Frei Pedro Palácios

Em 1535, quando Vasco Fernandes Coutinho chegou ao Espírito Santo para colonizar e tomar posse das terras que lhe foram doadas por D. João III, Rei de Portugal, trouxe consigo sessenta homens em sua caravela “Glória”, e não consta dessa relação nenhum religioso. Segundo a historiadora Maria Stella de Novaes, os registros históricos mais antigos encontrados sobre a presença de sacerdotes no Espírito Santo, referem-se a João Dormundo, nomeado a 13 de janeiro de 1541, “com o ordenado, em cada ano, com a dita vigararia (de) quinze mil réis e duas peças de escravos resgatadas de sua roupa”. “O Alvará Régio dessa nomeação, com a referida data, é o primeiro documento sobre a paróquia do Espírito Santo e o seu primeiro vigário (NOVAES, História do Espírito Santo, p.20).

Registra-se a presença do Padre Leonardo Nunes em Vila Velha, em 1549, recebido pelo vigário e Padre Francisco da Luz. Era a primeira presença dos jesuítas na capitania do Espírito Santo. Em 1551, o Padre Afonso Brás e o irmão Simão Gonçalves fundaram um pequeno seminário no alto da Vila Nova de Vitória do Espírito Santo, recém-fundada por Vasco F. Coutinho, anexo à igreja de São Tiago, cuja construção iniciaram. Em Vila Velha, os mesmo jesuítas levantaram a igreja de Nossa Senhora do Rosário, iniciando aí, o seu apostolado e a devoção Mariana no Espírito Santo (NOVAES. Id., p. 23-4).

Em dezembro de 1553, em viagem para São Vicente, chegou a Vitória o Padre José de Anchieta, acompanhado de outros jesuítas, dentre os quais o Padre Brás Lourenço, que substituiu a Afonso Brás, permanecendo como provincial de 1553 a 1564 (NOVAES. Id., ibid).

Forma os jesuítas incansáveis na sua missão de catequizar índios, levantar templos, criar escolas, apaziguar disputas entre colonos, enfim, os responsáveis pela implantação de uma cultura portuguesa, de base católica, e com toda a ideologia fortalecida na Europa, na Era Medieval, em terras capixabas. Carta de Anchieta, datada de 1572, dirigida ao Colégio de Coimbra já fala da devoção a Nossa Senhora da Penha, em Vila Velha, no Espírito Santo, “numa ermida de abóboda que se vê longe do mar e é grande refrigério e devoção dos navegantes, e quase todos vêm a ela em romaria cumprindo as promessas que fazem nas tormentas” (Apud WILLEKE. 1974, p. 15).

Serafim Leite afirma que, ao visitar a Vila de Vitória em 1552, o Padre Manoel da Nóbrega, superior dos jesuítas, que estava acompanhado do Governador Geral, Tomé de Souza, já encontrou o Colégio de Santiago, grande casa e igreja. Nela, Nóbrega entoou o “Veni Creator Spiritus”, alusão ao nome da terra em que pisavam. Afirma, no entanto, que a igreja era pobríssima, “desprovida de retábulos, ornamentos, galhetas”. Urgia edificar outra. E a ocasião surgiu quando, em 1573, um naufrágio ia vitimando os padres Tolosa (provincial), Luiz de Grã, Antônio da Rocha, Vicente Rodrigues, Fernão Luiz e os Irmãos Bento de Lima e João de Souza. Eles tinham saído do Espírito Santo no dia 28 de abril, “quando sobreveio um terrível naufrágio, nesse mesmo dia, à noite, na foz do Rio Doce. Perdeu-se o navio e tudo quanto levaram. Grã livrou-se a custo da morte. Retrocedendo, foram agasalhados com amor por toda a população. Depois de terem feito uma romaria, por terem escapado com vida, a Nossa Senhora da Penha, ermida que se vê ao longe, no mar, e é refrigério e devoção dos mareantes, resolveram os padres aproveitar esta demora forçada, de cinco meses, para construir a nova igreja” (LEITE, Serafim, História da Companhia de Jesus no Brasil, Tomo I. 1938, p. 221-2).

Portanto, em 1573, já se praticavam romarias a Nossa Senhora da Penha, cuja ermida se avistava do mar. Serafim Leite afirma que se trata da mesma devoção a Nossa Senhora da Pena, equivalente à de Sintra, Portugal. Segundo ele, quem a introduziu no Espírito Santo foi o Frei Pedro Palácios, leigo por profissão, espanhol do Rio Seco, perto de Salamanca, que foi para Portugal, serviu de enfermeiro no real Hospital de Lisboa, foi da Província de Arrabida, Portugal, passando ao Brasil com licença. Confessava-se com os jesuítas e comungava com frequência. Como não tinha letras e ignorava a língua brasileira (Tupi), deram-lhe os jesuítas um formulário para se guiar. Frei Pedro Palácios chegou ao Espírito Santo, em 1558, e apareceu morto na sua ermida, em 02 de maio de 1570 (LEITE. Op. Cit., p. 222).

Fernão Cardim, que visitou o Espírito Santo em 1583, assim descreveu o Convento da Penha: “Na barra deste porto está uma ermida de Nossa Senhora, chamada da Pena, e certo que representa a Senhora da Pena de Sintra, por estar fundada sobre uma altíssima rocha de grande vista para o mar e para a terra. A capela é de abóbada pequena, mas de obra graciosa e bem acabada. Aqui fomos em romaria dia de Santo André, e todos dissemos missa com muita consolação, e V. Reverendíssima foi bem encomendada à Senhora com toda essa província, o que também fazíamos nas demais romarias e continuamente em nossos sacrifícios (…)” (CARDIM. Fernão. Narrativa Epistolar de uma viagem a missão jesuítica. Belo Horizonte: Itatiaia, 1980, p. 168).

Maria Stella de Novaes, a notável historiadora do Espírito Santo, tem uma outra posição sobre a devoção a Nossa Senhora da Penha. Segundo ela, trata-se da mesma devoção a Nossa Senhora da Penha de França, iniciada no Puy, “no antiquíssimo templo da Notre Dame de France, a quem Luís XIII consagrou sua Pátria”. Afirma que “Puy” significa montanha, lugar elevado; “Penha” vem do céltico “Pen”, penhasco, que se tornou “Pena” em castelhano e “Penha”, em português, e não “Pena”, sinônimo de “amargura”, “mágoa”, “sofrimento”. E deve estar certa, pois o quadro trazido por Frei Pedro Palácios é o de Nossa Senhora das Alegrias, equivalente ao de Nossa Senhora da Penha, como cantam os seus devotos, até hoje:

“Mãe da Penha e das Alegrias,
Mãe de todos os nomes és, ó Maria,
A esperança, porto sempre seguro,
um amor verdadeiro e tão puro.
Tens, ó mãe, no olhar um brilho divino,
conheces a fé dos teus peregrinos.
Mãe do amor, tão sensível mulher,
a ti meu canto de amor, louvor e fé”.

(Egnalda Rocha Pereira, letra e Clelione M. da Silva, música)

Frei Venâncio Willeke, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, organizador de uma Antologia do Convento da Penha, tem uma outra posição. Segundo ele, o título de Nossa Senhora da Penha era aplicado todas as vezes que se construía uma capela ou igreja sobre uma rocha, daí existirem santuários de Nossa Senhora da Penha em diversos países europeus e também no Brasil. Baseando-se no escritor português Ernesto Soares, colecionador de estampas de Nossa Senhora da Penha de França, hoje pertencente à Biblioteca Nacional de Lisboa, afirma que em todas essas representações aparecem um crocodilo e um homem prostados aos pés da Virgem Maria, o que não ocorre na Penha do Espírito Santo. Assegura, portanto, que “sem receio de errar, tiramos, pois, a conclusão de que a invocação de nossa imagem milagrosa em Vila Velha não é nem jamais foi a de França por lhe faltarem os dois distintivos” (WILLEKE. 1974, P. 70-71).

Frei Geraldo Antônio Freiberger, OFM, atual guardião do Convento de Nossa Senhora da Penha, de Vila Velha, Espírito Santo, baseado em dados históricos, diz que o Convento de Nossa Senhora da Penha é um dos santuários mais antigos do Brasil, data de 1558. Foi fundado por Frei Pedro Palácios, frade franciscano espanhol que veio para o Brasil com os portugueses e estabeleceu-se na capitania do Espírito Santo, em Vila Velha. Frei Pedro, no início, morava numa gruta, ao pé do morro, onde existe hoje uma placa indicando o local. Pouco tempo depois, edificou uma ermida dedicada a São Francisco de Assis, no largo, em cima do morro, ao pé da grande rocha, onde colocou um painel de Nossa Senhora das Alegrias, que trouxe de Portugal (painel que se encontra no Santuário). Em 1568, Frei Pedro mandou vir de Portugal uma imagem de Nossa Senhora da Penha e a colocou no altar da capela que mandou edificar no cume da rocha, em 1570, com uma festa para entronizar a imagem. Depois dessa festa, Frei Pedro Palácios veio a falecer, junto ao altar da capelinha de São Francisco de Assis.

Em 1644, foi construída a nova igreja, transformando a capela existente em capela-mor. Em 1651, anexo à capela, no topo da rocha, foi iniciada a construção do convento. Era pequeno, servindo apenas para alguns moradores.

Em 1750, o convento foi remodelado e completado, ficando como o encontramos hoje. E o convento está aí, altaneiro, sendo luz na montanha, acolhendo os romeiros, especialmente durante a festa de Nossa Senhora da Penha, que se celebra na semana da páscoa.
O convento também é chamado de Santuário do Perdão e da Graça, porque nesta casa muitos se encontram com Deus e consigo mesmos.

O CONVENTO DE NOSSA SENHORA DE PENHA recebeu este nome porque está situado no topo de um penhasco-rocha (FREIBERGER. In: CD de Hinos e Cantos a Nossa Senhora da Penha. Vila Velha, ES, 2006).

Como não poderia deixar de ser, é o povo, com sua inabalável fé, que consagrou a devoção a Nossa Senhora da Penha, e a ela recorre, em seus momentos de dores e alegrias, buscando a “Grande Mãe”, aquela que eleva do alto da montanha e que está ali, sempre no alto, para melhor o avistar e amparar. É o que se pode depreender desta “Loa a Nossa Senhora da Penha”, de origem popular, e que, agora, é cantada com arranjo de José Acácio Santana:


“Devotos corramos à Mãe de Jesus

Ao seu Santuário, que é graça, que é luz”

Mãe Santa de Deus, e nossa também,
protege-nos sempre e na morte. Amém!

Frei Pedro Palácios à Vila chegou.
E ao bem dessas almas com fé se entregou.

O humilde eremita, em santa porfia,
modesto oratório consagra a Maria.

Da rude capela subia oração,
Do trono divino descia o perdão.

Aos pobres, aos ricos, a lei do Senhor
O apóstolo santo pregava com ardor.

E as tribos dos índios, com grande alegria,
Adoram a Cristo, amando a Maria.

Compreende Frei Pedro da Virgem o querer,
e seu santuário vai lá no alto erguer.

É dos peregrinos materno solar,
o templo onde alcançam favores sem par!

Anchieta querido do nosso Brasil,
da Virgem recebe ali bênçãos mil.

Senhora da penha, desdobra teu manto,
guardando este povo do Espírito Santo”.

(In: Hinos e Cantos a Nossa Senhora da Penha. CD.
Prod. Executiva Ir. Custódia M. Cardoso. CIIC. Vila Velha. 2006).

Uma verdadeira história popular de devoção a Nossa Senhora da Penha do Espírito Santo se pode depreender dessas loas à Nossa Senhora da Penha, de domínio público. São dez dísticos, a que se sucede o refrão, escritos em versos decassílabos ou dodecassílabos, com rimas oxítonas ou paroxítonas, e que recontam, em linguagem poética, a história da fundação do Convento da Penha e da sua devoção iniciada, no Espírito santo, por Frei Pedro Palácios, em 1558.

No livro “Relicário de um Povo, O Santuário de Nossa Senhora da Penha”, Maria Stella de Novaes relata que a devoção a Nossa Senhora da penha, iniciada na França (Puy), foi levada para a Espanha por cavaleiros franceses que lutaram contra os mouros, ao lado de Carlos Magno, devoto de Nossa Senhora do Puy. Mais tarde, um monge franciscano nascido em Paris, chamado Simón Vela, indo em peregrinação a Santiago da Compostela, recebeu uma visão da Virgem Maria, com um menino nos braços, que o mandou construir uma igreja, no alto da montanha. Isso ocorreu em 19 de maio de 1434. Conforme Maria Stella, “assim como Pedro Palácios, no Espírito santo, Simón Vela foi o iniciador do Santuário da Virgem da Penha, na Espanha. Faleceu em 1437, cinco meses após o estabelecimento canônico da Ordem Dominicana, com sete religiosos, na Penha de França” (NOVAES. Relicário de um povo. 2 ed. 1958, p. 28-9).

Pedro Palácios foi irmão leigo franciscano natural de Medina do Rio Seco, perto de Salamanca, onde surgiu a devoção a Nossa Senhora da Penha, levada por Simón Vela. De origem nobre, estudou no Mosteiro de São José dos Reformados, em Castela, e no da Arrabida, em Portugal. Serviu de enfermeiro no Real Hospital de Lisboa, antes de vir para o Brasil. Em As Maravilhas da Penha, obra de J. J. Gomes da Silva Neto, publicada em 1888, conta-se que o religioso tivera um sonho místico. Ao chegar à Vila do Espírito Santo, em 1558, dirigiu-se à Igreja do Rosário, na Prainha, e, ao ver o desregramento dos colonos, compreendeu por que viera de tão longe. Trazia, nas mãos, um quadro de Nossa Senhora das Alegrias e se abrigou numa caverna, aos pés do morro, junto à praia. Lá vivia com um gato, um cão e um preto velho, escravo de Melchior de Azeredo, seu companheiro até a morte. Mais tarde, construiu uma cabana, no campinho, ao pé do penhasco, onde planejava construir uma ermida para Nossa Senhora. Foi o primeiro eremita do Brasil, segundo Machado de Oliveira, e o primeiro franciscano (NOVAES, Op. cit., p. 36).

Silva Neto relata, que Pedro Palácios, ainda na Europa, tivera a notícia de um lugar belíssimo, na capitania do Espírito Santo, no cimo de um monte, em que duas palmeiras marcavam o lugar ideal para se construir um Santuário a Nossa Senhora. Veio atrás de seu sonho e o edificou, confirmando o verso do poeta português Fernando Pessoa: “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce” (In: PESSOA. Mensagem).

Antes de iniciar a ermida a Nossa Senhora, Frei Pedro Palácios construiu, ao pé do rochedo, uma capelinha dedicada a São Francisco de Assis, provavelmente onde ainda está uma nova, no Campinho. Vivia de esmolas, rezava e ensinava a doutrina cristã. Dormia no chão da capela, acompanhado de seus animais e de seu amigo. Trabalhou na evangelização dos nativos, confessava-se e comungava com os jesuítas da Vila. Auxiliado pelos moradores, por escravos e por índios, já devotos de Nossa Senhora, iniciou a construção da ermida, em 1566. Dois anos depois, em1568, mandou vir de Portugal uma imagem de Nossa Senhora. Segundo Maria Stella, a primeira imagem era de roca, ou seja, a cabeça e os braços, além do Menino Jesus, vieram de Portugal, mas o corpo foi talhado na madeira pelo próprio Pedro Palácios. É ainda Maria Stella de Novaes que conta ter sido realizada, a 30 de abril de 1570, pela primeira vez, no Espírito Santo, a festa de Nossa Senhora da Penha, numa segunda-feira de Páscoa, ou seja, oitava de Páscoa, Dois dias depois, no dia 2 de maio de 1570, falecia Pedro Palácios, na capelinha de São Francisco. Foi encontrado morto, ajoelhado, rezando, encostado ao altar. Seu companheiro negro desceu, para avisar aos moradores, que logo fizeram uma romaria, para saudar o “santo ermitão”, provavelmente, o primeiro “capixaba” a merecer tal honra da Igreja Católica, ainda não concretizada.

A festa de Nossa Senhora da Penha, iniciada por Frei Pedro Palácios em 1570, chega, em 2006, à sua 436ª realização, revelando números grandiosos de cada vez maior fé e devoção do povo capixaba a sua Santa Padroeira. No dia 16/4 a 4ª Romaria dos Corredores e a 19ª Romaria dos Cavaleiros e Amazonas abriram as homenagens à padroeira do Estado, no Domingo de Páscoa (A Gazeta, 16/04/2006, p 6).

Três imagens de Nossa Senhora da Penha existem atualmente, para atender a seus milhares de devotos: uma, a que sai nas procissões, é chamada a “Santa Peregrina”, fica na Sala dos Milagres, foi esculpida em 1958 por Carlos Crepaz, escultor italiano, professor de Centro de Artes da UFES, que deixou vários monumentos em Vitória; a outra é a original, trazida de Portugal e que fica no altar-mor (A Gazeta, 16/4/2006, p 6). A terceira é recente, feita por um santeiro de Minas, e está na Capela de São Francisco, no Campinho.

Neste ano de 2006, um representante do Vaticano e do Papa Bento XVI, o arcebispo Dom Lorenzo Baldisseri, Núncio Apostólico no Brasil, veio participar das homenagens a Nossa Senhora da Penha e abrir a comemoração do cinqüentenário da Arquidiocese de Vitória, São Mateus e Cachoeiro de Itapemirim. Dom Lorenzo celebrou a missa, na Catedral de Vitória, no dia 22/4, que dá início à festejada “Romaria dos Homens”, uma tradição iniciada pelo bispo Dom João Batista Mota e Albuquerque, em 1958, para incentivar a participação masculina na devoção a Nossa Senhora da Penha. Os romeiros chegam ao Convento por volta de 23 h, quando é celebrada missa festiva.

No dia seguinte, é a Romaria dos Motociclistas, pela manhã, e a Romaria das Mulheres, à tarde, essa feita num percurso menor, Do santuário Divino Espírito Santo, em Vila Velha, ao Convento da Penha. Na sexta-feira, um dia antes da tradicional Romaria dos Homens, ocorre a da juventude e, no sábado, ocorreram, neste ano, a 1ª Corrida da Penha e a 1ª Romaria das Pessoas com Deficiência. Para terminar, no último dia, a segunda-feira, houve, pela manhã, a Romaria dos Ciclistas e, à tarde, missa de encerramento no Parque da Prainha, com a subida da imagem da Virgem da Penha ao convento, em procissão luminosa (A Tribuna. Vitória, 16/4/2006, p. 4).

Toda a população capixaba, em sua maioria católica, participa da Festa da Penha: Bandas de Congo, comunidades, jovens com coreografias ensaiadas, deficientes físicos. Os joalheiros Oswaldo e Elza Moscon doaram coroas com pedras preciosas para coroar a Santa. Aprendizes-marinheiros carregaram o andor com a imagem, precedidos por dezenas de crianças vestidas de anjo, cantando o hino oficial “Virgem da penha, minha Alegria, Senhora Nossa, Ave Maria!”. Certamente, o sonho de Frei Pedro Palácios foi realizado, tornando-se a devoção mariana realizada no Convento da Penha a mais antiga do Brasil, logo após a da ermida de Nossa Senhora da Graça, de Salvador-BA (A Gazeta, 4/11/2006, p 8).

Genilda Martins Miranda é católica fervorosa e devota de Nossa Senhora da Penha. Cursou Ciências da Religião, na Faesa, e seu Trabalho de Conclusão do Curso foi “Catolicismo do povo: Estudo da Devoção Mariana no Convento da Penha do Estado do Espírito Santo”, defendida em agosto de 2005. Seu trabalho foi premiado com uma bolsa de pós-graduação e, dentre as conclusões que chegou, foi a de que “a festa da Penha é uma forma de reunir os fiéis e educar as pessoas para colocarem em prática as virtudes do cristianismo” (A Gazeta. Campus. 18/4/2006. p. 5. Caderno Dois).

Livro “O CONVENTO DA PENHA” Fé e Religiosidade do Povo Capixaba – Companhia Siderúrgica de Tubarão – 2006.