Paz e Bem.
Centenas de fiéis participaram da tradicional Missa das nove da manhã no Campinho do Convento, neste último domingo (23), quando a Igreja proclamou o 3º Domingo da Quaresma. A Eucaristia foi presidida pelo Frei Gabriel Dellandrea, ofm.
O Guardião e Reitor do Santuário de Nossa Senhora da Penha, inovou em sua homilia ao trazer uma lupa, para explicar melhor a liturgia da Palavra, especialmente o Evangelho (Lucas 13,1-9). “Às vezes a gente tem a impressão de que Deus, lá do céu, tá com uma lupa olhando aqui para baixo. ‘Olha só! Peguei aquele danado lá comendo chocolate na Quaresma! Ah vou mandar um terremoto para a cidade dele!’. Ou então, a gente imagina que Deus pega a lupa… ‘Olha lá aquela pessoa assistindo Big Brother. Vou mandar um câncer para ele!’ Às vezes a gente tem essa impressão de que Deus pega a lupa e fica caçando os nossos erros. É o que o evangelho de hoje nos trouxe da sua primeira parte. As pessoas que estavam ao redor de Jesus, questionaram Ele sobre as tragédias que aconteceram, quando Pilatos mandou matar um grupo de galileus e quando uma torre caiu matando 18 pessoas”, contextualizou.
“As pessoas acham que essas coisas acontecem por castigo de Deus. Se acontecem tragédias, se acontecem problemas, não é culpa de Deus ou vontade de Deus. Nossos castigos ou as tragédias acontecem pela nossa finitude humana, somos vulneráveis, expostos, e também pelas nossas más escolhas. As doenças, as tragédias, são fruto da nossa vulnerabilidade, somos todos expostos a um acidente, uma tragédia ou então as nossas más escolhas, não vamos por a culpa em Deus. O Senhor não quer a morte do pecador, mas, que ele se converta e viva!”, explicou o Frei.
Sobre a segunda parte do Evangelho, Frei Gabriel disse que Deus se importa e dá a todos uma nova chance. “Jesus explica como que Deus age. Deus não anda à espreita e à procura dos nossos pecados para nos castigar. O que Deus faz então? Ele pega sua lupa e vê que estamos tentando acertar. Ele aduba de novo e damos mais fruto… Na Primeira Leitura, ouvimos o exemplo de Moisés. Deus não fica à espreita dos nossos erros, mas quer nos libertar, nos dar a vida nova e por isso, convocou Moisés para trazer o povo que estava oprimido lá na terra do Egito, para levá-lo, dar uma nova terra, onde corre leite e mel, um novo lugar, o lugar melhor. Esse êxodo, todos nós fazemos, quando saímos de uma situação de escravidão, do nosso pecado, do nosso orgulho e do nosso egoísmo, e vamos em direção ao novo lugar”, destacou.
“Deus nos conduz, Deus nos chama, Deus quer que possamos ir para um novo lugar, só que nesse caminho pode ser que a gente encontre desafios e dificuldades, por isso, é na Segunda Leitura diz: ‘não murmureis’, se você quer uma nova forma de vida, o novo modo de vida, se acostume que a mudança causa um pouco de desconforto, bagunça as coisas. O caminho da conversão é exigente, tem que mudar o coração, porque se fosse para ser igual, não precisa ter Quaresma. A gente quer ser melhor e para melhorar, é preciso ficar desconfortável”.
Frei Gabriel finalizou a reflexão recordando o conselho de São Paulo. “‘Quem tá de pé, reza para não cair’. Se achar melhor do que outros já é um pecado. Se na nossa mente, ainda repousa a ideia de que Deus está com uma lupa caçando os nossos pecados para nos castigar, arrancamos isso por que Jesus mesmo nos disse através da parábola, se Deus tem uma lupa ele tá procurando nesse momento o nosso coração, ele tá procurando nesse momento qualquer sinal, qualquer fagulha, qualquer detalhezinho que possa mostrar para ele que estamos de coração aberto e Ele com a sua lupa, vai encontrar. Deus tem a lupa da misericórdia e está ali procurando para encontrar qualquer detalhe, qualquer possibilidade, Dele entrar e fazer toda a diferença”.













































