Paz e Bem.
A tradicional Missa da Saúde, celebrada nesta quarta-feira, dia 21 de janeiro, no Convento da Penha, foi realizada na Capela do Convento, devido à chuva que atinge o Espírito Santo. A Eucaristia foi presidida pelo Frei Evaldo Ludwig e fez memória a Santa Inês, Virgem e Mártir, reunindo fiéis presencialmente ou pelas redes sociais do Santuário.
Durante a homilia, Frei Evaldo destacou que, ao longo da semana, a Igreja convida os fiéis a contemplarem Jesus como referência maior para a vida cristã: “Durante toda essa semana, nós somos convidados a olhar para Jesus Cristo como o grande exemplo de paz. Somos chamados a ser, aqui na Terra, como seguidores e seguidoras de Jesus Cristo, os construtores da paz”.
Partindo dos textos bíblicos do dia, o frade recordou que a liturgia evidencia situações de confronto e suas consequências, destacando o episódio de Davi e Golias como sinal de como a guerra revela a falta de paz entre os povos. “Apenas para dizer que quando há confronto, há guerra. E a guerra é o símbolo da falta de paz entre povos”, afirmou.
No Evangelho, Frei Evaldo apontou que a raiz mais profunda dessa falta de paz está no interior do ser humano: “O Evangelho vai nos dizer que a falta de paz que nós, seres humanos, possuímos é pela dureza de coração”
Ao meditar sobre a cura do homem da mão seca, o presidente da celebração destacou o contraste entre a fé simples e a religiosidade vazia. Para ele, a verdadeira transformação não se limita ao exterior, mas passa pela conversão interior.
“O homem tinha a mão seca, mas o coração aquecido pela crença em Jesus Cristo. Os fariseus tinham uma religião externa, mas o coração endurecido e não acreditavam em Jesus Cristo”, explicou.
Frei Evaldo também recordou que o fechamento ao diálogo e ao outro gera divisões, algo que se manifesta tanto na vida familiar quanto na sociedade. “Quando alguém é teimoso demais, é fechado em si, não consegue compreender o outro, acontece o quê? Briga dentro de casa. A falta de paz é estabelecida dentro do nosso teto”, disse.
O frade ressaltou que os conflitos atuais e a multiplicação de guerras no mundo ferem profundamente a esperança humana e exigem dos cristãos uma postura firme em favor da paz. “Há tanto confronto, há tanto descrédito em se movimentar para o caminho da unidade que nós, cada vez mais, não só estamos olhando os confrontos, as guerras, mas também, muitas vezes, apoiamos isso”, alertou.
Ele também chamou atenção para o impacto da omissão diante do sofrimento causado pela violência: “O silêncio nosso, enquanto seres movidos pela paz, grita muito alto nesse tempo, porque as guerras simbolizam, hoje, o grande confronto que mata a utopia de todos nós seres humanos”, afirmou.
“Nós somos convidados a olhar muito além da nossa mão seca e ver o quanto que nós estamos secos no ver, no sentir, no pensar, porque a maior pobreza que nós vivemos hoje é a cultural”, afirmou. E completou: “A gente acredita em qualquer coisa que nos é apresentado. A gente não estuda, a gente não pesquisa, a gente não busca entender contextos”.
Segundo o frade, essa falta de profundidade na compreensão do mundo e das pessoas enfraquece sonhos e ideais, gerando um empobrecimento coletivo: “A gente não estuda, a gente não pesquisa, a gente não busca entender contextos, nós não buscamos compreender a dinâmica que cada pessoa que vive comigo, que eu encontro ou que eu me relaciono. Nós vivemos numa secura cultural. A gente é muito pobre hoje, não só em pensamento, mas, por isso, nós vamos crescendo numa pobreza da utopia.
“.
Para ilustrar sua mensagem, Frei Evaldo citou um poema sobre a utopia e explicou que ela não existe para ser “alcançada”, mas para manter o ser humano em caminhada constante. “Então, para que serve a utopia? Para que cada um de nós, ao sonhar, nunca fique parado onde está. A utopia faz cada um de nós se movimentar, ela faz a gente andar, ela faz a gente encontrar solo além daquele que eu piso”, disse.
Na sequência, ele reforçou que a paz anunciada por Cristo é fonte de cura e abre possibilidades de crescimento humano e espiritual: “E é essa paz que nos tira da doença, da mente, do corpo, e nos abre todas as possibilidades do mundo para a gente crescer”. Ao concluir, Frei Evaldo lembrou que a esperança cristã não é individualista, mas comunitária: “Crescer sozinho não vale a pena. Crescer em coletivo é nossa grande expectativa e esperança através de Jesus Cristo. Que Deus nos dê essa graça de sermos, vivermos sempre motivados, caminhando para a utopia. Porque a utopia de Jesus Cristo nos transforma e nos ajuda a transformar o mundo presente”.





















