Paz e Bem.
A Doença Renal Crônica é um problema de saúde pública que atinge mais de 20 milhões de brasileiros, acometendo em torno de 10% da população. No entanto, a maioria dos pacientes desconhece que possui a doença, pois a DRC pode evoluir de forma silenciosa, sem sintomas perceptíveis, nas fases iniciais.
Diante desse cenário, a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) coordena, no Brasil, as ações da campanha mundial do Dia Mundial do Rim, que em 2025 tem como tema: “Seus rins estão ok? Faça exame de creatinina para saber”.
Destacando a importância da prevenção, de modo a evitar doença renal, membros da Sociedade de Nefrologia Regional do Espírito Santo participaram da Missa das 15 horas, na última quarta-feira, na Capela do Convento da Penha. A presidente da instituição, Dra. Ramiele Aparecida Cruz Souza, lembrou que o diagnóstico precoce é fundamental.
“A doença renal crônica é uma condição silenciosa que pode se desenvolver sem sintomas perceptíveis. Infelizmente, muitas pessoas só descobrem o problema quando a função dos rins já está gravemente comprometida. Os principais fatores de risco incluem: hipertensão, diabetes, obesidade, histórico familiar de doença renal e uso abusivo de anti-inflamatório… Por meio da dosagem de creatinina (exame simples, disponível no SUS), podemos diagnosticar doença renal precoce e evitar que ela chegue a estágios avançados. Esse espaço na Missa, é importante para reflexão e cuidado, onde fé e ciência se encontram, para promover vida e saúde. Que esta celebração, fortaleça em nós a consciência de cuidar do nosso corpo, templo da criação divina”, ressaltou a nefrologista.

Em entrevista, a Dra. Alice Pignaton, destacou que a Missa no Convento é uma ocasião ideal para alertar a população, especialmente católica, sobre os riscos de doença renal. “A população capixaba tem muita fé e tem adesão de muitas pessoas que acompanham as Missas, portanto, conseguimos atingir uma população muito maior e levar essa mensagem de conscientização, de informação. O principal problema em relação às doenças renais é que as pessoas desconhecem completamente. Uma a cada dez pessoas no mundo, tem doença renal e quem tem, 90% desconhece. Então, essa informação aqui tem uma abrangência maior quando temos essa acolhida dos freis do Convento”, explicou.
A nefrologista também recordou que a fé sustenta a esperança quando um paciente descobre o diagnóstico de doença renal. “Muitos pacientes que atendemos têm idade ativa, que varia de 25 a 60 anos. A mensagem que a fé traz um acolhimento maior, uma mensagem de esperança, a vontade de melhorar, de se reerguer. A fé contribui para que as pessoas tenham coragem de enfrentar a doença”.
Na homilia, Frei Paulo César Ferreira falou diretamente aos pacientes. “A nossa vida em Cristo nos abre a possibilidade de encontrarmos Nele, o caminho, a verdade e a vida que tínhamos perdido por força da nossa desobediência. Do mal que brota em nós, que é praticado por nós, em Cristo queremos professar nossa fé e a nossa fidelidade ao Senhor. Confiantes, invocamos o Senhor que atende e defende àqueles que o procuram de coração sincero e Jesus nos fala de um Deus, Pai amoroso, que nos dá tudo de bom, o melhor…”, disse.

Em seguida, falou aos profissionais da saúde. “São Francisco dizia: depois que o Senhor me deu irmãos, ninguém mais precisou me dizer o que eu deveria fazer. Assim vocês também, em prol da vida, dos pacientes com problemas renais, mãos estendidas, solidariedade, espírito de humanidade a socorrer aqueles que mais precisam, trazer-lhes à esperança, proporcionar a eles o encorajamento, a esperança, a confiança. Jesus promete que toda prece será ouvida, ou seja, que Deus dará o que for melhor para nós, coisas que nos fazem melhores, como seres humanos e para sermos bons, como Ele é bom, é preciso perseverar na oração, afirmando sempre a benevolência de Deus e seu amor”.
O devoto José Luis Castro Freitas participa da Missa todos os anos. Além de devoto de Nossa Senhora da Penha, ele também é um grande incentivador das pessoas que receberam diagnóstico de doença renal. Ele recebeu transplante de rim da esposa. “Meu diagnóstico é de uma doença renal policística (DRP), que minha família tem essa doença e aos 30 anos eu percebi que tinha a doença e comecei o tratamento renal. Hoje estou transplantado. Na doença renal crônica passamos por várias etapas. Tem o tratamento conservador, depois fiz três anos e quatro meses de hemodiálise, e em julho do ano passado fui transplantado. Descobrimos que minha esposa era compatível para transplante e ela doou um rim para mim. O transplante é um tratamento também. Sou paciente renal crônico, sou católico, pratico minha fé, então a Missa é, para mim, o ponto alto dessa semana mundial do rim”, comentou.

A importância do exame de creatinina
O exame de creatinina é um dos principais marcadores da função renal e pode detectar problemas nos rins ainda nos estágios iniciais da doença renal crônica. Além disso, o exame simples de urina também pode ser um aliado na detecção precoce da doença. “Exames como a creatinina no sangue e o exame simples de urina podem detectar a Doença Renal Crônica antes mesmo do aparecimento de sintomas”, destaca José Moura Neto, presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia.
Esse tipo de exame está disponível na rede pública de saúde e pode fazer a diferença no diagnóstico precoce da DRC.
Desafios no acesso ao tratamento
Embora o diagnóstico precoce seja fundamental, garantir o acesso ao tratamento ainda é um grande desafio no Brasil. Muitos pacientes enfrentam dificuldades para iniciar a diálise ou conseguir um transplante renal, especialmente em algumas regiões do país.
“Existe uma crise que acomete a diálise no SUS, causada pelo subfinanciamento crônico do setor, e muitos pacientes encontram dificuldades no acesso ao tratamento”, alerta Moura Neto. Atualmente, estima-se que cerca de 50 mil brasileiros morrem anualmente sem acesso ao tratamento adequado.
Para enfrentar esse problema, a SBN tem intensificado sua atuação junto aos gestores públicos, defendendo melhorias estruturais e financiamento adequado para o setor. “A SBN tem atuado na discussão de políticas públicas na nefrologia e para sensibilizar gestores públicos em relação à necessidade de um financiamento adequado e do estabelecimento de uma linha de cuidado efetiva para pacientes adultos e pediátricos com Doença Renal Crônica no SUS”, explica o Presidente da SBN.
Sobre o Dia Mundial do Rim.
É uma campanha mundial idealizada conjuntamente pela Federação Mundial de Fundações do Rim (IFKF) e Sociedade Internacional de Nefrologia (ISN) com o objetivo de informar a população sobre a importância dos cuidados com a saúde renal. Comemorado sempre na segunda quinta-feira do mês de março, no Brasil, as ações são coordenadas pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN).
Os rins
Os rins são dois órgãos localizados em ambos os lados da coluna vertebral. Sua principal função é remover os resíduos e o excesso de água do organismo. O problema é que, muitas vezes, por falta de prevenção, as pessoas podem descobrir problemas renais em fases muito avançadas das lesões. A Doença Renal Crônica (DRC), que consiste em lesão renal e perda progressiva e irreversível da função dos rins, é a mais grave delas. No Brasil, segundo dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) relativos a 2022, o número de pacientes com DRC avançada é crescente e, atualmente, mais de 140 mil pacientes realizam diálise no país.
Diversos fatores podem levar à insuficiência renal crônica, como a diabetes, a hipertensão arterial sistêmica, a obesidade, doenças cardiovasculares e tabagismo. Os principais sintomas são: mudanças na urina (espuma, alteração de cor, sangue, dificuldade para urinar), dores nas costas, inchaço no corpo, fraqueza e cansaço.
Como evitar Doenças Renais
É importante destacar que o controle dos fatores de risco às doenças renais estão diretamente relacionadas às condições de vida do indivíduo e ao acesso aos serviços no nível primário de saúde. O controle da glicemia e da pressão arterial, alimentação e atividade física, bem como o combate ao tabagismo são ações fundamentais nesse processo.
Em caso de sintomas, a recomendação é consultar um médico especialista para direcionar o tratamento adequado. Saiba mais informações sobre essa enfermidade e o tratamento no portal do Ministério da Saúde.



















