Destaque 3, Notícias › 18/04/2014

Frei Valdecir celebra a Paixão do Senhor na Penha

Moacir Beggo

Vila Velha (ES) – O guardião do Convento da Penha, Frei Valdecir Schwambach, presidiu às 15 horas desta Sexta-feira Santa a celebração da Paixão do Senhor com o rito da Adoração da Cruz.

Frei Valdecir explicou que o altar estava despojado e o sacrário aberto porque neste dia as igrejas do mundo todo fazem a memória da sepultura do Senhor. “Por isso não se celebra a Missa”, explicou. Segundo ele,  tendo representado a Instituição da Ceia na tarde da quinta-feira, a liturgia não voltará a celebrar a Eucaristia até a noite pascal.

Duas leituras da celebração – Is 52,13-53,12 e Hb 4,14-16 – ajudaram o frade a refletir sobre o significado do sofrimento de Cristo.

Na Carta aos Hebreus, o autor vai dizer que Jesus é o Sumo Sacerdote, que vai se compadecer das nossas faltas, dos nossos pecados, porque ele vivenciou o sofrimento na própria carne.

“Nós só sabemos nos colocar no lugar das outras pessoas quando também nos tornamos pessoas misericordiosas, quando sabemos sofrer com outros. Quem sempre olha as pessoas de maneira distinta, colocando-se num patamar superior, nunca vai se compadecer do sofrimento alheio, nunca vai saber chorar com os que choram, sorrir com os que sorriem. Muito pelo contrário, vai se sentir incomodado com aqueles que estão indo bem na vida. E vai desejar o mal para as outras pessoas. Jesus nos ensina a nos colocarmos no lugar das outras pessoas, esse Jesus que é verdadeiramente o Sumo Sacerdote. Com efeito temos um Sumo Sacerdote capaz de se compadecer de nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado em tudo como nós, com exceção no pecado”, enfatizou Frei Valdecir.

Novamente, enfatizando a Carta aos Hebreus, destacou o trecho: “Tenhamos confiança, esse Jesus é rico em misericórdia, porque ele mesmo sofreu na sua carne as dores de ser um ser humano”.

“Isso é muito bonito e deve falar muito profundamente a cada um de nós. Se Deus que é Deus soube se despojar, nós também devemos ser pessoas mais despojadas, mais simples e mais fraternas umas com as outras. O grande mal de nosso mundo é que tantas vezes as pessoas fazem distinções umas das outras e, no fundo, acabamos colocando nossos irmãos e irmãs na cruz. Quando nós somos pessoas que vivemos a partir  de classes, a partir de preconceitos, a partir de certas escalas ou separações, ser isso ou ser aquilo, nós também acabamos crucificando tantas pessoas”, observou o celebrante.

Refletindo sobre Evangelho de João (18,1-19,42), Frei Valdecir perguntou o que Cirineu, Nicodemos, José de Arimateia fizeram? “Eles desceram Jesus da cruz. O cristão deve ajudar, deve ser um instrumento que tire as pessoas de suas cruzes. Nós não podemos pregar Jesus na cruz. O povo que foi contrário ao projeto de Jesus, colocou-O na cruz. Os seguidores de Jesus, mesmo às escondidas, por medo dos opositores, O tiraram da cruz. O cristão deve ser como esses homens, que pelo menos aliviam a cruz de quem sofre. Nós não devemos ser cruz pesada para ninguém. Quem é cruz no ombro de outras pessoas não descobriu a fé que vem Jesus. O cristão não pode ser pedra no caminho de ninguém, muito menos cruz na vida de quem está do seu lado, de quem mora com você, dos irmãos de comunidade. Então, fazer o mal aos outros é sobrecarregar a cruz, porque todos nós já carregamos tantas cruzes que precisamos ser aliviadores das cruzes de outras pessoas”, pediu o guardião.

“Aliviar a cruz, pela palavra; aliviar a cruz, pelo olhar; aliviar a cruz, pelo nossa boa presença na caminhada dos nossos irmãos. Quem sabe seja a nossa missão que a Sexta-Feira Santa nos coloca sobre os nossos ombros. E Jesus não coloca fardo no ombro de nenhum de nós. Pelo contrário, Ele diz: ‘quem está cansado vinde a mim que eu darei descanso porque o meu jugo é suave e meu fardo é leve’. Nós queremos seguir, então, esse Jesus que carrega também as nossas cruzes. Se alguém sofre, pode ter uma certeza: Jesus sofreu antes de mim. E o sofrimento de Jesus foi muito pior. Além da dor física, teve o sofrimento espiritual, a dor psicológica, a dor na alma. Porque não existe dor pior do que o abandono, a dor da traição, não é mesmo? São as dores que atingem o coração humano. Que Jesus alivie sempre a nossa cruz!”, pediu no final, lembrando que a liturgia de hoje “não termina aqui, mas termina na manhã da Páscoa”.

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