O sexto dia do Oitavário da Festa da Penha, celebrado nesta sexta-feira, 10 de abril, foi marcado por um forte apelo ao amor como resposta cristã ao ódio, à violência e à divisão. No Campinho do Convento da Penha, o momento devocional abriu a programação da tarde com a oração da Coroa Franciscana das Sete Alegrias de Nossa Senhora, a bênção da água trazida pelos fiéis, a reflexão de Frei Gilberto Silva sobre o tema do dia “Onde houver ódio, que eu leve o amor” e a consagração à Virgem da Penha. A Celebração Eucarística reuniu a Área Pastoral de Vitória, com presidência do padre Antônio Peroni Filho e homilia de padre Osmar Braido, em uma tarde que também foi atravessada pela presença missionária da Penha Peregrina no Complexo Penitenciário do Xuri, pela manhã, onde a imagem da Padroeira levou consolo, esperança e ternura aos irmãos privados de liberdade.
Conforme a tradição na sexta-feira do Oitavário, às 14h, a Romaria dos Militares partiu do Portão do Convento, com a Imagem conduzida por militares das três Forças Armadas e também da Polícia Militar, dos Bombeiros e de outras forças de segurança, como a Polícia Federal e a Polícia Civil. Ao chegar ao Campinho, como também já é tradição, os marinheiros formaram um corredor por onde a Imagem foi conduzida ao palco para o início do momento devocional do Oitavário.
Ainda no momento devocional, frei Gilberto conduziu os fiéis a uma meditação profunda sobre o Evangelho do amor fraterno, proclamado no texto de São João. “Onde houver ódio, que eu leve o amor”, recordou, fazendo eco à oração atribuída a São Francisco de Assis. Em seguida, explicou que o amor cristão não é apenas sentimento, mas movimento concreto de entrega, reconciliação e cuidado. “O ódio divide. O amor reconstrói. O ódio fere. O amor cura. O ódio fecha portas. O amor faz nascer o caminho”, afirmou, conduzindo a assembleia a compreender que o tema do dia não se limita a uma bela invocação, mas se torna uma missão.
Frei Gilberto também recorreu a uma imagem simples e profundamente humana para falar da esperança. Contou a história de uma criança que, mesmo com os pés feridos ao descer a Ladeira da Penitência do Convento, continuava olhando adiante. “Mas eu tenho esperança de chegar lá”, recordou o frade, ao narrar a fala do menino. A partir disso, concluiu que o cristão é chamado a caminhar não pelo medo ou pela divisão, mas pela confiança. “A pergunta para todos nós é: para onde nós estamos indo? Estamos ferindo de novo o nosso pé com ódio, com indiferença? Ou estamos, como essa criança, olhando para lá, para onde está Deus, para onde está o amor, para onde está o bem?”, provocou.

Ao final de sua reflexão, Frei Gilberto convidou os presentes a saírem do Campinho levando a paz oferecida por Jesus e apresentada por Maria. “A palavra de Deus é sempre vida, é sempre reconciliação, é sempre amor”, afirmou, reforçando que o amor é o destino dos que seguem Cristo. “Vamos descer levando a paz oferecida por Jesus, a paz apresentada por Maria. Em nossas mãos está a paz e daqui para sempre brota também o amor”, disse, sendo ovacionado pelos presentes.
Depois da reflexão, os fiéis participaram da oração própria do dia e da bênção da água, um dos objetos escolhidos para este sexto dia do Oitavário. Com os recipientes erguidos, o povo pediu que a água se tornasse sinal de bênção para os lares, para os locais de trabalho e para os enfermos. A oração rezada pelos frades pediu que a água abençoada fosse um sacramental vivo, capaz de recordar a graça do batismo e a proteção da Virgem da Penha. Em seguida, os frades passaram aspergindo o povo, enquanto a assembleia cantava e renovava sua confiança em Maria, “Mãe, Rainha e Padroeira Nossa”.
O AMOR FAZ NASCER O CAMINHO
A Santa Missa foi celebrada pela Área Pastoral de Vitória, com presidência do padre Antônio Peroni Filho, da Paróquia da Ressurreição, em Goiabeiras, e homilia do padre Osmar Braido, da Paróquia São Pedro, em Vila Rubim. Logo no comentário inicial, a celebração situou os fiéis dentro do tema do dia, lembrando que a Festa da Penha vive mais da metade de seu Oitavário e que, a cada celebração, a Igreja é chamada a se tornar instrumento da paz. O texto de abertura também recordou que, “no caminho da nossa vida, Jesus caminha conosco”, iluminando e enviando seus discípulos para a missão.

Na homilia, padre Osmar Braido partiu da leitura do Evangelho de João para mostrar que o amor é o grande mandamento do Ressuscitado. “Como o Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor”, proclamou o Evangelho, que inspirou a reflexão do sacerdote. “O tema de hoje é capaz de provocar em nós uma grande revolução”, recordou o padre ao retomar a inspiração do dia, afirmando que o amor cristão é uma força que modifica a história e sustenta a vida da Igreja. Para ele, a Páscoa é o tempo em que Deus, em vez de sentir saudade do Filho, o ressuscita no amor e o faz caminho para uma multidão de irmãos e irmãs.
Em sua pregação, padre Osmar destacou a amplitude da missão de Jesus, que não deseja salvar apenas isoladamente, mas conduzir muitos consigo. “Quando Deus ressuscita Jesus, o seu Filho, no amor, Jesus olha para o Pai e fala assim: Pai querido, eu estou indo para junto do Senhor, mas eu não vou sozinho. Eu vou levar uma multidão comigo”, disse o sacerdote, recordando que essa multidão é formada pelos que amam, pelos que fazem o bem e pelos que praticam a caridade.

A homilia também aprofundou o sentido concreto do tema do dia. “Onde houver ódio, que eu leve o amor”, repetiu o padre, insistindo que o amor não é uma abstração, mas uma escolha diária. Ao relacionar o Evangelho com a vida concreta dos fiéis, o pregador destacou que o ódio destrói, enquanto o amor cura e reconstrói. Em sintonia com frei Gilberto, chamou a atenção para as pequenas feridas do cotidiano, as relações rompidas e as distâncias que precisam ser superadas pela graça de Deus. “O amor faz nascer o caminho”, foi uma das expressões lembradas para mostrar que a caridade cristã abre veredas onde antes havia muros.
A Celebração Eucarística terminou com a consagração a Nossa Senhora da Penha, quando os fiéis confiaram à Mãe das Alegrias suas famílias, seus caminhos e suas lutas. Em clima de emoção, o Campinho voltou a se transformar em espaço de entrega e súplica, reafirmando a dimensão mariana e franciscana da festa.
PENHA PEREGRINA VISITA COMPLEXO PENITENCIÁRIO DO XURI
Enquanto isso, pela manhã, a Penha Peregrina visitou o Complexo Penitenciário do Xuri, levando a presença da Virgem da Penha a uma das realidades mais duras do sistema prisional capixaba. O tema da visita, “Com a Virgem da Penha, junto aos irmãos que vivem encarcerados”, expressou a intenção de levar esperança, ternura e vida nova àqueles que cumprem pena e também aos servidores do sistema penitenciário. Dom Andherson Franklin destacou que a visita tinha como pedido principal que, por meio da ternura materna da Virgem Maria, todos pudessem recuperar a esperança e o sonho de uma vida nova.

“Fazei de nós instrumentos da vossa paz”, recordou dom Andherson ao falar com os internos e com os trabalhadores da unidade. Em sua reflexão, afirmou que a Virgem da Penha, “Mãe das alegrias da ressurreição do Seu Filho”, ensina “o caminho para a vida, da generosidade e do bem, o caminho da ternura e da paz”. O diretor da unidade prisional, Rodrigo Bernardo R. Pinto, agradeceu a iniciativa e destacou a importância de levar uma mensagem de esperança às pessoas custodiadas, aos servidores e a todos os envolvidos. “Uma coisa que não pode ser roubada do coração do homem é a esperança de sonho”, afirmou.
A visita contou também com a presença de Frei Felipe Zaros, frade professo temporário do quarto ano, que viveu pela primeira vez a experiência de estar em um presídio no contexto da Festa da Penha. Em sua partilha, ele destacou a acolhida recebida, a emoção dos internos e o impacto da proximidade com uma realidade tão dura. “Foi algo novo para mim”, disse. Frei Felipe também contou que muitos internos agradeceram, se emocionaram e pediram o retorno da imagem peregrina. “Em muitas das celas, nos apertos de mão, nas conversas, muitos deles agradeciam. Você via eles em pranto, emocionados e pedindo: voltem mais vezes”, relatou.

Ao final da visita, Frei Gabriel Dellandrea relacionou a experiência de São Francisco de Assis com a realidade dos irmãos privados de liberdade. Lembrou que Francisco, jovem rico e sonhador, também passou pela prisão e, naquele lugar, teve um encontro decisivo com Deus. “Na prisão, ele cai em si. Fica doente. Percebe que o mundo não é um erro. Que é uma nova vida”, recordou o guardião, ao afirmar que a experiência vivida no Xuri podia tocar os corações e inspirar uma nova vida. “São Francisco possa tocar o coração para que ele se inicie em alguma nova vida. É para isso que nós estamos aqui”, concluiu.
BÊNÇÃO PARA CASAIS E NOITE DE LOUVOR MARCAM PROGRAMAÇÃO NO PARQUE DA PRAINHA NA FESTA DA PENHA
A programação noturna desta sexta-feira, reuniu fiéis no Parque da Prainha, em Vila Velha, uma extensão do Convento da Penha. O destaque da noite foi a bênção especial voltada aos casais e famílias, presidida pelo padre Anderson Gomes, além de louvor, adoração e apresentações musicais.
A noite teve início com acolhida dos frades e animação do público, que também acompanhava pelas redes sociais. Em seguida, Pe. Anderson conduziu os participantes a uma profunda reflexão sobre o matrimônio e a vida familiar. Em sua pregação, o sacerdote destacou o amor como caminho de aprendizado, ressaltando a importância da paciência, do perdão e da vivência do amor ágape, inspirado no exemplo de Jesus Cristo. “O matrimônio é reflexo da aliança de Deus com a humanidade. Amar é uma decisão que exige esforço diário, sobretudo dentro de casa”, afirmou, ao incentivar os casais a cultivarem relações fundamentadas na fé e no cuidado mútuo.
O momento foi marcado por gestos concretos de reconciliação e renovação do compromisso matrimonial. Casais foram convidados a rezar juntos, declarar o amor um ao outro e pedir a bênção de Deus para suas famílias. Também houve oração especial por situações de sofrimento, como crises conjugais, enfermidades e desafios cotidianos, reforçando o caráter pastoral e acolhedor da celebração.
A programação seguiu com um momento musical, conduzida pela cantora católica Fátima Souza, que animou o público com canções de louvor e conduziu momentos de oração e entrega. A presença da imagem peregrina de Nossa Senhora da Penha também marcou a noite, sendo acolhida com devoção pelos fiéis, que entoaram cânticos marianos e rezaram juntos.
Encerrando a programação religiosa, o Santíssimo Sacramento foi exposto para adoração, em um clima de silêncio e contemplação. A bênção final se estendeu às famílias presentes e, simbolicamente, aos lares de todo o estado, com os participantes elevando suas preces pela paz, conforme o tema deste ano: “Fazei de nós instrumentos da paz”.

Após o momento orante, a noite ganhou um tom festivo com a apresentação da orquestra de violões, que deu continuidade à programação cultural. O público permaneceu no local, participando de momentos de convivência, música e partilha.
A Festa da Penha segue com intensa programação nos próximos dias, reunindo milhares de devotos em um dos maiores eventos religiosos e marianos do Brasil, que une fé, tradição e cultura aos pés da Mãe das Alegrias.
A Festa da Penha 2026 é promovida pela Mitra Arquidiocesana de Vitória, Convento da Penha e Associação das Obras Franciscanas. A Festa é realizada com recursos da Lei de Incentivo à Cultura Capixaba (LICC), por meio da Secretaria da Cultura (Secult), e do Governo do Espírito Santo, através do patrocínio da ES Gás. A correalização é do Espírito Santo Convention Bureau e da Prefeitura Municipal de Vila Velha. O evento conta com o patrocínio da ArcelorMittal, Banestes, Cesan, Extrabom, Javé Construtora, LeCard e Vale. Também tem o copatrocínio da Unimed Vitória. O apoio é da TVE, TV Gazeta, A Gazeta e Café 3 Corações. O apoio cultural é do Grupo Energisa.
Equipe de Comunicação da Festa da Penha: Frei Augusto Luiz Gabriel, Frei Roger Strapazzon e Marcos Souza (Grupo Celinauta)



















































