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#tbt: “Que sociedade é essa que estamos formando, que troca livros por armas?”

Festa da Penha 2019
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Paz e Bem!

Nesta quinta-feira (09/05), dia de #tbt, vamos recordar a Missa das Pastorais Sociais, celebrada no Campinho do Convento, no dia 29 de abril de 2019.

Padre Kelder Brandão, Pároco da Paróquia Santa Teresa de Calcutá, de Vitória, ES, presidiu a Celebração Eucarística que reuniu as Pastorais Sociais da Arquidiocese de Vitória, afim de prestarem suas homenagens à Virgem da Penha, Mãe e Padroeira de todos nós. Ele dedicou (também) sua homilia especialmente a duas mulheres: Dona Eutalina, que trabalhou muitos anos no Convento da Penha e incansavelmente nas festas de Nossa Senhora da Penha, e a Irmã Creuza, missionária Agostiniana Recoleta, religiosa dedicada ao serviço pela Igreja e em favor dos povos indígenas. “A história da Igreja sempre foi marcada pelo protagonismo das mulheres desde a sua origem, Maria é o maior ícone da Igreja primitiva, fiel a Jesus Cristo, desde a sua concepção até a ignóbil morte na cruz, sem esmorecer nem mesmo nos momentos mais duros e tenebrosos da vida”, disse o padre.

Segundo Padre Kelder, igualmente, ao longo do tempo, as Pastorais Sociais têm enfrentado momentos sombrios, mas continuam firmes na defesa intransigente da vida, acolhendo e cuidando dos filhos amados e prediletos de Deus, os pobres e excluídos. O celebrante foi duro nas suas colocações:

“O que estamos fazendo com o nosso país? Que cristãos nos tornamos? Quando foi que Cristo nos ensinou a odiar e não a amar? A matar e não a defender a vida? A valorizar mais o dinheiro e o poder do que a vida dos semelhantes. Que sociedade é essa que estamos formando que troca livros por armas? Que troca a paz pela violência? Que troca o respeito pelo escárnio? Que troca a liberdade pela opressão?”, questionou.

“A violência no Espírito Santo continua grande e junto com ela é grande o cinismo do Poder Público e de parcela da sociedade que, em vez de enfrentar o problema com políticas públicas adequadas, optam por criminalizar os pobres e as periferias”, criticou Padre Kelder.

Ele ainda denunciou de forma crítica a anistia para os policiais que participaram da greve de 2017. “A anistia concedida aos policiais que respondiam processos disciplinares sobre a greve de 2017 fortalece a prática da violência e da criminalização dos pobres. Ao anistiar os policiais, o governo atesta que a vida de centenas de pessoas que foram assassinadas durante não tem valor. As famílias dessas pessoas têm o sagrado direito ao luto e merecem mais respeito do Estado, que tem a obrigação de assumir a responsabilidade por essa carnificina”.

“Em nosso Estado, a violência anda abraçada com a pobreza e ambas são filhas das desigualdades sociais. Um simples olhar pelas ruas e praças mostra que a pobreza extrema caminha a passos largos em nosso meio com a destruição das políticas de seguridade social no país e crescerá ainda mais com a famigerada Reforma da Previdência em curso. Quem viver verá”, lamentou ele.

Ainda segundo o sacerdote, no último mês, a Arquidiocese de Vitória entregou aos dirigentes políticos, responsáveis pela execução das políticas públicas, várias sugestões de ações que podem ser executadas para enfrentar os problemas referentes ao meio ambiente, segurança pública e seguridade social. “Com um pouco de boa vontade política muitos problemas podem ser enfrentados”, acredita.

Por fim, Padre Kelder afirmou que estamos em uma sociedade cujo tempo futuro será de dor e pranto, diferente do tempo messiânico de fartura, alegria e paz, anunciado por Maria no canto do Magnificat que ouvimos no Evangelho, quando ela bendiz a Deus pelas maravilhas que ele realiza pelos pobres e pequeninos. “Deus continua olhando para a humildade dos seus servos, fazendo grandes coisas a seu favor. Sua misericórdia continua se estendendo sobre todos que O temem. Ele há de mostrar, e tem mostrado, a força de seu braço destroçando os soberbos e poderosos, elevando os humildes, saciando de pão os famintos e despedindo os ricos de mãos vazias”, animou.

Com informações de Moacir Beggo, Cristian Oliveira.

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