Celebração marcou a apresentação do novo confrade à comunidade de fé, um convite à experiência da “cultura do encontro” e da conversão do olhar.
Paz e Bem.
A Fraternidade Franciscana do Convento da Penha acolheu, com alegria e espírito fraterno, o mais novo frade da Penha: Frei Evaldo Ludwig, OFM. Ele foi oficialmente apresentado aos fiéis durante a Santa Missa celebrada na Capela de Nossa Senhora da Penha, presidida pelo próprio Frei Evaldo e concelebrada pelo Guardião do Convento, Frei Gabriel Dellandrea, com a participação dos devotos presentes e daqueles que acompanharam a transmissão pelas redes sociais.
A acolhida aconteceu em clima de gratidão e esperança, ressaltando a dimensão vocacional e itinerante da vida franciscana, baseada em pobreza, castidade e obediência. “São presentes que são dons de verdade, que vêm para transformar a nossa vida e fazer com que as coisas fiquem ainda mais belas, mais animadas, mais festivas”, foi com essa afirmação afetuosa que Frei Gabriel acolheu o confrade, “como um verdadeiro dom para a fraternidade. Utilizando a simbologia do tempo natalino, destacou que a chegada de novos freis é um presente que transforma a vida comunitária.
Ao anunciar oficialmente a chegada de Frei Evaldo, o Guardião ressaltou que o frade “veio para ficar” e já se colocou à disposição da missão no Convento: “O outro grande presente é o Frei Evaldo Ludwig, que hoje preside esta Eucaristia. Chegou ontem à noite, já viu o pouso mais bonito do Brasil, e vindo para o Convento da Penha, veio para ficar. É a primeira vez que toca em solos capixabas e já veio de mala e cuia, literalmente, porque ele toma chimarrão e gosta muito. Eu quero, com essas palavras, também acolher o Frei Evaldo na leitura que nós ouvimos hoje de manhã, nas Laudes, na carta aos Efésios, nós ouvimos, sede bons uns para com os outros. Eu espero, Frei Evaldo, que você experimente aqui na nossa fraternidade e também com os peregrinos de Nossa Senhora da Penha, os peregrinos presentes e os virtuais que nos acompanham, que você experimente a bondade de Deus.

Concluindo a acolhida, agradeceu pela disponibilidade e pelo “sim” dado na obediência franciscana: “[…] Nós acabamos de cantar ‘o Senhor me chamou e eu respondi, eis-me aqui’. Você, então, ao aceitar essa transferência com a graça da obediência que nós recebemos, que sempre vem para encantar a nossa vida, você disse, ‘eis-me aqui’. E desde o início, sempre muito animado, já se colocou à disposição da nossa fraternidade. Então, Frei Evaldo, muito obrigado por ter dito sim. Muito obrigado pela sua presença aqui. E que esta sua vivência aqui conosco possa continuar, porque já está nos encantando.
Frei Evaldo se apresentou pessoalmente à comunidade, partilhando brevemente sua trajetória vocacional e manifestando sua alegria em iniciar a missão no Convento da Penha: “É um prazer estar aqui conhecendo o Convento da Penha e morando aqui. Eu sou o ‘peregrino residente’ agora. É uma alegria celebrar e estar aqui nessas terras. Eu sempre tive a vontade de morar, de vir fazer estágio pastoral aqui, mas nunca tive oportunidade. Mas agora estou tendo e vou aproveitar ao máximo esse lugar aqui. E por isso, e hoje o tema da liturgia dessa semana inteira é muito bonito. Ele diz que nós vamos pedir, na oração, que Deus nos dê a possibilidade de ver o que não é visto e de fazer aquilo que não é feito”, disse.
Homilia: um convite a ver, sentir e caminhar de modo novo
Na homilia, Frei Evaldo refletiu sobre os evangelhos proclamados ao longo da semana após a Festa do Batismo do Senhor, destacando o chamado de Jesus a uma nova visão de vida, marcada pelo encontro, pela libertação e pela sensibilidade. “Desde o nascimento do Filho de Deus, somos convidados a começar a ver diferente. Jesus chama: ‘Vem, segue-me’ e aqueles que o seguem passam a viver um novo modo, uma nova visão de vida”, afirmou.
“Perceber a força que a nova visão de Jesus Cristo nos proporciona. Uma visão de nos libertar. Jesus está dentro do templo quando chega o homem possuído pelo demônio e ele reconhece Jesus Cristo. E Jesus Cristo fala com autoridade. E a fala de Jesus Cristo com autoridade, ela abre a visão de todos nós. Na quarta, essa visão foi nos possibilitada a criar em nós uma nova sensibilidade. Jesus está na casa da família de Pedro. Cura a sogra de Pedro, cura outros doentes. Outros doentes foram levados até Jesus Cristo. E essa nova sensibilidade, Jesus nos ensinou que para perceber e ser percebido é necessário o encontro. E na sensibilidade, essa libertação. Na quinta-feira, talvez o emblema mais interessante dessa semana. Se lá no domingo nós somos convidados a ver diferente, olhar Jesus Cristo como filho de Deus. Jesus Cristo se encontrou na quinta-feira com um homem leproso. E o leproso olha para Jesus Cristo e diz, se tu queres me curar, tu podes. Jesus olhou para ele e disse, eu quero. Fique curado. Jesus Cristo quer a nossa libertação”, contextualizou Frei Evaldo.

Frei Evaldo enfatizou que Jesus é aquele que abre horizontes e conduz a novos caminhos. “Quando a gente fica preso a nossa pequena visão de mundo ou no nosso cantinho, olhando simplesmente para o nosso umbigo, a nossa visão fica limitada. E eu quero, e quero que todos os outros comecem a olhar o mundo com a minha lente dos óculos. Enquanto nós temos muitas outras lentes no mundo. Jesus Cristo, ele é para nós essa abertura de mundo. E esse é o nosso convite. Se a gente olhar a propriedade de Maria, propriamente a vida, a pessoa de Maria. Quando Maria, ela se encontra com o anjo, ela começa a ter uma nova visão de mundo. E ela assume uma nova missão. O encontro de Pedro, de Tiago, de João, da sogra de Pedro, do leproso, do paralítico, do cego e de tantos outros doentes, no encontro com Jesus Cristo, eles começaram a ter um novo caminho”.
“Por isso o convite dessa semana para nós é nós não vamos ter uma nova visão de mundo se não tomarmos um outro caminho. E Jesus Cristo, ele é para nós esse outro caminho. Que Deus nos ajude, a cada um de nós, a fazer esse encontro com Jesus Cristo. Nós que estamos aqui no alto dessa montanha, que estamos aqui com fé e devoção, que Maria, nossa Mãe da Penha, ajude a gente a abrir a nossa visão. Nós não podemos descer dessa montanha do mesmo modo que subimos. Se alguém descer do mesmo modo em que subiu, é porque não fez a experiência. Vamos fazer a experiência e aproveitar. Pedir que Deus, Jesus Cristo, que nossa Mãe da Penha, nos abre a nossa visão e o nosso coração para andar por outros caminhos”, finalizou.

Antes da bênção final, Frei Gabriel convidou toda a assembleia a rezar de modo especial pela vocação, vida e missão de Frei Evaldo, seguindo o costume do Convento da Penha. “É um costume, Frei Evaldo, que no final das missas aqui no convento, antes da benção, a gente faça uma ave maria olhando para a imagem de Nossa Senhora da Penha, de onde também emana esta intercessão. E eu tenho certeza que todo mundo aqui tem um pedido e um agradecimento. Mas hoje você vai colocar o seu pedido e o seu agradecimento junto a esta oração. Mas vai colocar o mais importante, pela vocação, pela vida e pela missão do Frei Evaldo. Primeiro pedindo que aqui no Convento da Penha ele possa fazer uma boa experiência. Mas também agradecendo a Deus pela sua vocação”.
Unidos, os fiéis rezaram a Ave-Maria diante da imagem de Nossa Senhora da Penha e entoaram o hino da Virgem da Penha, no trecho “mais sacerdotes, ó Mãe envia. Sábios e santos, Ave Maria”.

Biografia de Frei Evaldo
Frei Evaldo ainda contou como nasceu sua vocação à vida religiosa franciscana. “Sou natural de Santa Catarina. Eu nasci no oeste catarinense, uma cidade chamada Campo Êre, divisa com a Argentina. Fui criado no Vale do Itajaí, numa cidade chamada Gaspar. Conheci os freis lá em 2004. Fiz acompanhamento vocacional, entrei em 2006. Fui ordenado diácono na cidade de Lages. Depois sacerdote em 2017. Morei em Xaxim, trabalhei em Lages também. Durante oito anos, estive no Convento Senhor Bom Jesus dos Perdões, em Curitiba. Cidade bastante fria, diferente da daqui. Mas são duas cidades que se cumprimentam pela devoção. Sou filho mais novo de três irmãos. E tenho 39 anos de idade. E conheci, na verdade, toda a minha vocação foi junto com os freis. Dois freis de modo especial, que iam bastante à minha casa, que é o finado Frei Bruno Fux e o Haroldo. E eu conheci os freis durante todo esse período da minha infância, catequese, adolescência. E aí depois resolvi entrar para o seminário”.
Frei Evaldo é natural de Campo Êre, Santa Catarina. Tem 39 anos, nasceu em 16 de novembro de 1986. Filho de Arno Inácio Ludwig e a mãe Doralina Rodrigues Ludwig. De 2009 a 2011 cursou filosofia em Curitiba, morando em Rondinha, Campo Largo-PR, e em 2012, por opção, vivenciou o ano de estágio pastoral em Curitibanos-SC. Chegou à Fraternidade Nossa Senhora Mãe Terra em Imbariê, Duque de Caxias-RJ, em 2013 para o tempo da Teologia, onde residiu até 2014. Foi transferido para Petrópolis, morando nos anos de 2015 e 2016. Ao final de 2016, concluiu o curso de Teologia e foi transferido para Lages-SC, onde residiu de 2017 a 2018 (cidade onde foi ordenado diácono). Em 2018, foi transferido para Xaxim-SC. Estava residindo na Fraternidade Senhor Bom Jesus dos Perdões, Curitiba-PR




























