Presidida pelo Frei Claudino Dal’Mago, celebração destacou o amor de Cristo na cruz e contou com a participação de toda a fraternidade franciscana
Na tarde desta Sexta-feira Santa, o Campinho do Convento da Penha foi palco da Celebração da Paixão do Senhor, presidida pelo Frei Claudino Dal’Mago e concelebrada por toda a fraternidade franciscana. Em um ambiente marcado pelo silêncio, pelo despojamento e pela profunda espiritualidade, os fiéis foram convidados a contemplar o mistério da cruz e o amor de Cristo pela humanidade.
O espaço celebrativo chamou a atenção pela sobriedade e pelos símbolos: uma grande cruz — a mesma utilizada na Via-Sacra — foi posicionada junto ao altar, ao lado da imagem de São Francisco de Assis, cuja memória ganha destaque neste ano em que se celebram os 800 anos de sua Páscoa definitiva.
A celebração da Paixão do Senhor, tradicionalmente composta por três momentos — Liturgia da Palavra, Adoração da Cruz e Rito da Comunhão — conduziu os presentes a uma experiência de silêncio, oração e reflexão.
Na homilia, o Frei Robson de Castro destacou o sentido profundo deste dia, lembrando que não se trata de uma celebração eucarística, mas de um tempo de contemplação do sacrifício de Cristo: “Hoje, no meio desta tarde, nesse dia sagrado, nós subimos o alto desta montanha sagrada para não celebrarmos a Eucaristia. Este dia […] é de silêncio, meditação, agradecimento, contemplação de Jesus morto na cruz.”
O frei reforçou que o centro da celebração é a paixão de Cristo, expressão máxima do amor de Deus pela humanidade: “Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho único, não para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele.”
Ao refletir sobre a narrativa da Paixão segundo o Evangelho de São João, proclamado neste dia, Frei Robson ressaltou que, mesmo diante do sofrimento extremo, Jesus permanece soberano. “Ele é a vítima, mas, fundamentalmente, permanece como sendo o Senhor da História. A morte de Jesus não foi fruto de um azar, mas pertence ao mistério do amor infinito de Deus.”
Apesar da dor e da dramaticidade da Sexta-feira Santa, a mensagem central da celebração aponta para a esperança da ressurreição. Frei Robson recordou que a cruz não é o fim. “A última palavra, tanto no caso de Jesus como no nosso caso, não é nem a dor nem a morte, mas a vida, a felicidade plena em Deus. Ele também convidou os fiéis a assumirem, com fé, os desafios da vida cristã. “Queremos segui-lo até o fim de nossa vida, mesmo quando tivermos que carregar a cruz da nossa vida e da nossa existência.”
Espiritualidade franciscana e exemplo de São Francisco
Em sintonia com o ano jubilar dos 800 anos da morte de São Francisco de Assis, a homilia trouxe uma profunda reflexão sobre a identificação do santo com Cristo crucificado. O pregador recordou a experiência dos estigmas no Monte Alverne, destacando o encontro transformador de Francisco com o Cristo sofredor.
A cena do Calvário também foi contemplada à luz da espiritualidade franciscana, evidenciando a compaixão de Cristo, que, mesmo na cruz, cuida de sua mãe e da humanidade representada pelo discípulo João.
Ao final, Frei Robson convidou os fiéis a acolherem Maria em suas vidas, especialmente às vésperas da Festa da Penha, e a rezarem a tradicional oração de São Francisco diante da cruz. “Nós vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo, aqui e em todas as vossas igrejas […] e vos bendizemos, porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo.”














































