A Igreja itinerante de São Mateus na Penha

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Moacir Beggo

Vila Velha (ES) – Na madrugada deste sábado, a alegria da Ressurreição tomou conta de um povo devoto e religioso do Norte do Espírito Santo. O município de São Mateus lotou cerca de 40 ônibus e, com a condução do seu pastor, o bispo Dom Zanoni Demettino Castro, chegaram logo cedo a Vila Velha para prestar a homenagem a Nossa Senhora da Penha. Outro grande número de romeiros veio em seus carros. Todos foram acolhidos por Frei Mário Tagliari em nome da Província Franciscana da Imaculada Conceição e do Convento da Penha.

Muitos romeiros ficaram acordados porque alguns ônibus deixaram São Mateus a 1 ou 2 horas da madrugada. “O povo de São Mateus que está aqui veio encontrar os amigos e renovar esta comunhão de Igreja”, disse o bispo, que representa 710 comunidades e 20 paróquias, divididas em quatro foranias: Capixaba, Praiana, Mineira e Baiana.

Segundo o bispo, esta é a sétima vez que vem à Festa desde que foi nomeado bispo. “A Festa de Nossa Senhora da Penha é um momento significativo, não só para a diocese, mas para cada um de nós. Essa festa que dá sentido, dá unidade a este Estado do Espírito Santo e que fortalece a nossa fé católica”, disse.

“Nós viemos nesta romaria, saindo de nossas comunidades, de nossas famílias. Enfrentamos dificuldades, às vezes uma divisão na comunidade, um desentendimento e nos  dividimos por coisa pequena. As pessoas se afastam da comunidade, se distanciam dos nossos grupos e das pastorais. Muitos não veem mais sentido na vida. E diante da morte, da violência crescente em nosso Estado, em cidades pequenas com os nossos jovens sendo assassinados, a vida vai se tornando sem valor. Muitos não percebem mais e colocam alegria em acumular riquezas, em ter propriedade, em se satisfazer numa festa num único dia”, lamentou o bispo.

D. Zanoni, contudo, contou que vem percebendo um aumento do número daqueles que querem fazer esta experiência. “Não apenas vir ao Convento, encontrar os irmãos que nunca mais tínhamos visto, mas encontrar a força da ressurreição. A festa de Nossa Senhora da Penha é para nós, capixabas, esse momento da graça, a força da Ressurreição. Ele está no meio de nós. Esta é a alegria de Maria”, ressaltou.

Segundo o bispo de São Mateus, a diocese vive um momento muito especial com Santas Missões em 15 mil quilômetros quadrados e mais de 500 mil pessoas. “Muita gente precisa de dar uma balançada, sacudida. Há pessoas tristes e desanimadas que precisam reencontrar a alegria do Evangelho, como pede e insiste o nosso Papa Francisco”, observou D. Zanoni.

Antes do encerramento, D. Zanoni pediu ao povo que assinem o pedido dos bispos do Brasil de uma reforma política. “Precisamos receber o máximo de assinaturas para a reforma política. No momento, temos onze mil e nossa meta é 50 mil. Tem gente que não acredita em mais nada. Tem gente que quebra ônibus, destrói bancos, joga pedra, um partido fala do outro, mas tem muitas entidades que propõem algo concreto e inteligente, que é a reforma política. O Papa Paulo VI disse que a maneira mais eficaz de fazer caridade é essa luta política. Não é eleição. A gente reduz a política ao ato de votar. A eleição é o que tem de ser. Mas a construção do mundo melhor não cai pronta do céu, mas exige de nós a resposta. Vamos nos empenhar. A gente quer que o Espírito Santo renove, mas precisamos dar força”, pediu.

O guardião do Convento da Penha, Frei Valdecir Schwambach, agradeceu ao bispo, ao clero, seminaristas e o povo da Diocese que vieram para esta celebração. “Muito obrigado pela presença de vocês. Todos os anos a presença de vocês é muito esperada aqui. Vocês todos são muito benvindos aqui, no Convento, para participar da Festa da Penha. Que vocês possam ter um retorno tranquilo para suas casas”, desejou o guardião.

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