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[ARTIGO] É melhor tirar a lagosta do cardápio que fechar sala de aula

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Paz e Bem!

Padre Xavier nos convida a uma reflexão sobre a fala do ministro da Educação, Abraham Weintraub, que usou bombons para explicar o congelamento de 30% do orçamento das universidades públicas do país.

“O senhor também não explicou porque só foi tirar bombons da cota dos estudantes, que já é minguada, e não tirou bombons dos lucros dos banqueiros, das gigantescas dívidas fiscais dos poderosos devedores, das grandes fortunas, das isenções das mineradoras e de outros grupos industriais que não servem para aumentar empregos, como prometido, mas para ampliar os lucros dos proprietários… Ministro, destes grupos pode tirar bombons a vontade. Lá têm de sobra. Não vai fazer falta.”

Leia na íntegra abaixo


Prezado Ministro da Educação, Vossa Excelência usou bombons para explicar o contingenciamento dos investimentos nas universidades e escolas federais. Disse que, de cem bombons, foram retidos só três. Logo de cara as contas não parecem quadrar, pois, segundo os reitores das universidades os bombons retidos foram de 20 a 30.

O senhor também não explicou porque só foi tirar bombons da cota dos estudantes, que já é minguada, e não tirou bombons dos lucros dos banqueiros, das gigantescas dívidas fiscais dos poderosos devedores, das grandes fortunas, das isenções das mineradoras e de outros grupos industriais que não servem para aumentar empregos, como prometido, mas para ampliar os lucros dos proprietários… Ministro, destes grupos pode tirar bombons a vontade. Lá têm de sobra. Não vai fazer falta.

Além do mais vai contribuir com a redução das placas de egoísmo que entopem o coração. Garanto ao senhor que partilhar é muito mais saudável. Enfim, como não bastasse a “doçura” do chocolate, o senhor, ao se dirigir ao Presidente, fez uma comparação com a economia doméstica para explicar a situação do País e justificar os cortes/contingenciamentos. “Toda família, quando está em dificuldade, ou corta gastos ou adia despesas…”. Isso é verdade.

Aconteceu muitas vezes na minha casa. Inclusive, é bom lembrar que, enquanto uns poucos gastam a toa, a maioria é obrigada a cortar gastos a vida inteira. Mas quero dizer ao senhor que papai e mamãe nunca cortaram gastos com a nossa educação, com a nossa saúde, com a nossa alimentação, com o essencial para nosso crescimento saudável…. Eles sempre começaram cortando seus próprios gastos. Quando não havia comida suficiente, meus pais comiam menos ou nada, para sobrar mais para os filhos.

Depois cortavam todos os gastos não essenciais. O lazer, mesmo sendo direito humano também, tornava-se uma raridade. Todo mundo apertava o cinto, mas priorizava-se o estudo pois eles prezavam pelo nosso futuro. “Não quero que meus filhos passem pelo mesmo sofrimento!”, costumavam dizer.

Portanto, Ministro, corte a lagosta do cardápio do Supremo, os vários “auxílios” que engordam os contracheques dos deputados, os penduricalhos das autoridades, os gastos com viagens sem “nenhum retorno”, os excessos, as despesas inúteis… Exija o pagamento das dívidas bilionárias, cobre as multas… E deixe as escolas, os professores e os estudantes em paz para que se dediquem com serenidade aos seu estudos.

Não fique com medo do pensamento livre. Não perca tempo: ninguém enjaula ideias e ideais. É melhor multiplicar e fortalecer escolas que ter que construir presídios. Por último, aconselho a não abusar muito de bombons, pois a diabetes anda solta. Por causa do contingenciamento dos gastos na saúde, está difícil encontrar atendimento e remédios.


PADRE XAVIER PAOLILLO
Missionário Comboniano. Atuante na Pastoral Carcerária e do Menor e, defensor dos Direitos Humanos

Informações do site: aves.org.br

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