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Simpósio Mariano abre a programação noturna

Na noite desta segunda-feira, 17, aconteceu a primeira atividade noturna da Festa da Penha deste ano. O auditório do Santuário Divino Espírito Santo acolheu o Simpósio Mariano, que contou com a mediação de Frei Clarêncio Neotti. Compuseram a mesa Frei Fidêncio Vanboemmel, Ministro Provincial, Ana Maria Lemos, Secretária de Pastoral da Arquidiocese de Vitória e Elzenir Ferreira da Silva, do projeto Maria Mãe de Deus (www.nomesdemaria.com.br). Cerca de 250 pessoas estiveram presentes.

Ao iniciar o Simpósio, Frei Clarêncio trouxe aos presentes a Antífona Mariana do Ofício da Paixão, composta por São Francisco de Assis:

Santa Virgem Maria,
Entre as mulheres do mundo, não nasceu nenhuma semelhante a ti,
Ó filha e serva do Altíssimo e sumo Rei e Pai celestial,
Mãe do nosso Santíssimo Senhor Jesus Cristo,
Esposa do Espírito Santo:
Rogai por nós,
Com São Miguel Arcanjo e com todas as virtudes dos céus
E com todos os santos,
Junto a teu santíssimo e dileto Filho, Senhor e Mestre.

Em seguida, Frei Fidêncio falou sobre a Saudação à Bem-Aventurada Virgem Maria, de São Francisco de Assis:

Ave, Senhora, Rainha Santa, Santa Maria Mãe de Deus, Virgem feita Igreja,
e que do céu foste escolhida pelo Santíssimo Pai,
a quem ele consagrou com seu santíssimo e dileto Filho e com o Espírito Santo Paráclito,
e em quem esteve e está toda a plenitude da graça e todo o bem!

Ave, palácio do Senhor!
Ave, tabernáculo do Senhor!
Ave, casa do Senhor!
Ave, vestimenta do Senhor!
Ave, serva do Senhor!
Ave, Mãe do Senhor!

E ave, vós, santas virtudes todas,
que pela graça e pela iluminação do Espírito Santo
sois infundidas nos corações dos fiéis
para os tornardes de infiéis em fiéis a Deus.

O frade destacou que durante toda a sua vida, São Francisco de Assis esteve profundamente unido a Maria. Seus escritos e meditações têm como ponto de referência a vida de Maria Santíssima. Constitui Maria como Advogada da Ordem e entrega sua vocação nas mãos de Nossa Senhora.

O pobrezinho de Assis tem particular afeto por Santa Maria dos Anjos, a Porciúncula, onde esclarece sua vocação, conduz e orienta a Ordem nascente, tornando-se o lugar referencial para toda a Ordem até os dias de hoje.

Frei Fidêncio pediu então aos presentes que lessem a oração e fizessem uma comparação entre ela e a oração da Ave Maria. “São Francisco saúda 7 vezes Nossa Senhora numa única oração”, ressaltou o frade, destacando em seguida a expressão ainda inédita usada por São Francisco: virgem feita Igreja. “Com esta expressão, São Francisco diz que Maria é o protótipo, a imagem de toda a Igreja. Francisco vai pensando o que significa Maria. Ela é a Senhora, ela é Rainha, Mãe de Deus, a Virgem feita Igreja. É um jeito de Francisco rezar e se compenetrar nos mistérios da Mãe de Deus”, afirmou o Provincial.

Em seguida, o frade ressaltou que a Teologia Mariana de São Francisco é uma teologia trinitária, indicando que a verdadeira devoção mariana é aquela que remete os fiéis para os mistérios de Deus. “Maria nada mais fez do que ser serva, manto, Mãe do Senhor. E ela nos remete para Deus”, destacou.

Frei Fidêncio encerrou sua fala afirmando que Frei Pedro Palácios, ao trazer a estampa de Nossa Senhora das Alegrias para o Espírito Santo, trouxe a mística profunda desta devoção, que se estende entre os capixabas até hoje.

QUANTOS NOMES TÊM A MÃE DE DEUS?

A pergunta foi feita por Elzenir Ferreira da Silva, criador projeto Maria Mãe de Deus. A ideia é reunir todos os títulos recebidos por Nossa Senhora, a história de suas aparições, país de origem e intenções de oração.

O leigo ressaltou que Maria tem um só nome, mas muitos títulos, assim como nós, quando dizemos que temos determinada formação, profissão. Maria recebe muitos títulos, mas é a mesma pessoa. Elzenir explicou que Maria, por ser a Mãe da Igreja, tem que ser retratada em todas as culturas, com suas características próprias e tradições.

Em seguida, ele apresentou alguns títulos de Nossa Senhora, o ano de suas aparições e suas especificidades, como Nossa Senhora de Guadalupe (1551, México), Nossa Senhora das Graças (1830, França), Nossa Senhora da Salette (1846, França), Nossa Senhora de Lourdes (1858, França), Nossa Senhora de Fátima (1917, Portugal).

Ele também falou sobre Nossa Senhora da Penha e Nossa Senhora do Pilar, a primeira aparição de Nossa Senhora, vista por São Tiago, em Saragoza, na Espanha.

O Simpósio também foi um espaço para que os presentes pudessem conhecer mais detalhes da devoção mariana na Arquidiocese de Vitória. Ana Maria Lemos, Secretária de Pastoral, apresentou um relatório sobre as paróquias que compõe o território arquidiocesano, afirmando que 1/3 das comunidades locais são dedicadas a Maria. Além de ser a Padroeira da Arquidiocese, sob o título de Nossa Senhora da Vitória, Maria é homenageada em 24 das 85 paróquias locais. Entre as comunidades, 317 delas são dedicadas a Nossa Senhora.

Nossa Senhora Aparecida está em primeiro lugar, dando nome a 64 comunidades e 1 paróquia, seguida por Nossa Senhora da Penha, em 39 comunidades e 2 paróquias. Imaculada Conceição é a terceira colocada, sendo homenageada em 21 comunidades e 3 paróquias.

A secretária ressaltou também o aumento das devoções marianas, como o terço dos homens e outros grupos específicos.

No final, Frei Clarêncio esclareceu que Nossa Senhora das Vitórias é a padroeira da Arquidiocese, mas que Santo Antônio é o vice padroeiro. E o santo franciscano também era muito devoto de Nossa Senhora. Em seus sermões, o santo atribui 32 títulos diferentes a Nossa Senhora. Em seguida, os presentes puderam fazer perguntas aos conferencistas.

Nesta terça-feira acontece o 3º dia do Oitavário, às 14h30, no Campinho. Às 20h haverá uma celebração e bênçãos aos casais no Campinho.

Texto e foto: Érika Augusto