Paz e Bem.
Fiéis participaram da Missa de Quarta-feira de Cinzas, na tarde deste dia 18 de fevereiro, celebrada no Campinho do Convento da Penha, em Vila Velha. A Celebração Eucarística foi presidida pelo Ministro Provincial da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, Frei Paulo Roberto Pereira, ofm e marcou o início da Quaresma, tempo forte de oração, jejum e caridade.
O Guardião do Convento, Frei Gabriel Dellandrea e o Frei Robson Luiz Scudela, concelebraram a Missa que ainda teve a presença dos freis Pedro Engel e David Belineli, da fraternidade franciscana da Penha. O tradicional rito da Imposição das Cinzas, logo após a homilia, recordou o chamado à conversão e consciência, a partir do Evangelho, que a humanidade é “pó e ao pó um dia voltará”.
No início, Frei Gabriel acolheu os confrades e saudou as autoridades políticas presentes, os prefeitos de Vila Velha e Vitória, Arnaldinho Borgo e Lorenzo Pazolini, respectivamente. “Que bonito está o Campinho do Convento da Penha, repleto de fiéis que vieram para iniciar este tempo quaresmal, nossas boas-vindas a todos que vieram de perto e de longe. Todos vocês que encontraram hoje aqui neste refúgio de fé, um lugar para também rezarem. Sejam todos bem-vindos, também acolhemos as autoridades. Acolhemos ainda nosso Ministro Provincial, Frei Paulo Roberto Pereira, ele já foi guardião desta casa, ele está vindo nos visitar, nos brindando com sua presença, uma visita fraterna e sempre muito alegre. Eu os acolho com muita alegria neste dia em que celebramos Quarta-Feira de Cinzas, o nosso Pai São Francisco nos convida a sermos ‘homens de penitência’ e vocês, ao nos visitarem nos animam na penitência, no caminho do serviço ao povo de Deus”, disse o Guardião.
Na homilia, Frei Paulo Roberto destacou que o tempo quaresmal é uma oportunidade de renovação integral da vida cristã. “O tempo da Quaresma que nós iniciamos hoje é um caminho de revitalização, de a gente encontrar com o verdadeiro sentido da nossa vida. Segundo o Ministro Provincial, a Quaresma convida os fiéis a cuidarem não apenas da própria espiritualidade, mas também do corpo e da vida comunitária: “Esse é o caminho que a quaresma nos sugere e propõe para todos nós. Cuidar integralmente do nosso ser. Cuidar da integralidade do nosso viver. Cuidar do nosso corpo físico. E cuidar da nossa espiritualidade. E, mais ainda, cuidar do nosso corpo comunitário. Além de cuidar da gente mesmo, é necessário cuidar daquele que conosco convive, daquele que partilha as mesmas dores e as mesmas alegrias”.

“O início da Quaresma, – continua Frei Paulo -, já tem gosto de Páscoa. Nós cremos a partir da ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo. Mistério da nossa fé. Toda a Eucaristia que a gente celebra, cada vez que o povo de Deus se reúne para celebrar a Eucaristia, nós celebramos o mistério da nossa fé. E dizemos, mistério da nossa fé não é aquela incompreensão eventual que podemos ter. Não sabemos todas as coisas da nossa religião. O mistério da nossa fé celebrado em cada Eucaristia é aquele que Jesus vive plenamente. A morte, a dor, a treva, tudo isso foi vencido. E Jesus, ressuscitado, vive e nos convida a viver. E a quaresma é convite para que a gente mergulhe nesse mistério. Não entendemos tudo, não sabemos tudo. Às vezes passamos por muita incompreensão. Mas temos a convicção, a verdade que nos sustenta. A morte, a doença, a dor, o luto foram vencidos. E Jesus Cristo ressuscitou”, ressaltou.
“Deixai-vos reconciliar com Deus”
Ao refletir sobre a Segunda Leitura do dia (2 Coríntios 5,20-6,2), Frei Paulo ressaltou que a conversão é, antes de tudo, graça divina. “Não devemos ter a dúvida. Não podemos ter a treva, a morte, o pesar a iluminar a nossa caminhada. Iniciamos a quaresma, colocamos cinzas na cabeça. Mas sabemos, Jesus Cristo Ressuscitado nos atrai a Ele. Este é o sentido da quaresma. E nós vamos fazer 40 dias desta caminhada. Intensificando a nossa oração. Intensificando o cuidado com o nosso próprio corpo. Intensificando um jeito bom de viver e de conviver. Nós iniciamos esse tempo ouvindo a Sagrada Escritura. Alargando os nossos ouvidos para aquele convite que São Paulo nos disse aqui na segunda leitura. Deixai-vos reconciliar com Deus. Deixai-vos reconciliar com Deus. Esta frase, convite, ela tem um segredo que às vezes nós não nos damos conta. A reconciliação, a conversão é muito da ação humana, é verdade. Tem o desejo humano, o empenho humano. Mas ela é, sobretudo, graça de Deus. Deixai-vos reconciliar com Deus”, enfatizou.
O Provincial apresentou a metáfora de uma balão de gás para explicar a “reconciliação” com Deus, como proposta quaresmal. “O balão de gás, o menino fica segurando aquele balão de gás o tempo inteiro. Fica na mão segurando o balão que ele insistiu para o pai, para a mãe comprar. Mas o balão de gás, por ser balão de gás, ele quer estar no alto. Ele quer fugir, ele quer subir. Então, no primeiro vacilo que o menino dá, o que acontece? O balão vai ao encontro da natureza dele, que é o gás. Na nossa vida, Deus nos atrai. E nos atrai com uma força insuperável. Mas nós somos aquele menino que fica segurando a nossa vida. Solta! Deixai-vos. Vá para Deus com liberdade. É assim que deve ser. Sem amarras, sem medo, sem temor. Deixemo-nos reconciliar com o Senhor. Por que ficar preso no orgulho, na soberba, na vaidade, no rancor, na decisão por não… ‘Não perdoe’. E fica nessa maceração da falta de perdão. Segurando-se, amarrando-se, atrasando a alegria do reencontro e da conversão. Deus nos atrai, nos oferece graciosamente, criativamente e todo o tempo a graça da conversão. Libertemo-nos, desamarremo-nos, soltemo-nos e vamos voar direto para ser um com o Senhor! É o convite da conversão que a quaresma nos faz. E como operar isso? Como ir soltando aos poucos a mão que retém o balão? Através do exercício de piedade, de oração, escuta atenta da palavra, caridade.

Práticas quaresmais
Durante a reflexão, Frei Paulo também explicou o sentido das práticas quaresmais, especialmente o jejum, que deve estar unido à caridade. “Tudo aquilo que você privar-se […] tem que ter essa dupla dimensão. Você deixa de gastar e aquilo que lhe sobrou é para caridade. O jeito de rezar na quaresma, é prestar mais atenção. Não naquele jeito, fez a minha obrigação. A quaresma sugere uma atenção maior, na nossa forma de rezar. Uma atenção. E aqui quero sugerir um desafio. A sua oração quaresmal, além da oração de repetição, além da oração que você fala, que seja uma oração que você escuta. É só olhar para o espelho, e ver como a natureza é tão inteligente e nos ensina. Ela nos deu dois escutadores, e um falador. Para quê? Para a gente falar menos? Eu não posso afirmar isso, porque senão estou contradizendo na minha forma. Já falei para caramba agora, né? Não é só para falar menos, é para escutar em dobro. Então, nesse tempo quaresmal, que você escute em dobro. Escuta o que Deus tem a lhe dizer. E como Deus nos diz? Pela natureza, e aqui um lugar privilegiado de escutar a Deus, Deus nos diz pela realidade que está batendo a nossa porta, Deus nos diz especialmente através do irmão, e através da irmã. Escutar, em dobro, sempre, para qualificar a nossa relação com Deus”, disse.
“E ainda, a esmola. O jejum, a oração e a esmola. A esmola é um jeito da nossa espiritualidade, e isso tem raízes bastante antigas, a esmola é o jeito de a gente ser atencioso, zeloso, cuidadoso, com a necessidade alheia. Prestar atenção em quem mais necessita. Para isso serve a quaresma. E fazendo tudo isso, nós vamos então celebrar bem a Páscoa”, completou.

Campanha da Fraternidade
O Ministro Provincial ainda recordou que no tempo da Quaresma, a Igreja no Brasil também convida a reflexão para a Campanha da Fraternidade. “A Campanha da Fraternidade, além da oração, do jejum e da esmola, é um excelente exercício quaresmal. Porque nos aponta, nos desafia, e nos aponta uma urgência, uma urgência que clama aos céus, uma necessidade do nosso povo. E esse ano, nós somos convidados a refletir a partir desta afirmação. ‘Ele veio morar entre nós’. Deus decidiu fazer morada entre nós. É importante que a gente resgate esta dimensão. Deus mora, habita. Deus habita junto de nós. E então a Campanha da Fraternidade sugere que a gente reflita sobre ‘Fraternidade e Moradia’. Olhar a situação, sobretudo dos mais desvalidos, nas nossas periferias urbanas e rurais também”.
“A dignidade das pessoas ofendidas por não terem onde morar. Ou então sujeitarem-se a habitações que não são seguras. Habitações que não oferecem o mínimo para que aquela pessoa, depois de ter trabalhado um dia inteiro, possa em sua casa repousar. Então esta é a realidade de muitos dos nossos irmãos e irmãs. Moram não por escolha, moram não por decidirem por isso, mas porque são levados a morar nas ruas. E esta é uma realidade que clama aos céus e reclama de nós uma atitude. Deus veio morar entre nós. Aquele que sofre sem moradia é um clamor do Senhor. É preciso que nós nos unamos, façamos todo o esforço para corresponder àquilo que nós, na Igreja, temos como nossa doutrina. A doutrina social da Igreja afirma, e o Papa Francisco, que nos faz tanta falta ouvi-lo aqui presente entre nós, mas ele já definiu em três ‘T’s’. Todo ser humano, em todos os lugares, precisa de ter trabalho, precisa de ter terra, precisa de ter teto. São os três ‘T’s’. Enquanto faltaram desses três T’s, é sinal de que o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo ainda não está sendo perseguido e vivido com intensidade, com criatividade, com profecia e com coragem. Por isso, esse é o convite. Que vivamos bem a quaresma e que vivamos bem a campanha da fraternidade, para que todos os seres humanos, cada um de nós, tenhamos o direito à terra, ao trabalho e ao teto. Que Deus, nosso Senhor, que aqui nos reuniu, nos fortaleça e que Nossa Senhora nunca se esqueça de olhar por todos nós”, finalizou Frei Paulo.

Imposição das Cinzas
Após a reflexão, Frei Paulo Roberto abençoou as Cinzas e na sequência, os ministros realizaram a Imposição sobre a fronte dos fiéis. Já na Oração Eucarística, durante a saudação da paz, Frei Paulo convidou os presentes a repetirem “o amor de Cristo nos uniu”, uma expressão que muitas vezes é apenas dita.
Missa na Capela
Pela manhã, as Missas celebradas na Capela do Convento reuniram centenas de pessoas provenientes de várias regiões do Brasil e de muitas cidades do estado. Às 9 horas, Frei Paulo César Ferreira presidiu a Celebração. Fiéis rezaram no interior da Capela, nos corredores e até nas escadas de acesso.





























































