Frei Djalmo na Vigília: “Em cada gesto de cuidado do ser humano, é Natal!”

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“O povo que andava na escuridão viu uma grande luz, para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu” (Isaías 9,1).

Paz e Bem!

Naquela noite escura e fria de Belém a vida nasceu. Deus cumpriu sua promessa em Jesus, pelo “sim” de Maria. A Luz resplandeceu em plena escuridão!
Celebrar o Natal é recordar a humildade de um Deus que se fez gente como a gente, é reconhecer a grandeza do Pai que entregou seu Filho por amor a todos nós. No fim da tarde do dia 24 de dezembro, a fraternidade franciscana do Convento se reuniu na Capela do Convento para celebrar o Menino Deus. Os fiéis não desanimaram nem mesmo com a chuva que caía sobre a Grande Vitória.

Depois da acolhida feita pelo frei Alberto Gamba, jovem angolano que está no Convento com o Frei Benjamim Njle Songa (ambos estudantes no tempo da filosofia), ao iniciar, Frei Paulo César Ferreira entoou o “Hino ao Verbo de Deus” com base musical do frade estudante Lucas Almeida, anunciando a chegada do Natal do Senhor. Na sequência, Frei Djalmo Fuck, Guardião e Reitor da Penha, que presidiu a Solenidade, acolheu a todos na Capela e os que acompanhavam pela internet.

Na homilia, o Guardião enfatizou que mesmo diante de tantos desafios, angústias e preocupações, de tantos medos e lágrimas, o Natal é festa da alegria, da esperança e da luz; e devemos, portanto, desejar ver a Luz. “O Natal é sempre uma festa iluminada, festa da alegria. Sem luzes não há Natal porque o Natal é tudo, menos escuridão, solidão e isolamento. Natal é a festa da comunhão, da proximidade de Deus. O Natal é a festa da luz que jamais se apagará. E nesta noite, envoltos pela escuridão, impregnados de humanidade e criaturas que somos, percebemos que tal noite é mais clara que o dia. Vemos uma grande luz, maior e mais brilhante que todas. Um anjo do Senhor apareceu aos pastores, a glória do Senhor os envolveu em luz e este é o sinal, segundo o Evangelho de Lucas: ‘Hoje nasceu para nós o Salvador, que é Cristo Senhor'”, disse Frei Djalmo.

“Esta é a noite das contradições, escandalosa para os fariseus e mestres da lei: Deus se faz carne para elevar nossa humanidade, se rebaixa, assume nossas trevas cotidianas, nos devolve a dignidade. O tempo, a carne, as lágrimas, a dor é o ‘lugar salvífico’ de Deus. Deus não se revela nem nos salva no extraordinário, no exótico, no mágico, nem fora do tempo e do mundo, mas na carne de um menino. Ele se faz um de nós! Por isso o chamamos de Emanuel, Deus Conosco”, exaltou o presidente da Celebração.

Ainda falando sobre a Luz Resplandecente do Cristo, Frei Djalmo afirmou que nos fazemos uma grande pergunta: “o que eu vou iluminar com esta luz?”. Sua resposta se voltou para o ensinamento que brota do presépio. “Nós precisamos nascer a cada dia, sempre nos reerguer. O que Deus nos ensina no presépio é a audácia de nascer, a audácia de nascer mesmo na fragilidade, na nudez, na morte, na precariedade, no ‘não preparado’, na vida como ela é, mas com a capacidade de florescer. Jesus vem para isso: Jesus vem, não para o mundo idealizado, mas para o mundo real. Para o mundo concreto, cheio de feridas, de divisões, de coisas por tratar, de mudanças a inscrever. Nesse sentido, Ele é uma luz”, esclareceu.

Antes de convidar os fiéis para o júbilo do grande acontecimento do Natal do Menino Deus, Frei Djalmo disse que é preciso ter um coração humilde e cuidadoso. “Nesta noite santa ‘vemos uma grande luz!’. Ela se faz notar por cada um que tem o coração humilde e cuidadoso como pastores que, vigilantes na noite escura, cuidam do rebanho. Em cada gesto de cuidado do ser humano, é Natal! Em cada coração aberto ao próximo, é Natal! Em cada vida que se faz doação, é Natal! Ontem em Belém, hoje aqui e amanhã em cada canto do mundo, Deus vem ao nosso encontro, apesar e mesmo em nossas escuridões. Por isso, não há motivo para termos medo. No lugar do medo, a alegria anunciada pelos anjos, estes mensageiros do sagrado, ontem, hoje e sempre”, comentou.

Por fim, Frei Djalmo convocou os fiéis: “queridos irmãos e irmãs, deixemos ressoar em nossas vidas, quais sinos humanos, de carne e osso, a alegria do Natal: alegria verdadeira que nos enche de paz. Porque para nós – sim, para nós pecadores, frágeis e tantas vezes cercados de trevas – foi nos dado um Menino, a criança que tudo renova hoje e sempre. “O povo que andava na escuridão viu uma grande Luz”.

Confira a homilia na íntegra abaixo:

Ao final, durante a Oração Diante do Menino Jesus, Frei Djalmo conduziu a pequena imagem até os fiéis, passando pelo meio e abençoando a todos, depois rezou e conclamou vivas ao “Recém Nascido”. Na bênção final, deixou uma mensagem dos freis do Convento a todos os devotos de Nossa Senhora da Penha.

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