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Dom Dario: “Deus espera o nosso sim”

Festa da Penha 2019
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Moacir Beggo

 Vila Velha (ES) – Depois de oito dias de muita devoção, em romarias e celebrações, terminou nesta segunda-feira, 29 de abril, a Festa em homenagem a Nossa Senhora da Penha, Padroeira do Espírito Santo. O Arcebispo de Vitória, Dom Dario Campos, que tomou posse neste ano, presidiu a sua primeira Missa de encerramento desta grande manifestação de fé do povo capixaba. Tendo como base o tema deste ano – “Eis aqui a serva do Senhor” -, o bispo recordou que a Palavra do Senhor também é dirigida a todos nós, pois, assim como Maria recebeu a visita do Anjo do Senhor, nós também somos visitados por Deus, que deseja nos apresentar o seu projeto e espera de nós o nosso sim.

O guardião do Convento da Penha, Frei Paulo Pereira, em sua mensagem de agradecimento avisou que já estão trabalhando para celebrar a 450ª edição da Festa da Penha. O Vigário  Provincial, Frei Gustavo Medella, representou a Província da Imaculada e o Ministro Provincial, Frei César Külkamp, que viajou antes por causa de compromissos assumidos.

A multidão lotou o Convento durante todo dia,  já que hoje foi feriado no Espírito Santo, e no final da tarde lotou o Parque da Prainha para a última homenagem à Virgem da Penha. O tempo mesclou sol e um pouco de chuva. A Santa Missa, transmitida ao vivo pela TV e mídias sociais, começou às 16 horas e só terminou por volta das 18 horas. Dom Dario saudou aos presbíteros, diáconos, seminaristas, religiosos, religiosas e todos os vocacionados da Arquidiocese, bem como todos os presentes e de maneira especial, saudou e agradeceu “ao empenho, à dedicação e ao dedicado serviço da Comunidade dos Franciscanos, que de forma incansável se dedica a acolher a cada peregrino que se dirige ao Convento da Penha”. Saudou as autoridades presentes, civis e militares, e todo o povo de Deus.

Às 15h30, os frades do Convento e da Província começaram a preparar o povo para receber a imagem de Nossa Senhora, que foi carregada por um grupo de marinheiros no meio da multidão, calculada em cerca de 80 mil pessoas. Atrás do andor vieram todos os frades e, em seguida, a procissão com os seminaristas, diáconos, padres e os bispos. Além de Dom Dario, estavam presente os bispos: Dom Joaquim Wladimir Lopes Dias, bispo de Colatina; Dom Paulo Bosi Dal’Bó, bispo de São Mateus; Pe. Walter Luiz Altoé, administrador diocesano de Cachoeiro de Itapemirim. Os bispos eméritos Dom Geraldo Lyrio Rocha, de Mariana (MG) e Dom Luiz Mancilha Vilela, SSCC, de Vitória. Estava presente também Dom Edivalter Andrade, que é bispo de Floriano (PI), mas é natural do Espírito Santo.

Segundo Dom Dario, na sua homilia, Deus deseja a vida plena para todos os seus filhos e filhas, algo que Jesus veio mostrar de modo claro quando disse que veio ao mundo para que todos tivessem vida e vida em plenitude. “Porém, ainda hoje, percebemos que estamos longe da realização do desejo de Deus, do seu projeto de vida para todos. A nossa história recente está marcada pela violência e pelas dores de famílias inteiras que perdem os seus filhos e filhas, a grande maioria jovens, pobres e negros. Muitas mulheres ainda são vítimas da violência, por vezes dentro de sua própria casa, colocando o nosso Estado entre os que têm mais grande índice de feminicídios no país”, lamentou.

Dom Dario não esqueceu dos desempregados, das famílias inteiras que vivem abaixo da linha de pobreza, marcadas pelo descaso dos poderes constituídos. “Carecemos de Políticas Públicas inclusivas e amplas, que favoreçam a qualidade de vida de todos, oferecendo oportunidades e possibilidades iguais para os cidadãos. Nossa sociedade ainda está marcada com a exclusão social, acirrada pelo desrespeito e a discriminação, seja por questão de sexo, cor, condição social entre outras. Não podemos esquecer a preocupação das grandes empresas com o lucro desmedido, que ainda hoje tem causado tragédias criminosas e mortes, marcando também o nosso solo do Espírito Santo, os nossos rios e mares com a poluição, fruto do descaso”, criticou, sendo muito aplaudido. Ele fazia referência às tragédias de Mariana e Brumadinho.

“Irmãos e irmãs, a nossa fé, o batismo que recebemos, pede de nós uma atuação mais ativa e efetiva, pois, apesar de nossos muitos esforços, temos muito o que fazer em relação à nossa participação ativa e à construção coletiva de uma sociedade mais justa, fraterna e solidária. Hoje, todos nós somos colocados diante do desejo de Deus manifestado, no encontro do anjo com Maria, de tocar a humanidade e de transformá-la”, ressaltou, pedindo para nos deixarmos nos envolver pelo mistério de sua Presença, que nos convida a um compromisso de fé, a fim de que também nós digamos ‘sim’ ao projeto que Ele nos apresenta. “Pois é o desejo de Deus fazer de nossa Casa Comum um lugar para todos os seus filhos e filhas”, acrescentou.

Para o bispo, o sim de Maria faz dela expressão de uma humanidade reconciliada com Deus, aberta e plena de graça divina, assim como o próprio anjo do Senhor afirma: “Encontras-te graça junto de Deus”. Desse modo, ela se torna o sinal de uma humanidade que se abre ao Senhor, ama a sua Palavra e mantém viva a sua esperança no cumprimento das promessas divinas. “Do mesmo modo que Maria foi capaz de dizer o seu ‘sim’ e de se manter fiel ao Senhor, sempre sustentada pela graça divina, assim devem se comportar todos os que desejam aderir ao projeto de Deus em suas vidas”, enfatizou.

Ele reforçou que na celebração da Padroeira do Estado do Espírito Santo, todos os nossos olhares se voltam para o Convento da Penha, lugar que evoca e guarda a imagem da Virgem das Alegrias. “Trazemos em nossos corações e na lembrança as quatro Dioceses do nosso Estado do Espírito Santo, aqui representadas pelos seus bispos, pelo administrador diocesano de Cachoeiro, pelos padres, diáconos, religiosos, religiosas, seminaristas e por todo o Povo de Deus. Desejamos ardentemente que aquele encontro que ocorreu em Nazaré, na Galileia, aconteça também mais uma vez aqui hoje para todos nós e nos confirme no chamado e na missão”, disse.

Para o bispo, assim como Maria é a expressão plena da humanidade que abraça a sua vocação, chamado e missão, “também nós hoje queremos nos deixar tocar pela Palavra de Deus e abraçar a nossa vocação, a exemplo de Maria”.

“Que todos nós aqui reunidos, nos sintamos chamados, a exemplo de Maria, a viver uma vida de comunhão com o projeto de Deus, confirmando, todos os dias, o nosso ‘sim’ a ele. A fim de que nos comprometamos com o Senhor, buscando viver os valores do Evangelho de Jesus Cristo, por meio de um empenho contínuo na construção de um mundo segundo o projeto de Deus, um lugar onde todos os filhos e filhas de Deus possam ter acesso à qualidade vida digna e plena, como um direito a ser preservado e defendido. Que o nosso ‘sim’ ao plano de amor do Pai, a exemplo de Maria, faça de todos nós promotores da paz e da justiça, homens e mulheres novos para o tempo novo de Deus”, desejou Dom Dario.

MENSAGEM DO GUARDIÃO DA PENHA

Frei Paulo Pereira, o guardião do Convento da Penha, fez os agradecimentos, questionou e deu esperança com a sua mensagem. Segundo ele, o “Viva Nossa Senhora da Penha” foi repetido milhares de vezes nesses dias. “Viva é grito de quem tem sede de vida e de vida plena. Vida que vence a morte com a ressurreição de Jesus. Viva que insiste e resiste nas lutas diárias de cada um de nós. Vida batizada de esperança nos olhos e nas mãos de todos que contemplam a imagem da Virgem Maria, a Senhora da Penha”, observou, falando de Maria: “Ela traz no colo um menino; o menino é o nosso sol. O menino é humano como nós. A Virgem da Penha revela, portanto, o amor que salva e o amor que cuida. Por isso, nunca foi tão necessário celebrar a festa da Padroeira do Espírito Santo”.

“Celebrar a Festa é resgatar o olhar de humanidade e de salvação. A mentira, o desrespeito, a maldade, o ódio, nos segregam, nos embrutecem e não deixam ver o que temos de mais precioso: a nossa humanidade. A nossa capacidade de cultivar solidariedade, a nossa missão de devolver ao mundo a chance de viver a fraternidade”, disse Frei Paulo, passando para os agradecimentos.

“Nessa hora de gratidão, quero destacar a boa vontade de tanta gente. A boa vontade dos poderes públicos e de todos os servidores que se dedicaram na organização e realização desta festa. A boa vontade de empresas e empresários que se uniram ao esforço de tantos para proporcionar condições favoráveis à realização desta grande festa. A boa vontade dos padres, dos bispos, dos religiosos que revelaram a unidade e a presença profética da Igreja do Espírito Santo. A boa vontade do exército de voluntários, que torna possível a realização desta lindíssima manifestação de fé e devoção. Em nome dos franciscanos de Vila Velha, quero manifestar gratidão a todo o Povo que nestes dias do Oitávario e, em todos os dias do ano, olham com carinho para o Convento da Penha e fazem desse lugar espaço de acolhimento de todos”, agradeceu, anunciando que a edição da Festa de 2020, vai marcar os 450 anos de devoção à Virgem da Penha a partir do Convento.

“Não quero pedir vivas para Nossa Senhora, a Virgem Mãe das Alegrias. Agora empresto sua voz a todos os que querem vida e vida abundante. Viva a criançada, viva a juventude, viva os adultos, viva os idosos, viva as mulheres, viva os que amam e protegem a mãe Terra, viva os pretos e pobres, viva os camponeses e os trabalhadores, viva os perseguidos e presos injustamente, viva os calados pelas armas e pela violência, viva o sem comida, sem terra e sem trabalho, viva os que protegem, amparam e cuidam, viva os que perdoam e cultivam a fé, e vivam com alegria todas as pessoas que carregam no peito a teimosa esperança de dias melhores. E vivam os que semeiam no mundo a paz e o bem. Viva o povo de Deus!”, completou.


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