Destaque 2, Notícias › 08/04/2013

Dom Sevilha ensina a carregar a cruz com elegância

Moacir Beggo

Vila Velha (ES) – O bispo auxiliar de Vitória, Dom Rubens Sevilha, não fez apenas uma homilia na Missa dos Religiosos em homenagem a Nossa Senhora da Penha, nesta segunda-feira (8/4), numa manhã muito abafada, mas nublada. Dom Sevilha pregou um retiro aos religiosos e ao povo que lotou o Campinho às 7 horas, na primeira grande celebração do dia da Padroeira do Espírito Santo.

Dom Sevilha iniciou de forma didática explicando o que significa a palavra consagração. “Quer dizer pertencer a Deus. Quem foi batizado pertence a Deus. Tem alguma coisa que não pertence a Deus? Só o mal”, disse o bispo auxiliar da Arquidiocese de Vitória, ex-provincial dos Carmelitas, lembrando que os religiosos consagrados estavam ali, no Campinho, para louvar Nossa Senhora e, com ela, aprendera a dizer sim a Deus.

Segundo o bispo, todos somos, de alguma forma, consagrados a Deus: “Então, fica essa primeira pergunta: como está esse seu ser de Deus. Você é dele mesmo? Qual é o lugar de Deus no seu coração e na sua vida? Qual é o lugar e o papel de Deus na sua vida?”, perguntou.

Dom Sevilha faz a homilia e no fundo o painel da Anunciação.

VIDA CONSAGRADA

“Isso não é fácil, não, porque às vezes o coração se desvia de Deus”, acrescentou, já que desejamos coisas fora de Deus e colocamos coisas ou pessoas no lugar de Deus. “E aí já não somos dele. A vida inteira passamos nessa luta. Cada um na sua vocação, essa luta é igual. Quem é casado, a sua luta é para ser fiel à sua família e a sua missão. No nosso caso, somos de Deus de uma maneira especial – e aí a responsabilidade do consagrado aumenta – ao ser um sinal dessa entrega, desse ser de Deus. Se todos somos de Deus, no consagrado, esse ser de Deus tem uma visibilidade maior, deveria se enxergar mais claramente, mais nitidamente. Mais radicalmente como se diz entre nós, na Igreja. Falamos de uma radicalidade, de uma consagração especial. O povo de Deus tem que enxergar isso. É muito bonito nos colocarmos como consagrados, mas é preciso que o povo de Deus, a Igreja, veja no consagrado esta centralidade que Deus é tudo para ele. Ele é o meu tudo. Ele é o mais importante. Minha vida é dele, eu sou Dele. Toda a minha existência é Ele. Tudo que é fora dele, vem em segundo lugar, porque ele está em primeiro. Esse é um dom, um chamado e uma graça. Depende dele, por isso estamos aqui nos pés de Nossa Senhora, porque ela é modelo de consagração”, ensinou.

FIDELIDADE

Dom Sevilha mostrou que Nossa Senhora é fiel desde o anúncio do anjo até a descida de Pentecostes e a explosão da Igreja. “Mãe que é mãe não desanima. Dá umas vaciladas, mas não desanima. Nossa Senhora é mãe de verdade e não desanima. Nossa Senhora é modelo. Porque começar é fácil, o difícil é terminar. Na vida é assim. Tudo na vida é fácil no começo, mas ir até o fim é muito difícil!”, enfatizou.

Segundo o bispo, um casamento começa com grande festa, lua de mel, assim como a festa da profissão de um religioso. Tudo é bonito no começo. “Perseverar até o fim que é o desafio. Nossa Senhora é modelo para nós de fidelidade”, explicou.

ALEGRIA

Segundo Dom Sevilha, é preciso perseverar com alegria. “Uma vez, quando conversava com uma monja carmelita, sobre alguns problemas, ela me disse: ‘Frei, é preciso carregar a cruz com elegância’. Eu achei bonito, poético, na época. Daí refletindo, pensei, carregar a cruz já está bom, com elegância já está demais! (risos) Mas depois entendi: carregar a cruz com alegria. Nossa Senhora carregou a cruz, a missão dela, com alegria. Essa alegria nós queremos hoje e pedimos a Nossa Senhora”, rezou.

PESSIMISMO

Segundo o bispo, falta alegria no nosso mundo. “Nosso mundo vive a tentação do pessimismo. Essa mudança de época gera pessoas um pouco confusas e aí entra o pessimismo de achar que tudo vai dar errado. Isso é falta de fé. Esse pessimismo de achar que o mundo está indo para o caos. Isso é falta de fé. O que desmonta isso é a perguntinha básica: E Deus onde está?  Você está negando Deus achando que tudo está mal com esse pessimismo. Esta alegria nos falta pela falta de fé, sabendo que não está sozinho. Você tem mãe, que é Nossa Senhora, você tem irmão, que é Jesus e Deus”, enfatizou.

CORAGEM

Dom Sevilha detectou outro problema aos consagrados e cristãos: falta coragem. “Estamos ficando muito acomodados. O ser humano hoje é muito covarde diante da luta, diante da sua missão, diante da vida. O cristão tem que enfrentar a vida. Não se fazer de vítima. Isso é covardia. Para enfrentar a vida temos Deus, o Espírito Santo que nos fortalece com o dom da fortaleza. Enfrentar e caminhar”, pediu.

ALEGRIA NO BEM

No final, Dom Sevilha avisou: só há alegria no bem. “Não queiram unir alegria com coisa errada que não funciona. No nosso mundo de hoje falta alegria porque tem muita coisa errada. Não adianta você ser feliz e alegre no erro. Só há alegria e felicidade no bem. Nas coisas boas. Você quer ser feliz e alegre na sua vida, faça o bem. Você vai ter um monte de problemas, com certeza, mas vai estar feliz. Só no verdadeiro cristão, alegria e sofrimento se unem. Veja Santa Terezinha, São Francisco com a perfeita alegria. Para quem tem fé, alegria e sofrimento combinam. Um não exclui o outro. Fora da fé, alegria e sofrimento se separam”, finalizou, pedindo que Nossa Senhora das Alegrias nos dê a alegria que vem de Deus e a coragem para enfrentar a luta na vida consagrada e nas famílias. “Não estamos sozinhos.  Ele está no meio de nós!

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