que nos acolhe com o seu amor materno. Temos uma mãe e no primeiro dia de janeiro queremos vir tomar café da manhã com ela porque queremos buscar nela a inspiração para os outros 365 dias do ano. E esta mãe, meus irmãos e minhas irmãs, hoje na liturgia tem um título, Santa Maria, Mãe de Deus. Vamos repetir? Santa Maria, Mãe de Deus”, disse o Guardião.

Ao explicar o título celebrado pela Igreja neste dia, o frade ressaltou o sentido profundo da maternidade divina de Maria, fundamentada no mistério da Encarnação: Ela é Mãe de Deus, não Mãe da Trindade, mas Mãe do Deus Encarnado, do Filho de Deus, Jesus Cristo. E este título, Mãe, é muito apropriado para o primeiro dia do ano. Ao invocarmos Santa Maria, Mãe de Deus, no primeiro dia do ano, invocamos esta maternidade capaz de gerar em nós nova vida. Nós também, irmãos e irmãs, podemos ouvir a voz de Deus, que neste primeiro dia do ano quer gerar em nós vida nova”, explicou.
Ainda na homilia, Frei Gabriel recordou que, em 2026, a Igreja celebrará os 800 anos da Páscoa de São Francisco de Assis, que é inclusive a inspiração para a temática da Festa da Penha, apresentando o santo como modelo de vida cristã, ao lado de Maria. Citando um texto franciscano, destacou a dimensão espiritual de “gerar Cristo” na própria vida: “São Francisco diz que nós também somos mãe de Jesus quando geramos Cristo nas nossas ações. Todas as vezes que abrimos mão de nossas vontades e, assim como Maria, escutamos a voz de Deus, nós geramos uma nova vida dentro de nós e um dia, vamos dizer como o Apóstolo Paulo ‘não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim. Isso é também gerar Jesus”.

Antes da Bênção final, Frei Gabriel fez um gesto simbólico e orante, convidando os fiéis a olharem para a Imagem da Virgem da Penha e, em silêncio, identificarem uma virtude de Maria que cada um se comprometeria a colocar em prática ao longo de 2026.
O gesto encerrou a celebração como um envio missionário para o novo ano, reforçando o convite feito ao longo da homilia: viver um ano verdadeiramente novo, não apenas nas promessas externas, mas na fidelidade à vontade de Deus. “Que não seja só uma passagem de ano mais uma vez, mas que seja de fato um ano novo, onde colocamos o Senhor como nosso modelo e, por isso, temos uma vida nova, baseada na vontade de Deus”












































