Festa da Reconciliação: perdoar é o exercício de ir ao chão

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Paz e Bem.

Perdão é o exercício de ir ao chão, tanto para quem perdoa quanto para quem pede o perdão. Quem pede o perdão se dispõe a descer da montanha do próprio orgulho, a vencer os obstáculos da própria prepotência e a encontrar-se no chão de sua mais plena verdade, cheia de beleza, mas portadora de limites.

Pedir perdão é abrir-se ao reencontro consigo mesmo num exercício de humildade reconhecimento da falta cometida e na generosa disposição de apostar na possibilidade do recomeço. Não há nada de demérito ou vergonha, ao contrário, é gesto corajoso e grande de quem consegue aprender com os próprios erros. Quem perdoa, por sua vez, tem a possibilidade de vencer o ódio e a desconfiança, construindo uma ponte de reconciliação que o torna capaz de transpor o abismo que o separa daquele que ali está, com toda humildade, pedindo-lhe um voto de confiança.

Neste ano de 2020 a celebração do Perdão de Assis será nesta sexta-feira (31/07), pelas redes sociais, a Festa da Reconciliação direto do Campinho do Convento. O desafio de celebrar o perdão, conceder o perdão e promover a reconciliação, exige de nós um jeito novo e criativo. Devemos congregar de uma maneira virtual, mas sem perder a sacralidade. É um comprometimento individual, partindo de uma experiência iniciada há mais de 800 anos, de reconciliação conosco, com o outro e com a natureza.

O perdão leva o ser humano ao caminho doloroso, porém necessário, a alcançar a parte mais profunda de si mesmo, o coração. Na Porciúncula, explicam os frades franciscanos, se vive diariamente essa experiência intensa que transforma vidas. Lá em Assis, e também em Vila Velha, em Vitória, ou em qualquer lugar do mundo, Francisco nos chama a reconciliação. Reconciliação que brota da nossa adesão completa aos ensinamentos e a vontade de Deus.

A festa do “Perdão de Assis” está intimamente ligada à Porciúncula, a pequena igrejinha reconstruída por São Francisco e que hoje está no interior da Basílica de Santa Maria dos Anjos, em Assis, cidade italiana da região da Úmbria.

Em breves palavras, Francisco de Assis, naquela noite luminosa – uma noite de céu –, 02 de agosto de 1216, ao Senhor Jesus e à Virgem Santíssima, que lhe apareceram em visão exatamente na Porciúncula, circundados de uma multidão de anjos, dirige ao Mestre, estas palavras, um pedido ousado: “Eu te peço, Senhor Jesus, que qualquer homem ou mulher que virá aqui na Porciúncula, arrependido das próprias culpas, possa extraordinariamente experimentar a misericórdia, do perdão”. Essas palavras do Santo de Assis contêm uma urgência: a urgência do perdão, a urgência da misericórdia.

Talvez hoje pareça pouco atual falar de perdão, ou pode ser mais conveniente e mais atual falar de firmeza, de segurança, de fronteiras, porque talvez hoje a misericórdia e o perdão nos pareçam um amor pouco confiável. Ao contrário, porém, Francisco nos sugere que a misericórdia é a emergência que encontramos no coração do homem. A partir do pedido ousado e forte de Francisco de Assis ao Senhor, acontece depois de um banho de espinhos: Francisco vive dois anos de crises dolorosas, com os espinhos da dúvida, da tentação… Francisco se entrega ao amor do Senhor.


SERVIÇO
Perdão de Assis – Festa da Reconciliação
QUANDO: Sexta-feira (31/07)
HORÁRIO: 19h30
TRANSMISSÃO AO VIVO: Redes sociais do Convento (YouTube, Facebook e Instagram.

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