Discernir: um convite a partir dos encontros vocacionais na Província

Compartilhe:

Paz e Bem.

Conta-se que, numa certa escavação, um objeto chamou a atenção daqueles que minuciosamente procuravam artefatos dos seres humanos primitivos: uma escultura representando um ser humano. Até então, dos povos antigos se encontravam pedaços de pedras e paus que pareciam ser foices, enxadas, martelos. Mas nunca se tinha encontrado uma escultura. Nisso se possibilita dizer que em certa altura o ser humano descobriu que o sentido de sua vida não era apenas caçar, comer e morrer. Nela havia a arte, a representação de um sentimento interno. Ele passou a produzir não apenas meios de caça e planta mas criou objetos que serviam para alimentar a alma, os sonhos, o olhar.

E com isso, o ser humano se abre à busca de sentido. Não é apenas uma sobrevivência animalesca esta vida, mas um confronto consigo mesmo e com a realidade: muitas pessoas têm muito o que comer, mas pouco o que viver. É preciso produzir não apenas aquilo que se come, mas colocar ânimo naquilo que se vive. E é por isso que, mais do que sobreviver, o ser humano precisa discernir. Perscrutar a sua intuição, traçar caminhos, sair do conforto, ir além. Ver o que causa entusiasmo. Descartar aquilo que não tem chance, dar chance àquilo que talvez nunca cogitou.

Por isso, 32 jovens se reuniram, durante o mês de junho, em encontros vocacionais regionais em nossa Província. Vindos dos cinco Estados, foram acolhidos em nossas Fraternidades do Convento Santo Antônio do Rio de Janeiro (3-5/06), Convento São Francisco de São Paulo (17-19/06) e Convento São Boaventura em Rondinha (23-25/06) para uma experiência de discernimento.

Eles largaram suas atividades para ir ao encontro do simbólico, da inquietação frente a um desejo de uma entrega total a Deus. Saíram sedentos de seus lares para encontrar o que para nós, frades, faz sentido na vida. E se depararam com o cotidiano. Rezaram conosco, participaram dos nossos momentos de convivência, receberam informações sobre o carisma, ouviram explicações, fizeram perguntas, foram questionados. Além do mais, viram nossas qualidades e também nossos limites. Astutos, prestaram a atenção em tudo e puderam observar o real, o simples, o sagrado ordinário.

Se nisso encontraram resposta para o seu desejo de responder ao chamado do Senhor é coisa que, aos poucos, descobriremos. Se é conosco ou em outro lugar, não importa. Ao menos se abriram à corajosa aventura da busca de sentido, de responder às inquietações, sondar caminhos. Começar é necessário para quem quer realizar algo grande, que é viver com sentido. Esses irmãos já deram o primeiro passo. Que possam andar seguros pelas vias da resposta generosa ao Senhor!


Fonte: franciscanos.org.br (Frei Gabriel Dellandrea)

Posts Relacionados

Facebook

Instagram

Últimos Posts

X