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Frei Paulo Roberto: “Desprezaram Jesus porque Ele era um de nós”

“Antes que eu te formasse dentro do ventre de tua mãe, antes que tu nascesses, te conhecia e te consagrei. Para ser meu profeta entre as nações eu te escolhi, onde te envio irás, o que te mando proclamarás… Tenho que gritar, tenho que arriscar, ai de mim se não o faço! Como escapar de ti, como calar, se tua voz arde em meu peito? Tenho que andar, tenho que lutar, ai de mim se não o faço! Como escapar de ti, como calar, se tua voz arde em meu peito?“, com a entoação do cântico, “O Profeta”, foi iniciada, na Capela do Convento da Penha, a Santa Missa das 9h, deste 4º Domingo do Tempo Comum (03 de fevereiro). Frei Paulo Roberto Pereira, Guardião do Santuário, presidiu a celebração. Centenas de pessoas participaram, muitas vindas de longe, apesar do fim do período de férias, muitos visitantes e romeiros subiram até o alto da Penha Sagrada.

Com muito carisma e alegria, já na saudação inicial, o Guardião brincou dizendo “somos um grupo maior e mais forte que este ‘amém’, a turma presente aqui, certamente cansou na subida e fez um ‘amém’ fraquinho. Somos mais fortes, nosso louvor nos irmana, nos reúne, nos faz viver o ‘Convento’, a convenção, a reunião de gente disposta a louvar o nome do Senhor” e conclamou novamente a saudação à Santíssima Trindade. Em seguida, conduziu os ritos iniciais, com o ato penitencial, hino do glória e oração de coleta.

Na Liturgia da Palavra, foram lidas as Leituras de Jeremias 1,4-5.17-19 e de 1 Coríntios 12,31-13,4-13. A proclamação do Evangelho de Lucas 4,21-30, que narra o desprezo e a rejeição de Jesus, pelo seu próprio povo, o povo conterrâneo que não acredita que Jesus é de fato o Filho de Deus, “nenhum profeta é bem aceito na sua pátria…”. 

Na homilia, como o Frei Paulo mesmo disse, que é o exercício que enche de vida, anima, encoraja, ele trouxe a reflexão, exemplificando “a reunião de pessoas para ouvir Deus falar por meio da Palavra, na leitura em conjunto da bíblia um vai ajudando o outro a entender melhor, infelizmente esse modelo foi caindo em desuso, pena! É importante que a gente reúna de novo o povo para refletir a Palavra de Deus, isso faz um bem muito grande. É que a gente desconfia, como também o povo que conversa com Jesus, desconfia da sabedoria do outro. A gente sempre imagina que tem de ter ‘um doutor para falar’… A gente acredita mais nessas pessoas, nessas funções, nesses cargos, naquelas pessoas que têm postura de gente sábia e deixa de crer nas pessoas com uma sabedoria muito grande, uma sabedoria da vida. Tudo que é popular a gente fica olhando com uma certa desconfiança. Porque popular, parece que não vale nada. Infelizmente a gente foi adquirindo um comportamento assim que desdenha aquilo que é simples, que é popular, que desdenha aquilo que nasce da sabedoria do povo, do povo como nós, de gente como a gente. A gente prefere sempre buscar, acreditar e seguir aqueles que se autoproclamam doutores, sabedores de tanta coisa.” E continuou…

A gente chamou até o exército de Israel para salvar as vítimas daquele crime em Minas Gerais. Eles foram embora sem ter salvado ninguém e os nossos bombeiros e voluntários estão lá, com pedaços de pau, arrancados na mata, eles vão com a técnica própria tentando achar. A gente tem, infelizmente, esse comportamento de desdenhar, desprezar aquilo que parece conosco. É isso que o Evangelho está dizendo e Jesus ficou muito chateado com esse episódio. Logo no início da sua pregação ele teve muita resistência e resistência exatamente deste comportamento, um comportamento que desdenha… Desprezaram Jesus porque ele era um dos nossos”, disse o Frei.

O Frei disse, ainda sobre o Evangelho, que “o povo de Jesus desdenhava, desprezava, porque não entendia a escolha de Deus. Deus nos escolheu! Deus se fez um de nós! Nossa fragilidade humana é revertida por divindade de Deus, e então o caminho do céu nos é aberto e é possível que cheguemos lá. Por graça d’Ele, por escolha d’Ele… Antes de te formares no seio de sua mãe, eu já havia te escolhido…” O Frei citou ainda outro exemplo da missão de Jesus, “a escolha de Deus pelo seu povo amado, com o coração generoso, acolhendo a todos, indistintamente. A simplicidade de ser um do seu povo e a mensagem ser para todos, a mensagem acolhe a todos, indistintamente. Nós somos herdeiros desta forma de religião, nós somos herdeiros da religião de Jesus Cristo que considera o irmão, o mais frágil dos irmãos, aquele irmão que pode nos auxiliar a viver a graça do Evangelho, por isso que nós também neste dia ouvimos o trecho bonito da Carta de São Paulo das 3 virtudes que nos aproximam de Deus, a fé, a esperança e a caridade.”

Por fim, em tom descontraído ainda explicando a Segunda Leitura, Frei Paulo disse: “A gente até conhece alguém que cultiva uma esperança sozinho, certamente frágil esperança. Porque esperança partilhada é uma esperança vigorosa, criativa, nova, sempre nova. A fé partilhada, vocês talvez conheçam algumas pessoas que dizem ‘eu creio, mas creio no meu jeito’, pode até ter pessoas assim, mas uma fé frágil, porque a fé partilhada também ela é revigorante, animadora. É importante saber, veja como nós aqui hoje, tanta gente crendo do mesmo jeito que a gente crê, a gente se anima.

É mais ou menos, como um torcedor do Vasco sozinho na torcida do Flamengo, ele nem grita gol. Quando o Vasco faz. Mas quando estamos unidos no mesmo objetivo, então nós nos animamos. A fé vivida em comunidade é uma fé que nos revigora, nos reanima… Ninguém consegue viver caridade sozinho, porque ela supõe que a gente saia de nós mesmos. Por isso o apóstolo não tem dificuldade nenhuma em dizer que a maior das virtudes é a caridade”, concluiu.

Assista abaixo a reflexão completa.

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