Paz e Bem.
A Missa da Saúde celebrada na tarde de quarta-feira, 4 de fevereiro, no Campinho do Convento da Penha, reuniu fiéis para um momento de oração, escuta da Palavra e reflexão sobre a presença de Deus no cotidiano. A celebração foi presidida pelo Frei Gabriel Dellandrea, Guardião do Convento com presença dos Freis Pedro Engel, Silvério Cajonde e David Belineli.
Logo no início de sua reflexão, Frei Gabriel contextualizou o período do ano vivido por muitos, marcado pelo retorno à rotina após as férias, destacando como esse processo costuma provocar cansaço e até desânimo. “O ano já está voltando à sua rotina, depois das férias de dezembro e janeiro. […] E a gente, no final da história, já até se pergunta: quando vai voltar ao normal?”, comentou o frade, lembrando que, muitas vezes, se idealiza o extraordinário e desvalorizam o ordinário.
Ao aprofundar a reflexão, Frei Gabriel recordou um ensinamento marcante ouvido de um frade mais experiente, Frei Walter Hugo, que resumiu de forma direta e provocativa: “A rotina é sagrada”. A partir dessa afirmação, o celebrante conduziu os fiéis a perceberem que a vida de fé não se constrói apenas nos momentos extraordinários, mas sobretudo no dia a dia. “E quando nós ouvimos o evangelho de hoje, Jesus não conseguiu fazer milagres na sua própria terra, por quê? Porque ele era alguém da rotina. Ele era alguém do ordinário. ‘Mas esse aí não é o filho de carpinteiro? Ele não está aqui com a gente quase todo dia, a gente viu crescer essa criatura. Você acha que isso aí é filho de Deus?’ A gente tem uma dificuldade de encontrar o sagrado da rotina, o sagrado do ordinário. Para nós, Deus só se manifesta no extraordinário. Deus só vai falar comigo quando vir uma nuvem gigante e que vem dizer, vai e faz tal coisa. Assim que a gente imagina que Deus age”.
“A gente acha que Deus não fala na rotina. A gente acha que a rotina é exaustiva e nada tem de sagrado. Jesus, no evangelho que acabamos de ouvir, vem dizer que ele, daquele povo que estava morando ali, era o escolhido. Como é que pode Deus ser ordinário? E é justamente nisso, irmãos e irmãs, que Deus nos confunde. Porque ele não quer vir falar conosco apenas por uma nuvem. E se for da vontade Dele, Ele vai falar. Mas Ele fala conosco todos os dias, assim como no seu Filho Jesus, que viveu no ordinário das pessoas, que nasceu numa comunidade simples, que tinha uma família, que era o ‘filho do carpinteiro’. Ora, irmãos e irmãs, se não aprendemos a encontrar Deus no ordinário e ficarmos só esperando no extraordinário, nós vamos talvez perder tantas as oportunidades que Deus tem de se manifestar, de falar conosco no nosso dia a dia. A rotina é sagrada. O ordinário também é sagrado”, afirmou Frei Gabriel.
O Guardião destacou que pequenos gestos cotidianos também são sinais da presença divina. “Aquela oração que você faz de manhã, às vezes com uma certa pressa, porque tem um monte de coisa para fazer, mas que consagra o dia ao Senhor, é sagrada. Aquele sinal da cruz que você faz quando passa diante de uma igreja, porque tem que aproveitar a fila da lotérica, se não cresce, também é sagrado. E aquele amigo que manda uma mensagem, você está bem? Está tudo certo? Está precisando de algo? Isso também é sagrado. Isso também é sinal de Deus. Deus não se manifesta, irmãos e irmãs, apenas no extraordinário. Ele é o filho do carpinteiro. Ele está junto com a gente. Ele nos visita de segunda a segunda. E como se expressou uma santa da igreja, ela pôde encontrar Deus nas panelas, no dia a dia”, ressaltou.
Ao convidar os fiéis a um olhar mais atento sobre o cotidiano, Frei Gabriel exortou: “Se não aprendemos a encontrar Deus no ordinário e ficarmos só esperando no extraordinário, nós vamos talvez perder tantas oportunidades que Deus tem de se manifestar. Sim, precisamos do extraordinário. Mas isso não pode excluir-nos da graça de encontrarmos Deus também no ordinário. Porque a rotina, como disse Frei Walter, a rotina é sagrada”, concluiu Frei Gabriel, desejando que todos reconheçam a presença de Deus em sua “rotina sagrada”.





























