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18/04/2014

A Via-Sacra no Convento da Penha

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Moacir Beggo

Vila Velha (ES) – A Sexta-Feira da Paixão no Convento da Penha, em Vila Velha, quando os cristãos lembram o julgamento, paixão, crucificação, morte e sepultura de Jesus Cristo, foi marcada logo cedo, às 7 horas, por um exercício piedoso neste dia: a Via-sacra, que tem suas origens dentro da espiritualidade franciscana.

A Via-Sacra teve início no portão principal e foi presidida por Frei Alberto Eckel nos seus 457 metros de subida, pela via principal, até o Campinho. As estações estavam marcadas nas árvores do trajeto. Muitos fiéis devotos de Nossa Senhora e romeiros de outras cidades participaram desta devoção.

“Sentimos o peso das dificuldades ao subirmos o Morro da Penha, mas o apoio de um para com o outro nos deu forças para chegarmos aqui”, disse Frei Alberto no final da celebração.

“Caminhar, seguir Jesus é assim. Na vida da gente encontramos dificuldades, a ladeira parece difícil, mas quando Jesus abraça a cruz nasce a esperança, nasce a possibilidade de vencer com ele qualquer dificuldade. Da cruz nasce a esperança e a certeza da Ressurreição. Portanto,  a cruz que carregamos não é mais uma cruz de dor, mas é cruz gloriosa. A cruz que Jesus venceu”, acrescentou o celebrante, rezando pelas nossas famílias, as pessoas que sofrem, os enfermos, todos  aqueles que carregam suas cruzes no dia a dia.

Devoção franciscana

É de todo conhecida a intensidade com que Francisco meditava sobre a humanidade de Cristo: encarnação, natal, paixão e a Eucaristia. Tudo isto, evidentemente, sem anular a divindade de Cristo.

O biógrafo de São Francisco, Tomás de Celano, ao narrar o encontro de Francisco com o crucifixo de São Damião, exprime-se com uma frase de intenso significado: “Desde, então, grava-se na sua santa alma a compaixão do Crucificado…, e no coração dele são impressos mais profundamente os estigmas da venerável paixão, embora ainda não na carne”.

É esta compaixão que leva Francisco a chorar constantemente a paixão do Senhor. “A partir daquela hora – continua o biógrafo – a alma dele se derreteu. Desde então, não consegue conter o pranto, chora  também em alta voz a paixão de Cristo… Enche de gemidos os caminhos, não admite qualquer consolação, ao recordar -se das chagas de Cristo”.

Digno de menção é o episódio narrado pela Legenda dos Três Companheiros: “Uma vez, caminhava solitário perto de Santa Maria da Porciúncula, chorando e lamentando em alta voz. Um homem espiritual, ouvindo-o, julgava que ele sofresse alguma enfermidade ou dor e, movido de compaixão para com ele, interrogou-o por que chorava.  E ele disse: “Choro a paixão de meu Senhor, pelo qual eu não deveria  envergonhar-me de ir chorando em alta voz por todo o mundo”. O outro  também começou a chorar com ele em alta voz”.

Neste contexto de intensa compaixão se compreende a redação do Ofício da Paixão, meditação que Francisco fazia dos salmos que ele rezava na ótica da Paixão do Senhor. Em outras palavras: Francisco lia certos versículos do saltério sempre ligados ao mistério da paixão de Cristo. E deste conjunto de versículos de diferentes salmos ele compôs o Ofício da Paixão, que ele rezava sempre como ofício votivo.

Hoje, às 15 horas no Convento da Penha, horário em que Jesus foi morto, é celebrada a principal cerimônia do dia: a Paixão do Senhor. Ela consta de três partes: liturgia da Palavra, adoração da cruz e comunhão eucarística. Depois deste momento não há mais comunhão eucarística até que seja realizada a celebração da Páscoa, no Sábado Santo.

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