Paz e Bem.
Na manhã deste domingo, 8 de março, 3º Domingo da Quaresma e Dia Internacional da Mulher, fiéis participaram da Santa Missa celebrada às 9 horas no Campinho do Convento da Penha, em Vila Velha. A celebração foi presidida por Frei Evaldo Ludwig, Vigário do Convento, que refletiu sobre o Evangelho do encontro de Jesus com a samaritana, destacando a acolhida de Cristo, a conversão quaresmal e a dignidade da mulher.
Milhares de fiéis subiram ao Santuário de Nossa Senhora da Penha e muitos outros acompanharam a transmissão pelas redes sociais e pela Rádio América, 91.1 FM na Grande Vitória.
Logo no início da homilia, Frei Evaldo recordou que a Quaresma é um tempo de revisão de vida e de aprofundamento espiritual iniciado na Quarta-feira de Cinzas. “Durante os tempos que nós já passamos, desde a Quarta-feira de Cinzas, nós fomos convidados lá naquele dia a vivenciar a simplicidade da existência, fazer aquilo com o coração que nós devemos fazer com verdade e espírito, com simplicidade, com esmola, com jejum, com oração. Mas tudo isso de uma maneira muito pessoal, uma transformação pessoal, uma simplicidade humana que comunica muito mais do que a rejeição dos atos externos.”
O frade também recordou o caminho espiritual proposto pelos Evangelhos dos primeiros domingos da Quaresma: o reconhecimento da fragilidade humana diante das tentações e a revelação da glória de Cristo na Transfiguração. “Nós estamos vivendo num tempo que só é aquilo que aparece, não importa a essência de cada um. O importante é mostrar para os outros e, na maioria das vezes, aquilo que não é. No segundo domingo, domingo passado, ao olhar para a nossa condição humana e o nosso grande empenho e atividade em vencer esse nosso impulso, esse impulso carnal da ganância, do poder, da soberba, nós somos convidados a viver a nossa verdade, viver a nossa existência. E Jesus Cristo se mostrou transfigurado, aquilo que de fato ele é, divino, glorioso. E o Pai nos disse, esse é meu filho amado, porque Jesus Cristo nem isso precisava dizer, porque todas as pessoas reconheciam quem ele era e nele davam o sentido e a eficácia da sua missão aqui na terra. Mas o Pai nos disse, escutai o que ele vos disser, esse é meu filho, é o amado, é aquele que amo, é aquele que vai demonstrar aqui na terra todo o meu amor, tudo aquilo que eu sou, toda a minha verdade. E nós então chegamos agora ao terceiro princípio dessa quaresma, Jesus Cristo como a fonte, a nascente, aquilo que nos mata a sede, aquilo que nos satisfaz, aquilo que nos conduz, aquilo que nos dá um empenho, aquilo que nos dá verdade, aquilo que nos dá eficiência”, disse.

O encontro com a Samaritana
Ao comentar o Evangelho do 3º Domingo da Quaresma, o vigário destacou o encontro entre Jesus e a mulher samaritana junto ao poço, símbolo da acolhida e da misericórdia de Deus. “Temos uma figura central hoje e neste dia, por feliz coincidência, que celebramos o dia dedicado a todas as mulheres, temos como centro do encontro de Jesus Cristo a samaritana, uma mulher, e uma mulher que era simplesmente julgada e condenada. Já vivia alguns relacionamentos e ela ia ao meio dia tirar água do poço, porque era o único momento que não ia ter ninguém ali, ela não encontraria ninguém e ela ali não seria apontada e xingada, julgada. Era o único momento que ela podia ir e não enfrentar nenhum julgamento ou condenação. Mas ela encontra Jesus Cristo e diferente de julgamento, de condenação, ela encontra em Jesus Cristo uma acolhida fraterna, aonde essa acolhida fraterna mostra para ela um outro horizonte, que ao invés de julgar, nós precisamos acolher, ao invés de espantar, nós precisamos abrir os braços, ao invés de julgar, nós precisamos antes compreender a existência de cada pessoa”, recordou.
“E esse encontro é fecundo, – continua Frei Evaldo -, é um encontro comovente que São João nos mostra. Uma mulher julgada, apontada, discriminada, uma mulher que era simplesmente deixado de lado pelo próprio povo samaritano e pelos judeus, uma mulher que era condenada, essa mulher encontra em Jesus Cristo, dai-me de beber, que sede que essa mulher encontrou em Jesus Cristo. E Jesus Cristo mostrou para essa mulher samaritana sem nome, mas que olha a imensidão de todos os julgamentos presentes que todos os samaritanos possuíam, mostra de uma maneira uniforme, a maneira discriminatória que o povo samaritano era tratado, coloca ao lado que nós podemos também poderíamos compreender o lado frágil, que é uma mulher, que é o feminino”, comentou.

Homenagem e reflexão no Dia Internacional da Mulher
O Vigário do Convento, em sintonia com o Dia Internacional da Mulher, destacou o valor da mulher na sociedade e na vida da Igreja, lembrando sua importância na transmissão da vida e na vivência da fé. “De frágil a samaritana não tem nada e nunca teve, e é esse mesmo exemplo da samaritana que nós devemos hoje encontrar em Jesus Cristo a nossa força, porque a samaritana ela fez algo que para nós é muito necessário, ela abriu a sua mente e o seu coração para acolher a novidade de Jesus Cristo. E quando a gente abre a nossa mente, o nosso ouvido, o nosso olhar, o nosso coração, a gente consegue escutar, e quando a gente escuta de verdade, o nosso coração pulsa e a nossa vida se transforma. Nesse dia em que nós celebramos o Dia Internacional da Mulher, a figura tão importante da nossa sociedade, a mulher como grande elemento fecundo de todas as nossas gerações, a mulher como um princípio tão adorado por Deus, feito com caridade, que só a mulher tem a capacidade de gestar no seu próprio ventre uma nova vida. A mulher ela é a novidade, ela é o feminino, ela é o carinho, ela é a atenção, ela é a disposição, ela é o cuidado. Tudo isso quando a gente fala da mulher, nós não estamos denigrindo a imagem do masculino, muito pelo contrário, porque o masculino ele vem ao mundo pelo útero de uma mulher, e é do útero de uma mulher que nós homens nascemos, e por isso que nós devemos reverenciar, cuidar, proteger, ser sempre dedicado a todas as nossas mulheres”.
O frade também chamou a atenção para a realidade da violência contra as mulheres no Brasil e reforçou a necessidade de respeito e proteção. “Vivemos um tempo vergonhoso no nosso Brasil, a cada hora, de cada dez mulheres no nosso solo, três mulheres são violentadas dentro da sua própria casa. Homens que se acham no direito de agredir enquanto deveria cuidar, homens que se acham no direito de agredir não só verbalmente, de uma maneira psicológica também, moral, mas também física. E quantos feminicídios dentro do nosso solo brasileiro que mancha, mancha a nossa nação, e que tem a maioria da nossa população formada por mulheres, a maioria, a maior parte de nós brasileiros são mulheres, e nós não cuidamos delas, nós não protegemos e nós não damos o devido valor. Sim, nós devemos pensar que nesse tempo, como o encontro com a Samaritana serve para nós de uma grande lição, mas também oportunidade”, afirmou Frei Evaldo.
“Mulher não é o sexo frágil, nunca foi, porque se não fosse o vigor das mulheres aqui na terra, diante de nós e da nossa sociedade, nós estaríamos perdidos, porque se nós temos uma demonstração de afeto tão profundo, nasce pelo coração da mulher, e só consegue demonstrar amor àquele que é forte, que é vigoroso, que não tem vergonha de ser aquilo que é, e isso nós encontramos pelo gesto das mulheres. O feminino é necessário, nós somos formados por esse elemento tão primordial que Deus hoje se encontrou com ele, Jesus e a Samaritana, Jesus e todas as nossas mulheres do tempo presente. Nós poderíamos dizer que o encontro de Jesus com a Samaritana nos pede algo muito bonito no tempo, de ver o quanto que as nossas mulheres demonstram o seu amor por Jesus Cristo, é só a gente pegar hoje nós que estamos aqui, veja quantas mulheres estão aqui, quantos homens estão aqui, a nossa igreja ela é fecunda na maior parte das vezes por mulheres, a gente olha para as nossas assembleias, a maioria absoluta são mulheres, as mulheres são a demonstração do encontro de Jesus com a Samaritana, e é nesse encontro que as mulheres olham para Jesus Cristo e o escutam, o compreendem, o amam e colocam isso em prática dentro da sua missão”, disse o frade.
Ele ainda encorajou mulheres que sofram violência a denunciar e não permanecerem em silêncio. “A mulher que nós hoje celebramos é algum elemento fecundo da nossa vida e da nossa existência e que nós devemos amar, cuidar e proteger, e você mulher, tanto você que está aqui presente, você que nos acompanha pelas redes sociais, você que está ouvindo pela Rádio América neste momento, se você sofrer qualquer tipo de violência, denuncie, não fique calada nunca, porque nós não podemos tolerar que em 2026 ainda tenha uma mulher que sofra violência porque é considerada mais frágil do que o homem, isso é impensável, nós não podemos de modo algum tolerar nosso tempo presente, no encontro de Jesus com a Samaritana, Jesus não viu uma mulher frágil, uma mulher fraca, Jesus viu uma mulher forte, uma mulher forte porque mesmo sendo julgada, condenada, oprimida por ser Samaritana e não ter uma vida como os outros pensavam que era certa, essa mulher saía de casa, essa mulher não parava sua vida, ela lutava para encontrar o seu lugar neste mundo”, pediu.

O exemplo de Maria
Ao concluir a reflexão, Frei Evaldo recordou a figura de Nossa Senhora como exemplo para todas as mulheres e pediu a proteção de Deus sobre elas. “Que Nossa Senhora da Penha nos dê a força do vigor que Maria teve, que toda mulher olhe como ao exemplo de Maria, a sua caminhada, que cada mulher olhe para ela como grande esperança de construir um mundo melhor e a mulher é para nós o grande presente de Deus que gera a vida aqui na terra, como diz São Francisco olhando para Maria, São Francisco olhava para Nossa Senhora e dizia Maria foi o primeiro tabernáculo vivo da humanidade, o primeiro sacrário vivo da humanidade e as mulheres nos trazem esse presente aqui na terra, tem a capacidade de trazer no dom da sua vida a gestação e dar uma nova vida para o mundo, que Deus nos dê a graça de respeitarmos todas as nossas mulheres e que nós tenhamos a oportunidade de ter o encontro fecundo com Jesus Cristo como teve a Samaritana, mesmo sabendo das nossas falhas, dos nossos defeitos, nós devemos buscar em Jesus esta água que mata e sacia o dom da nossa vida”, concluiu.
O frade finalizou convidando todos a buscar em Cristo a “água viva” que sacia a sede espiritual e transforma a vida, assim como aconteceu no encontro de Jesus com a samaritana.
Durante a Oração Eucarística, no momento de recordar os falecidos, Frei Evaldo rezou por todas as vítimas de feminicídio, todas as vítimas da violência.



































