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[ARTIGO ESPECIAL]: Desarmado para ser amado – Francisco de Assis e o Sultão – 1

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DESARMADO PARA SER AMADO

De 1219 a 2019, o encontro de Francisco de Assis com o Sultão é um fato que mexe com as consciências. O que um mendigo esfarrapado vai fazer do outro lado de uma cultura não cristã, e passando por linhas orientadoras de uma Cruzada, sem usar armas, apenas a força da fé e do respeito. Não leva a sisudez dos que dialogam religiosamente com ranços imperialistas.

Ele atravessa o campo de batalha de exércitos que estão frente a frente para se matarem em nome de Deus numa guerra fratricida e cruel; que de motivação religiosa não tinha muita coisa, mas sim motivações econômicas para aumentar patrimônios de poderosos: sultões mulçumanos e reis católicos, e entre estes reis, bispos e cardeais. Cada lado achando-se dono da verdade em seu próprio domínio e transformando o outro num elemento diabólico.

Quando existe guerra e armas não existem culpados e vítimas, nem vencedores. Existem os derrotados pela falta total de amor. Francisco não é um apologeta, é um asceta.  Desfez-se do poder de quem pode e de quem tem, para viver a liberdade dos que abraçam a riqueza e a dignidade da humanidade que está do outro lado em algum lugar.

Ele não é um agressivo, mas um pacífico que sai do orgulho de si, não tem medo de nenhuma diferença, porque sabe que a humildade rompe muros. Prepotência impõe credos e pregações. Francisco de Assis não é da imposição, mas da comunhão. Se vai dialogar, não precisa de sermão, mas de ser irmão de um outro que acredita, como ele, em Deus.

Ele vive e segue o Evangelho que não foi escrito em sinagogas, templos ou mesquitas, mas sim lá onde está a fratura humana-social que produziu feridas no corpo e na alma. Ele escutou quem andou pelo empoeirado chão da Palestina e criou práticas de Boa Nova. Por olhar o caminho do concreto e cuidadoso Amor do Mestre, ele enfrenta o deserto e parte para o outro lado.

Tem as mãos vazias de espada e lança e os braços abertos para o abraço e não para criar laços e armadilhas. Quer oferecer a vida e não sangue e morte. Parte ao encontro do diferente para dizer que o Amor é uma Boa Nova comum de reconciliação, de justiça e de paz.

Desarmado para ser amado; despojado para não deixar o outro amedrontado; pequeno e frágil para mostrar que o Glorioso e Forte, o Altíssimo e Bom Senhor, está em todos os Textos Sagrados e não precisa de batalhas, mas de tendas de encontro onde arde a chama do fogo do Amor.

ImagemCena da peça teatral “Francisco e o Sultão” na Festa da Penha 2019

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